Santos e Paz

A primeira vez que assinei a factura do pequeno-almoço na casa de doidos com nome de hotel onde passei as primeiras noites em Katmandu, o empregado disse-me que Santos era nome nepalês. Que queria dizer qualquer coisa como Paz. Espera aí um bocado que eu ainda tenho umas coisas por tratar. Ou, como dizia Santo Agostinho: “Senhor, faz-me casto, mas lá mais para a frente”, ou coisa para o mesmo efeito.

Pokhara sabe bem para descansar de Katmandu, mas não há grande coisa para fazer. Comecei por fazer massagem num spa, ainda decorria a greve e o estabelecimento estava sossegado. No segundo dia, já havia muita gente à espera de cliente que não havia, o patrão tinha levado a criancinha e já havia aquele ambiente familiar que parece que, de repente, estamos em casa de alguém. Não houve gato-sapato que não corresse a cortina para ver a massagem, nem a criancinha se inibiu de entrar pela sala adentro.

Expliquei ao senhor da recepção que, com barulho e visitas, não vai ter grande sucesso com ocidentais.

No dia seguinte, passei inspecção a um CitySpa e marquei. O ar condicionado, pelo qual eu estava disposto a pagar mais uns euros, existia mas como não havia electricidade… E ainda me fizeram vestir uns culottes que me lembraram a minha avó Maria. Mudei a massagem para coisa rápida e, ao fim da tarde, depois da fresca se instalar, procurei outro spa. Mas passei por um barbeiro e, na boa tradição indiana, barbeiro também é massagista. Resolvi entrar. Era massagem com taxímetro, 15 euros a hora. Cada vez que chegava a hora, ele avisava que íamos entrar noutra. Fiquei pelas 2 horas e 15 minutos. A massagem era muito interessante. Aquilo a que os tailandeses chamam elephant walk, alternando a pressão das mãos colocadas lado a lado, fazia ele com os dedos. A coisa sabe particularmente bem na inserção dos músculos.

Acabada a massagem, o tipo deu-me um cartão (Bhunesh Kumar) e perguntou pelo meu Good Name. Fernando, disse eu. Santos, disse ele. Enquanto apertámos a mão, perguntava-me eu como é que ele sabia o meu nome completo. Perguntei-lhe o nome dele. Santosh, respondeu. Um homem de paz, presumo. Se não houver coisa com o Santo Agostinho.

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>