À espera

Sempre saí de Katmandu pela madrugada. Pokhara é uma pequena cidade à beira dum lago, montanhas verdes a toda a volta, e montanhas brancas atrás delas. Sabe lindamente depois de Katmandu, onde, em alguns bairros, só as árvores com templo ao lado escaparam ao machado. E, no raro jardim, até dá pena andar.

Ainda há muita reencarnação por acontecer por estas bandas. Estava a ver o pessoal no aeroporto. Locais com ar próspero, ai-que-tudo, muita joalharia, dinheiro para andar de avião e, quando acabam uma garrafa de água, chão com ela. Lenço, guardanapo, maço de cigarros. Espero que retornem como Almeidas.

Aluguei uma bicicleta de manhã e percorri a beira do lago. Bicicleta como deve ser, nada das heranças da revolução cultural que alugam em Pequim. Depois dormitei um bocadito. Acordei a pensar no “Apocalipse Now”, a cena inicial com os Doors a tocar “The end” ou no ataque de helicópteros com as Valquírias de fundo. Por causa da ventoinha de tecto que não prescindo de ter ligada. Mas quando se desliza do sono para a consciência é coisa estranha e só traz filmes à memória.

Uma massagem ao fim da tarde para recuperar da bicicleta e aguardo notícias sobre o fim da greve para saber o que posso fazer ou não.

Amanhã subo um monte sobranceiro à cidade para visitar um templo, dizem que tem uma vista soberba. E é o que se pode fazer sem táxis ou outros meios de transporte.

Há uma vila tibetana “perto”, há grutas, mas deixei de ser fã de coisas potencialmente claustrofóbicas.

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>