Augúrios e mais coisas inesperadas

O pequeno-almoço tem de ser substancial para conseguir subir a escadaria do Bom Jesus dos Macacos Budistas. Aproveito para o tomar com os franceses que partem hoje para a expedição deles à base do Evereste. Bem se fartam de dizer que dava imenso jeito um massagista na expedição e eu acredito. Mas a minha próxima montanha acima dos 3000 metros será na televisão, bem aconchegado no sofá.

Dou graças pelo ATM e de não precisar de ir trocar dinheiro num cambista que se chama Sincere Eyes Money Changer.

No curso de taças, o mestre diz sempre que pode ser assim, mas também pode ser de outra maneira. Que sou eu que tenho de ouvir a música e soltar a minha intuição. Quando um tipo está deitadinho, rodeado por taças por todo o lado e todas vibram ao mesmo tempo, é uma emoção do caraças. Outras vezes é a combinação de duas cujo som parece entrelaçar-se e a nós no processo.

Finalmente encontrei uns tampões de silicone e fui capaz de dormir 7 horinhas no malfadado do meu hotel. Até um templo tem ao lado e, quando um hindu entra ou sai da capela, tem de tocar a sineta!

Hoje tive a lição das taças com água quente, com e sem vibração. A seguir choveu, uma antestreia das monções que se avizinham. Logo o mestre achou outro bom omen que tivesse chovido a seguir à lição das taças com água. Aguardo pelo bom omen de amanhã. Começo a tomar-lhe o gosto.

À tarde a coisa complicou. Além do cat walk, que é basicamente um passeio com as taças a vibrar e para o qual eu ia devidamente preparado com umas calças thai,  onde a porca torceu mesmo o rabo foi nas cantorias.

Cantar para e com a taça foi complicado. No fim, por uns segundos, lá consegui arranjar uns graves que combinavam bem com a taça. Mas vai levar anos de gargarejo até que eu me atreva a fazer destas em companhia.

Em Xigatse (Tibete) saí do hotel à procura de um internet cafe. Achei que encontraria um perto. Quando dei por mim, já tinha andado quilómetros e a minha demanda já tinha deixado de ser um internet cafe para ser uma casa de banho. Até entrei no Corte Inglês do sítio, mas não tive sorte. Mais uns quilómetros e a minha demanda já ia para uma árvore que não fosse um separador da estrada. Quando resolvi o assunto, pus-me a caminho do hotel.

Xigatse como Katmandu tem iluminação pública privada. Eu explico. A iluminação que há vem das lojas. Quando estas vão começando a fechar, lá se vai a luz. Nunca mais dei com o caminho do hotel. Tudo o que sabia era que o hotel era na entrada da cidade para quem vinha do Nepal. Entrei na Polícia para pedir ajuda. O mais poliglota sabia identificar com grande satisfação a palavra hotel, táxi e mais nada. Mas, sem ligação, para que servem as palavras? Comecei à procura de hotéis. O léxico é maior do que o da Polícia, mas para praticalidades como preços, apontar sala de refeição, etc. Já era bastante tarde, eu já não podia com uma gata pelo rabo, quando uma recepcionista lá teve o expediente de telefonar para um guia que falava inglês perfeito. Ele queria o nome do hotel. Pois. Depois de meia hora de conversa a três num telefone, lá me chamaram um táxi e fiz a entrada na cidade como quem vem do Nepal e lá dei com o hotel. Quem é que não sai do hotel sem um cartãozinho, quem é?

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