Os macacos e o mestre

A primeira vez que visitei o templo dos macacos era domingo e não havia macacos. Pensei que folgassem ao domingo. Na segunda vez, não havia macacos e, embora dia de semana, era dia de greve. Pensei que os macacos estavam sindicalizados. Depois de subir mais uma vez o raio das escadarias do templo (fazem dois Bom Jesus de Braga em linha recta), acabei por disser ao meu mestre das taças que era estranho um templo dos macacos sem macacos. Disse-me que, nesta altura, andavam na floresta. Tivemos então a primeira lição. No fim, tive de lhe fazer a ele um tratamento. Volta não volta havia um barulho que cliente pagante estaria a reclamar. De repente olhei para o tecto e estava um macaco atrás duma rede a olhar para mim e para o que raio estava eu a fazer. Disse ao mestre que havia visitas. Ele disse que era muito bom sinal. Que em trinta anos nunca um macaco tinha vindo ouvir um “concerto”.

O mestre é todo pela positiva. Quando a coisa corre menos bem, corrige, quando corre bem, diz: “You make me so happy.” Estou a adorar a experiência. Não tem nada a ver com o Peter Hess [a propósito de um workshop de taças tibetanas ainda em Lisboa com uma discípula de Peter Hess, que aprendeu com este mestre].

Fiz uma massagem de som na cidade. Foi interessante, mas o tipo é tipo artista. O mestre tem aquela simplicidade encantadora sem floreados nem olha para o eu.

Ontem comprei uns candelabros-dragão. A mulher, além de vender caro, ainda me pôs só um dragão no saco. Hoje fui à praça onde estão os vendedores. A mulher não estava. Fui ao Turismo, à Polícia e estão informados que ou o segundo dragão aparece até domingo, ou me ponho lá todos os dias de manhã a partir de segunda-feira e, a cada turista que aparecer, informo que ali são careiros e ladrões e que fazem melhor comprar em Thamel. A ver …

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