Uma Lisboa em Gent

Estou em Gent há duas semanas. Parei de viajar, mas na verdade continuo com as minhas viagens pelo mundo e por mim. Os dias correm entre o curso de holandês, paixões não correspondidas, sorrisos que partilho com estranhos, copos de vinho que misturo com conversas com uma das raparigas mais fantásticas que conheci em tempos, e os momentos em que vejo tatuado no braço uma frase que tento não esquecer.

Hoje foi dia de conhecer Lisboa. Não falo de Lisboa a cidade que nos enche de tanto, mas sim Lisaboa para ser mais exacto. Um pouco assustado com uns olhos meigos que surgiam ao fundo da rua, admito que com tantas raparigas bonitas aqui nesta cidade que tanto amo, poucas são as que agora me fazem ficar ansioso. No entanto o que via, era um sorriso bonito e uma história que iria fazer este artigo de hoje.

Durante quase todos estes meses em que viajei, muitas foram as pessoas que me contaram histórias fantásticas desde as mais simples às mais complexas. No entanto esta ganha em tanto por ser tão bela e tão simples.

Há anos e anos atrás, o pai desta jovem rapariga que agora vive em Gent, e que até há bem pouco tempo pouco conhecia do nosso país, tinha viajado para o nosso belo país em férias. Pouco tempo levou até se apaixonar por Lisboa, pelo fado e pelos eternos fins de tarde que enchem a nossa capital. Deixou então crescer um amor pelas pedras toscas e gastas que pintam as ruas, ou os velhos edifícios que se curvam sobre elas sobre fados e canções de outros tempos.

Esse amor cresceu e cresceu, até que por fim esse jovem rapaz Belga teve que regressar por fim ao seu país natal. É aqui que imagino aquela coisa estranha que nos cresce cá dentro, e nos faz olhar através de janelas, e que nos faz perder no fundo de chávenas de café, a crescer dentro dele. No entanto pouco mais sei sobre o que aconteceu, até que por fim ele decidiu dizer aos pais que iria deixar tudo para ir viver em Lisboa.

No entanto, como tudo e tantas coisas que aconteceram nas minhas viagens, a vida trás-nos surpresas e coisas que não vemos chegar, e aquele rapaz prestes a partir para um país distante, acabaria por fim por conhecer quem viria a ser a mãe de Lisaboa.

Anos passaram, e assim nasceu esta rapariga que sorri agora à minha frente. O amor por uma cidade que ficou no coração de um rapaz que tal como eu partiu e amou cidades distantes, fez com que quisesse deixar agora no que ele ajudara a nascer, uma imagem de algo que guardava naquele pequeno quarto que guardamos na nossa cabeça e de que tantas vezes falo.

12 comentários a Uma Lisboa em Gent

  1. Então está tudo bem aí por Gent! Já à muito não nos dá noticias…será que anda por
    outra rota…. ou veio até Portugal, matar saudades da família e amigos!!
    Desejo que continue bem, e a manter esse espírito de um viajante do “Mundo”, mas feliz, e com todos o cuidados sem dúvida!!!

    Um Bj.

    Ana

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    • Estava mesmo hoje a pensar nisso. Hoje ainda vou deixar um pequeno artigo sobre Gent e sobre a Bélgica. Mas amanhã continuarei com as minhas viagens, já que tenho ainda muito para contar. Estive ausente, pois tive em mudanças e com algumas dificuldades em arranjar casa. No entanto, não esqueço que escrever aqui é o que me enche de saudades das viagens que fiz.

      Beijo

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  2. epa vi meia duzia dos teus posts e gostei bastante da forma simples e transparente que escreves! foi mera coincidencia passar por aqui (andava no google a pesquisar “wwoofing portugal”) e realmente identifiquei-me com coisas que escreves, sentimentos, momentos, sei la. e’ engraçado ler :-) dito isto para te deixar aqui os parabens pela partilha e partilhar a minha “tristeza” pessoal de nao conseguir e nao ter esse habito de registar desta forma os meus inumeros momentos, dias, meses, anos. talvez no futuro, quem sabe! ja passaram bastantes anos em uns 25 paises, vivendo meses, anos. visitando.. vagueando.. sei la. mas vou tentando manter um registo fotografico com uma tentativa mais artistica do que pessoal. desejo uma continuação de boas explorações na tua existencia. ate ja!

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    • Olá Helio,

      escrever é como cantar, ou tocar um instrumento, ou outra coisa qualquer. Se o fizermos com o coração, mesmo que não tenhamos algo digno de um prémio Nobel, as coisas saem bem, e os outros por vezes até nos entendem. Aconselho mesmo que comeces a escrever, e que pelo menos tentes partilhar essas belas experiências com o resto do mundo. Viajar é mesmo só o início.

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  3. Olá Filipe, Gent, linda cidade e mais uma história bonita que tem para partilhar!Fui lendo todas que escreveu,sempre com muito sentido,conteúdo, e mantenha esse entusiasmo! Também já lhe posso dizer, que o meu casalinho mais novo, e até o animal que eles tem… estão em S.Paulo! Foi durooo!…mas acabei atenuar as saudades à poucos minutos…. nestas boa forma que a tecnologia nos oferece!! Continue bem, cuide de si… e sempre com esse optimismo.

    Um abraço
    Ana

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    • Olá Ana.

      Mais uma vez fico contente por ler um comentário seu. É sempre bom ter palavras assim tão meigas. Algo que lhe posso dizer é que a vida é feita de distâncias. São as distâncias que nos fazem conhecer novas pessoas, que nos fazem conhecer a nós próprios e são as distâncias que constroem o que temos para vir. A tecnologia ajuda em muito, mas como digo, esta nova fase na sua vida, tal como esta nova fase na minha, são apenas dias de dias que estarão ainda para chegar.

      Um grande beijinho

      Fil

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  4. Adorei esta estória! Lisaboa! Fantástico, realmente… o mundo dá voltas e voltas, e estas pérolas são deliciosas.

    Já estive na Bélgica, mas não fui a Ghent… mas estou a ficar com vontade!

    Um abraço. JF @ Porto

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    • Ui João. Então perdeste o melhor de tudo. Gent é a cidade mais bonita que temos na Europa, e é um dos segredos mais bem escondidos de sempre. Serás sempre bem vindo por cá.

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  5. Filipe, adoro as tuas crónicas. Também eu fui muito feliz em Ghent nas ferias de 2011, e Ghent marcou-me(nos) de tal forma que o meu namorado diz que é cidade para onde ele gostava de viver. De todas onde estive na Bélgica, Ghent revelou-se a mais bonita, a mais romântica e a mais real. As horas que passamos pelas ruas da cidade e junto ao rio. Que” inveja” que tenho de ti e desse teu desprendimento=).

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    • Olá Cátia,

      só agora tive tempo para responder, mas fico feliz que tenhas gostado de Gent. É uma cidade incrível, e é a cidade onde me sinto em casa.

      Muito obrigado por tudo.

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