A minha viagem à volta do mundo acabou por fim, mas as histórias continuam, já que ainda não parei de viajar.
Cheguei a Ghent num dia mais frio do que alguma vez poderia imaginar. Senti-me bastante parvo nos primeiros minutos, já que envergava calções e chinelos de praia, mas novamente espirito positivo e vamos lá fingir que sou um estrangeiro neste país do velho continente Europeu que abandonara há 5 meses atrás. A cidade continua exactamente como a conhecia antes. Fora as pessoas que já não lhe pertencem e as pessoas que já não me pertencem, continua a ser a cidade que amo com todo o coração. Sinto-me cheio de vida, e com vontade de fazer tudo e construir o mundo. Viajei durante o que foi para mim demasiado tempo, mas que no fim acabo por perceber que poderia ter sido bem mais.
Encontro-me então com Katlijn, que fora minha couchsurfer por duas vezes há perto de um ano atrás em Portugal. Dou-lhe um abraço forte e penso no regresso por uma semana a Portugal. Custa saber que pouca gente irá ver que mudei, pouca gente irá ver o que fiz ou vivi. Lá no fundo, como diziam dois dos meus melhores amigos, até parece que nunca parti.
Sigo para o jantar. Faz-me confusão ver que foi mesmo assim. Para muitos acabei por nunca sair, e acabei por ficar na mesma. Ninguém quer saber das aventuras que tive, nem das histórias que tenho para contar. Ninguém me pergunta nada nem querem saber o que vi, o quão belas foram as coisas que fiz ou quando quase morri.
Quando cheguei a Portugal, dois dias antes do jantar, tinha Ricardo e Daniel à minha espera. As coisas pareciam promissoras, e honestamente mesmo sentindo-me um estrangeiro neste meu país, sinto-me feliz por ter amigos que me vão esperar, e que no fim ainda querem saber algo do que aconteceu. No entanto sinto sempre que poucos são os que sabem o que perguntar, ou como perguntar. É uma viagem diferente, é território desconhecido, nesta floresta quase amazónica cheia de detalhes densos, que foram estes últimos 5 meses.
Chego por fim a Ghent. Casa, bicicleta, emprego, curso de holandês. Tudo isto faz parte de uma vida nova. Estou agora deitado num quarto cheio de roupas espalhadas por todo o lado, paredes brancas em breve a serem cobertas com fotos das minhas viagens. Estou agora numa casa vazia, à espera da minha amiga que irá chegar daqui a alguns dias. Amanhã é dia de curso de holandês. Amanhã é mais um dia normal.
E é assim que sinto o meu mundo a parar.
Filipe que curioso, eu seguia as tuas viagens porque adoro a forma como escreves e descreves tudo o que sentes, mas fiquei super surpreendida ao saber que vives em Gent.
Eu tb vivo em Gent ha 8 anos e a adoro, que giro como foste escolher Gent de tantos lugares por onde viajas-te.
Se precisares de algo e quem sabe nos podemos cruzar por ai porque eu quero viajar pela asia por uns tempos, ando a juntar dinheiro, tvz zste ano.
um abraço
nana
Viva Filipe,
Não me posso deixar de questionar… Inverno + Janeiro + Calções + Chinelos + Viagem para a Bélgica? Alguma coisa não combina! Ehehe.
Já agora, porque não nos explicas o que foste fazer para a Bélgica? Trabalhar? Já tinhas isso planeado há muito tempo?
Um abraço. JF @ Porto
Amanhã já sai mais um post fresquinho e mais umas histórias que ficaram por contar. Tenho andado ocupado aqui com as aulas de holandês e com outras tantas coisas.
Grande abraço