Na linha do Equador

25 de Janeiro
No dia seguinte, já bastante melhor, saímos e depois de um breve passeio pelo centro histórico, que eles já tinham visitado no dia anterior, seguimos para a parte mais moderna da cidade. Embora tenha gostado muito de La Candelaria, o resto da cidade não me impressionou, e com a chuvada que caiu da parte da tarde, ainda menos deu para visitar. Suja, caótica, é uma mega-cidade – 10 milhões de pessoas, segundo algumas estatísticas. Uma metrópole sul-americana em todo o seu esplendor. De Bogotá partimos ao início da noite para Popayán, a que chegaríamos 18 horas depois.

26 de Janeiro
Popayán, a meio caminho entre Bogotá e o Equador, é uma cidade colonial bem-preservada, com um centro histórico cuidado, de edifícios brancos apenas, e uma atmosfera de vila relaxada e gentes afáveis, mas que se vê em apenas três ou quatro horas. Partimos nessa noite novamente para sul, rumo a Ipiales, em mais uma “odisseia” de 12 horas.

27 de Janeiro
Bem cedo, chegámos a Ipiales e atravessámos sem problemas – mas com chuva – a fronteira, até chegar a Tulcán. Mais um autocarro, e três horas depois chegámos a Otavalo. Arranjámos quarto num sítio simpático (fica mais uma recomendação: Hostal Valle del Amañecer), jantámos, e o dia ficou por aí.

28 de Janeiro
Chegado o Sábado, é dia de Mercado em Otavalo, que é basicamente a única razão, para além de cortar a viagem, para ali parar. O mercado, um dos maiores ao ar livre da América do Sul, tem basicamente de tudo: comidas e bebidas, animais, artesanato, roupa, ferragens, cd’s, and so on. E gente simpática. Depois de almoço – seco de pollo, um prato típico com o inevitável frango (uma espécie de símbolo nacional equatoriano no que toca à gastronomia,), arroz, lentilhas, mas que tem variações com feijão, abacate, puré de batatas e queijo, etc. – partimos para Quito. Apenas duas horas de viagem e muita paisagem bonita depois, chegámos à capital, instalámo-nos num hostel pouco digno de nota, e saímos para a cidade. O centro histórico, de relance, pareceu-me bonito, ainda que com a sujidade habitual das ruas, e os estabelecimentos pouco cuidados. Mas com muita animação, música e danças populares, fomos seguindo a marcha. Jantámos no Mariscal, uma zona do lado oposto da cidade, meca de restaurantes mais variados, com música, bares, bebida, e turistas q.b.

29 de Janeiro
De manhã, subimos ao monte Itchímbia, de onde se tem uma fantástica vista panorâmica sobre a cidade, e onde nos demorámos, na relva, a apanhar sol e a conversar. Daí, visitámos em mais detalhe a cidade antiga – a Plaza Grande, as igrejas de San Francisco, de Santo Domingo, a Basílica, etc. – e depois o Pedro propôs uma visita ao Templo de La Pátria, uma estrutura de betão que se via de baixo, e que lhe despertou a curiosidade. De táxi, lá fomos, e de facto, vale a pena. Fica no cerro de Cima de La Libertad, não listado sequer no Lonely Planet, mas de onde se tem uma vista que me pareceu insuperável. A pouco mais de 3000 metros de altitude, fica visível toda a cidade, um mar de casas, interrompido por alguns jardins, rodeado por montanhas e colinas, com as nuvens abaixo de nós, e uma beleza que na base, a capital perde. Descendo, andámos mais um pouco e ficámos para jantar na Calle La Ronda, que vale a pena pelos canelazos (bebida típica com licor, canela e sumo de naranjilla) e pelas empanadas de viento (massa crocante, açúcar e uma espécie de requeijão). A preços imbatíveis.

30 de Janeiro
Depois de uma visita à Universidade Central do Equador, especialmente à Facultad de Arquitectura y Urbanismo, partimos de autocarro para Baños, a sul de Quito, em três horas de mais paisagens verdejantes de montanha. Baños é uma vila extremamente turística, pacata e pequena, que se especializou na oferta de tours e actividades radicais de montanha, e se afamou pelas piscinas de águas termais de origem vulcânica. Depois de instalados num hostel bastante simpático (Hostal Santa Cruz), fomos aos banhos – três dólares por piscinas de água quente, é certo, mas bem acima do limiar de capacidade razoável para gozar a experiência.

31 de Janeiro
Hoje partimos para Riobamba, a duas horas de distância, uma cidade simpática, com uma Catedral invulgar e muito bonita, algumas praças e edifícios, interessantes, mas nada de apaixonante. É um ponto importante essencialmente por estar perto do vulcão Chimborazo, o maior da América do Sul e a montanha mais distante do centro da terra. A ideia inicial era apanharmos o famoso comboio do Nariz del Diablo, até Alausí. Mas não só a rota Riobamba-Alausí está em manutenção, o que significa que até lá teríamos de ir de autocarro, como cobram 20 dólares pelos 13km (os mais bonitos, supostamente), entre Alausí e Sibambe… All things considered, optámos por um tour, amanhã cedo, ao Chimborazo, que incluirá jeep, trekking e descida em bicicleta, a partir dos 4300 metros de altitude. Cá voltarei, espero, para contar a aventura.

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