Argentina, a última paragem

Depois de perto de 16h de voo, encontrei então a Argentina. Tango, notas envelhecidas, pessoas com um grande sorriso nos lábios, muitos mas muitos sem abrigo, e uma paixão que une um país que mesmo descalço, anda pelas ruas com uma certa felicidade.

Conheci Monica (Suécia, 34 anos), no meu hostel, e como sempre, iniciei conversa com ela, tal como já tinha iniciado com muita gente. Acabámos por viajar juntos até Iguazu no norte da Argentina, onde iríamos ter experiências fantásticas. Desde autocarros onde viajámos por 17h40m, onde nos serviram champanhe, vinho tinto e boa comida, a piscinas em hostels que custaram pouco mais de 10 euros por noite, Iguazu foi uma boa surpresa, tal como Monica viria a ser.

Há pouco para contar e muito para dizer no que toca a esta viagem. A cidade do Porto de Iguazu, tem pouco de registo, mas as cataratas são algo que foge à compreensão do mais comum dos mortais. No entanto o que ficou desta viagem foi o encontro com Fabrizio no restaurante La Caçarola. Chegámos ao restaurante num encontro apenas entre dois amigos que iriam sempre partilhar alguma cumplicidade. O restaurante ficava num lugar calmo, numa rua com pouco para ver. No entanto o local simples, com mesas de madeira, viria a ser enriquecido pelo “chef” chamado Fabrizio. De chapéu na cabeça, e avental às riscas, toda a atitude que teve desde o início, fazia com que parecesse vindo de um desenho animado.

No entanto bom vinho (por sinal barato), e a boa companhia de Monica iriam trazer muito mais aquele dia.

É então que chego a Buenos Aires pela segunda vez. Admito que me sinto triste. Tenho-me queixado nos últimos tempos disso, e não quero parecer demasiado derrotista ou pessimista. Foi uma viagem incrível, com pessoas incríveis mas não sei o que é regressar ao mundo real.

Não sei o que é ter uma casa minha, amigos (presentes) que duram mais do que uma semana. No final, sinto-me como que alguém que após ter vivido toda a sua vida na selva, decidiu regressar à sociedade.

Por agora sento-me no meu hostel à espera da minha amiga que deve chegar dentro de algumas horas. Tento no entanto não adormecer antes de ela chegar, pois aqui sei que ganhei uma amiga especial que não esperava ganhar.

No entanto espera-me também dia 31 um jantar com alguns amigos. E porque também aqui algumas pessoas se tornaram amigos, com todos os comentários que deixaram e todo o apoio que me deram, aproveito para convidar alguns dos leitores mais assíduos a darem um salto a Coimbra nesse dia. Sei que é pouco usual mas para mim, seria interessante ver algumas das caras que têm sido amigos, e que têm seguido esta minha vida de viajante que aqui escrevi e deixei como que “de cuecas”, livre de preconceitos.

8 comentários a Argentina, a última paragem

  1. Acompanhei por aqui com interesse esta tua viagem de vida.
    Sei que és um Ser Humano especial, e só espero que encontres sempre
    entre imprevisto amigos nostalgia saudade alegria tristeza a tua Felicidade !

    Vemo-nos em Coimbra

    Alexandra

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  2. Caro Filipe,

    Hoje é o dia em que decido escrever alguma coisa. Já por diversas vezes tive a tentação de o fazer mas acabei sempre por não o fazer. Não sei muito bem o porquê de o fazer hoje, talvez porque tenha lido algo que senti ainda há pouco tempo.

    Estive há cerca de um mês atrás por 15 dias na Tailândia. Confesso que comecei a ler o teu blog desde início, embora que não com a assiduidade que desejaria, e me deste alguma vontade de conhecer tal país. Foi um empurrãozinho apenas, uma vez que a vontade de viajar e de ser um cidadão do mundo mesmo que por pouco tempo já cá estava. Bom, voltando então ao que aqui me trouxe, é com alguma surpresa que leio que te sentes um pouco triste depois de tanto tempo a viajar, a conhecer locais e pessoas fantásticas, a fazer algo que muitos dos mortais não fazem ideia do que é, viajar! Depois de ler as tuas palavras parei e pensei “bom agora percebo o que me aconteceu na viagem que fiz recentemente”. Viajei sozinho (aliás, fui sozinho, uma vez que o tempo que lá estive sozinho foi muito pouco!) e nesses dias senti-me como jamais me tinha sentido, uma alegria enorme, um sorriso rasgado que quase ficava com dores nos maxilares, com uma vontade sôfrega de viver e de me deixar levar pela aventura, inexplicável. Numa das noites, deitei-me cedo, as voltas constantes que dava na cama faziam com que não conseguisse adormecer, liguei o telemóvel e comecei a ouvir música e a recordar tudo o que já tinha sentido, vivido e conhecido. Senti-me ir abaixo, parecia que toda aquela alegria se estava a desmoronar. Passado algum tempo a tentar perceber o que se estava a passar, ainda sem conseguir dormir, cheguei à conclusão que o sorriso rasgado que tinha já não era suficiente para demonstrar toda a alegria que estava a sentir. Sentia que precisava de mais, que aqueles eram sem sombra de dúvidas os melhores dias da minha vida.

    É algo que é difícil explicar por palavras mas acredito que depois de todos esses meses a viajar, compreendes aquilo que aqui tentei transmitir!

    Por fim, quero agradecer-te por todos os posts que aqui foste colocando, das viagens, sentimentos e sorrisos que nos foste proporcionando.

    Que tenhas sorte nesta tua nova fase da vida!

    Vemo-nos por Coimbra, grande abraço

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  3. Olá Filipe,fiquei um pouco triste ao ler, resumo deste final de viagem..notei uma certa nostalgia penso!!!Vai correr tudo bem,é bom também voltar!diz me minha vivência!!! Agora vou partilhar, um momento está a ser triste para mim….meu filho Filipe,por sinal a mulher é Mónica,como essa amiga tem aí…estão a preparar tudo para em Fevereiro ou Março,irem em trabalho por 2 anos para S.Paulo!!! Já viu… mãe sofre! chora baba e ranho,mas terá de ser!!
    Agora fiquei surpreendida de falar em Coimbra…vive lá??Tenho uma novidade para lhe dar…vivo no Porto, mas sou sócia da “Briosa”,à muitoss anos, “Cidade”, que trago no coração,desde muito jovem!!!Um até breve!

    Bjs.

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    • Olá Ana.

      Fico contente por saber que gosta de Coimbra e que ainda a guarda no coração. Tal como disse esta viagem ainda não acabou e ainda tenho muito para escrever. Agora cheguei a Portugal, e bem sinto-me um pouco um estranho neste país. Quero ver se ainda hoje escrevo mesmo sobre isso.

      Grande beijinho

      Fil

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      • Olá Filipe!

        É bom saber que já está de volta,e todas as sensações que sente, se encaixam perfeitamente tudo aquilo que viveu,e consegui reter como uma mais valia para o ser humano!Também regressei hoje de uma pequena viagem…mas esta deu para carregar baterias…pois a nova fase que aí vem não vai ser fácil para mim!!Força para escrever tudo aquilo, que lhe vai na alma,e que poderá partilhar!

        Beijinho
        Ana

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  4. Viva Filipe.

    Obrigado pelo convite, seria um prazer, no entanto o trabalho diário impede-me de grandes aventuras (e deslocações) à semana. Deixo-te também aqui um convite para, quando cá vieres ao Porto, bebermos um copo e falarmos um pouco desta tua viagem, de outras viagens, e de outras tantas coisas! Grande abraço. JF @ Porto

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