Catherine e como dizer adeus para sempre.

E assim aconteceu. Hoje após algumas semanas com Cathy, tive que dizer adeus. E desta vez foi um adeus para sempre.

No entanto antes de passar a essa história, vou resumir os meus últimos dias.

Deixei a casa de Joe no dia 30, dizendo adeus a um amigo com quem partilhei muitas histórias e com quem pude ter conversas inteligentes, e deixei outros grandes amigos com quem partilhei algumas cervejas, histórias brilhantes, e grandes momentos.

Parti para casa de uns couchsurfers no bairro de Marrickville em Sydney. Senti-me logo desde o início um pouco assustado com a “vizinhança”, mas após tantas aventuras, admito que me sinto um pouco dormente no que toca a estas coisas. Por vezes sinto-me vazio a um ponto de querer terminar a viagem aqui. No entanto tinha que me preparar para o ano novo onde acabei por me encontrar com os meus amigos com quem passei o Natal e novamente com Joe.

As saudades começaram a apertar aquando a chegada da meia noite. Após meia garrafa de Vodka com sumo de maçã e maracujá, por mais espantoso que parecesse, não me sentia sequer embriagado. Não costumo beber assim, mas as saudades de casa, a boa companhia, e as saudades de Cathy não ajudaram com nada.

Admito que o fogo de artifício foi diferente do que esperava. Não pelo espectáculo em si, mas porque pouca gente o festejou. Faltou alguma energia, e coube então ao português de 1m65 dar beijos e abraços a toda a gente, e desatar a cantar bem alto. Acabando por contagiar quem estava à minha volta, era então tempo de regressar a casa.

Fui pensando nas minhas resoluções de ano novo, que todos os anos escrevo. Algumas passo a partilhar aqui.

1- Aprender holandês (em breve mudo-me para a Bélgica, espero eu)

2- Aprender a tocar violino

3- Arranjar namorada e trabalho (se bem que uma namorada já dá trabalho suficiente)

4- Escrever e publicar um livro sobre esta viagem.

Passemos então ao dia de hoje. Novamente passeei por Sydney. A grande “Opera House”, os jardins de “Hyde Park”, “Center Point Tower”, “Chinese Friendship Gardens”, entre outras coisas, fizeram de Sydney uma cidade que não irei esquecer. Se bem que a preferir Melbourne e o seu estilo mais elitista e relaxado, Sydney trouxe-me muitas coisas que não irei esquecer.

Eram 14h quando me encontrei com Cathy. Bernardo Sassetti escreveu “Para ti. Imagem eterna do sonho dos outros”. É assim que descrevo Catherine. Uma imagem eterna, que me encheu de sonhos, que me trouxe esperança e me fez sentir algo que nunca quis durante esta viagem, mas que acabou por me deixar embriagado com algo que nunca mais iria ter. Estive perto de fazer parte de uma grande história de amor, com alguém que por pouco não ficou comigo para o resto da minha vida.

Passeio nos jardins chineses da amizade, seguidos por almoço e por fim onde tudo mudou novamente. Já tinha planeado antes leva-la a uma loja onde já tinha ido várias vezes tocar piano. Mal lá chegámos, sentei-me então ao piano e toquei. Já não improvisava assim para alguém desde que Sophie faleceu. As lágrimas quase que chegaram mas era altura de partir. E foi então que Cathy me pediu um momento, pegou num violino e tocou como nunca vi ninguém tocar.

Embebecido pelo violino, deixei escapar algumas lágrimas, e percebi então que tudo terminaria ali. Após uma caminhada de 20m, lá tive que dizer adeus para sempre. Um abraço que pareceu durar horas, muitas lágrimas, e finalmente tive que regressar a casa. Foi então também que cheguei ao meu limite. Irei encurtar em algumas semanas a viagem pela Argentina e irei então tentar arranjar uma nova casa. Não que esteja farto, deprimido ou algo do género. Apenas porque percebi que agora é o momento para parar. Ou pelo menos daqui a um mês irá ser assim. Não consigo dizer adeus a mais amigos, nem viajar mais assim com tanto que carrego agora. Carrego uma mochila cada vez mais pesada e com muitos amigos por quem já libertei demasiadas lágrimas.

Amanhã temos a Nova Zelândia e muitas aventuras para contar.

Por enquanto fica na memória alguém que amei e desesperei. Alguém que nunca irei esquecer e alguém a quem tive que dizer adeus para sempre.

9 comentários a Catherine e como dizer adeus para sempre.

  1. Parece-me que te apaixonas muito nessas tuas viagens e pedes em casamento também com a mesma facilidade…talvez o amor seja menos efémero e volátil que isso, mas é só uma opinião.

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    • Quando viajamos tudo muda. Tal como muda quando passamos 24h por dia com alguém. Estamos vulneráveis e conhecemos as pessoas de uma forma completamente diferente. Mas entendo que quem está fora não consiga ver porque o fiz e o que aconteceu. Mas o amor está onde queremos, como queremos e o melhor é que nunca iremos esperar quando este acontece.

      Beijo

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  2. Olá Filipe,

    Quem sabe o adeus que foi dito seja na verdade um até já, que nenhum dos dois conhece, ainda… Quem sabe.. =)

    Hoje viajei muito. Na minha mente, nos meus sonhos, medos, angústias. Meio perdida, vou viajando por aí.. implique isso uma deslocação física ou não. As vezes, basta-nos um olhar, melhor ainda, um contemplar..

    Curioso como, entre sites, me cruzei com as tuas palavras.

    Meramente aleatório? Talvez. Não sei. E importa?

    Apeteceu-me enviar-te umas palavras de volta, um sorriso. E, se me permites, envio-te também um abraço, só… só porque sim :)

    A vida é bela e a solidão dói demais. Quem diria que suportaríamos tanto.

    Resta-nos… continuar.

    Força. Depois da tempestade vem a bonança.. tem que vir bolas!!!

    P.S. -» Desculpa-me os altos e baixos inconstantes, mas é mesmo assim que me sinto hoje. Grata. Com esperança. E no entanto, carrego uma tremenda dor cá dentro que teima em pesar.

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  3. …Viajei duas semanas pela Noruega, Svalbard e Suécia e disse “Adeus” umas boas…. 4 vezes. E de todas me custou. O que me fez agarrar na mochila e continuar foi a esperança num caminho (ainda) e melhor.
    Imagino essa mochila pesada de “Adeus” e de amigos tão únicos e que se têm de deixar para trás… Mas antes assim do que andar com uma mochila “vazia”.
    Entendo muito do que escreves.
    Abraço forte, viajante.

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  4. Recordo os últimos anos, quase sempre passados aqui connosco, onde á meia noite olhavamos todos o céu e viamos o belo céu de Coimbra iluminado. Vejo-te agora do outro lado do mundo experenciando novas culturas e vendo um ceu que não partilhamos.
    Diverte-te amigo. Quando voltares terás a porta aberta para te recebermos já num novo ano.

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  5. Não sou tão jovem,como vós em idade….mas essa para mim não conta!adorei os vossos testemunhos! E principalmente o de Sydny, porque tive o meu filho, Ricardo e Katia, na passagem de ano aí! Também já tive que dizer muitos Adeus! Sei o quanto custou!A vida tem que seguir em frente, boa sorte e força a todos estes jovens que muito admiro cada vez mais!

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  6. Força para atingires todas as tuas resoluções! :)

    Eu também fiz algumas que posso partilhar aqui contigo:

    – Mudar-me para a Suiça [não porque Portugal está como está, mas porque quero correr o mundo, literalmente :) ]
    – Escrever um livro [tenho esta ideia desde que regressei da Argélia. E será uma pena se entretanto me esquecer das histórias :\ ]
    – Ver se aprendo alguma coisa de alemão enquanto estiver aqui na Áustria, porque o saber não ocupa lugar :)
    – Encontrar trabalho quando o SVE acabar

    Há dias passei num loja de música aqui em Innsbruck, vi um piano lá dentro e pensei: “Pá, se eu soubesse tocar fazia como o Filipe, entrava naquela loja e ficava ali um bocado a tocar”. Mas como não sei, fiquei-me só pelo pensamento.

    Feliz Ano Novo!

    Abraço,
    Paulo

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    • Olá Gisa,

      pois infelizmente após um pedido de casamento entre outras coisas, seria difícil ficar mais tempo cá, até porque assusta ter algo assim e ficar sem ter nada construido. O adeus já foi e agora resta continuar.
      Obrigado

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