Um dia assim

E assim chegamos à Austrália. Paisagens de perder de vista, e todos os momentos que sempre quis desde o início desta viagem. O cansaço pesa no corpo e na mente, mas no entanto sinto-me cada vez mais vivo para continuar esta viagem.

Eu, Omer, Cathy e Chiwa, partimos de Melbourne no dia 5 bem cedo. Tudo começou através de um site onde qualquer pessoa pode procurar por um companheiro de viagem, e honestamente este grupo não poderia ser melhor. Omer, partiu de Israel, depois de 6 anos de exército em busca de alguma aventura antes de ir para a universidade. Chiwa, tal como Cathy, termina um intercâmbio, e como tantos outros decidiu viajar pela Austrália.

 

 

Cathy, 22 anos, presentemente a completar um intercâmbio em ecologia, decidiu viajar e conhecer o país onde irá estar durante quase um ano. E foi aqui que me perdi um pouco. Em 3 meses de viagem nunca conheci ninguém assim. Carrega nos olhos algo digno de um quadro de Monet. Olhar sempre fixo no horizonte e um sorriso interminável, deixou-me logo preso desde o primeiro momento em que a conheci.

A partir desse momento, tudo foi diferente. Momentos que quase poderiam ser saboreados à colherada nestas paisagens eternas que a Austrália nos trás. Passei provavelmente os melhores 3 dias da minha vida e agora apenas aguardo pelo momento da despedida que irá ser nas próximas 24h. Nunca soube como dizer adeus para sempre e acho que nunca irei aprender como o fazer.

E assim foi o resto da viagem. Momentos que nunca irei esquecer, silêncios perdidos, ver os céus fantásticos pintados de estrelas que só aqui se conseguem ver. Tivemos um pouco de tudo. Desde acampar ilegalmente num parque de campismo, a campismo selvagem, a ver Koalas e por fim terminámos então a nossa viagem com um pequeno acidente que destruiu o carro onde íamos. Como seria de esperar, a falta de experiência do condutor, e as centenas de Cangurus, que atravessam as estradas a todos os minutos, foram o suficiente para que um acabasse por colidir contra o nosso carro. Foram momentos complicados que me deixaram um pouco à beira do desespero e sem saber o que fazer. Por um lado estava preocupado com o condutor e com o carro, mas por outro, algo me fez pegar na lanterna e correr atrás do pobre animal que fugia com uma pata partida.

No fim de tudo, tivemos sorte pois ninguém se magoou, e conseguimos que tudo ficasse bem. Apenas sinto pena do pobre Canguru, que estava no local errado à hora errada.

Isto de viajar tem estes imprevistos, e a “Great Ocean Road” é o local ideal para que estas coisas aconteçam. Mais uma vez evitei hoteis, pousadas, etc, e fui à aventura. Por hoje sinto apenas falta de um bom banho quente que me espera, e preparo as minhas horas para dizer adeus a Catherine, que acabou por desenhar estes últimos dias, e grande parte desta minha viagem.

Um comentário a Um dia assim

  1. Olá Filipe, só conheci o blog há uns dias, mas desde do primeiro post adorei o propósito da tua viagem. A vida nem sempre é fácil quando estamos na nossa comfort zone, imagino como seja quando estamos fora dela. Por vezes é complicado lidar com certas situações, mas são essas que nos fazem crescer e tornar-nos pessoas mais fortes. Em relação ao pots, adoro a caracterização que fazes e as fotos estão muito porreiras. Desejo-te boa sorte para o resto da viagem!! Eu vou continuando a seguir-te por aqui.
    Abraço

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