América Central: Vulcão Pacaya

As referências de amigos eram excelentes. A promessa dos guatemaltecos falava de cenários fantásticos. Por isso, dispusemo-nos a um programa de sete/oito horas. Mesmo sujeitos a estradas com declives e serpenteios sem fim. Seriamos, certamente, recompensados por um treking estimulante e uma visão idílica do vulcão Pacaya. E um pôr-do-sol como nunca o teríamos visto.

Cedo verificamos que a estrada era, de facto, complicada. Partindo de Antigua, tivemos de voltar até perto de Guatemala City para inflectir novamente a direcção. Tudo como planeado.

Chegamos à base, onde começaria o treking. Um grupo de 18. De várias partes do planeta. “Barco” era o nosso nome de código na montanha, para distinguir dos outros grupos. Vá-se lá saber porquê uma referência marítima em pleno interior remoto.

A subida demoraria 1:45 horas. Acidentada. E a pique. Começámos com todo o entusiasmo. Ao longo da subida, tentam, regularmente, convencer-nos a prosseguir a cavalo. Paramos onde há locais a vender tentadores sumos de fruta. O esforço e suor agradecem. E a carteira não tem limites para saciar tal sede. Entretanto, o guia dá algumas explicações pelo caminho. Detalhes com relativo interesse. Mas não muito.

O sol quase a pôr-se. Subimos até onde era possível. Não tanto quanto o desejado.

Ao contrário do esperado e “prometido”, não havia lava num vulcão ‘activo’. Apesar da última erupção ter sido em 2010. Nem ténue sinal do vermelho magma, que permite vistas deslumbrantes à noite.

Algumas nuvens interferiram com outra parte do programa. Não permitiram ao nosso olhar o desejado contemplar do mágico desmaio do astro rei. Foi bonito, mas longe de inesquecível. Bom, mas não único.

Infiltramo-nos em algumas fendas na terra. Sentimos na pele o calor dos seus vapores. Fotos da praxe. E pouco mais.

Luz a esvair-se.

“Há que descer rápido. Trouxeram lanterna?”, questiona o simpático guia bilingue, com hilariante pronuncia inglesa.

Pois… temos lanterna, mas apenas uma. Emprestada. E com pouca bateria, ou seja, luz fraca. E um telemóvel. Parcos instrumentos para quatro. Em descida complicada. No breu da noite. Em caminho polvilhado de excrementos de cavalo e gado.

Umas escorregadelas. Uma queda – minha -, mas nada de especial. Correu bem melhor do que o suspeitado.

Terminamos a aventura. Desta vez, claro sabor a pouco.

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Rui Barbosa Batista relata no blogue Correr Mundo a sua viagem pela América Central ao longo de Novembro/Dezembro. No site www.bornfreee.com  pode aceder a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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