E em breve um adeus à Ásia

86 dias depois de ter partido do meu apartamento em Coimbra. 86 dias depois de ter abraçado a minha mãe à porta do seu emprego vendo-a chorar, e de ter vendido o carro entre outras coisas, cá estou eu prestes a viajar para a Austrália.

Sinto-me feliz por finalmente entrar num país dito civilizado, mas mais do que tudo, mesmo sabendo o quanto caro irá ficar, sinto saudades dos gelados, chocolate quente, café, um banho quente, livros, hummmm principalmente de livros.

Nos últimos dias vi Koh Phi Phi, que 7 anos após o Tsunami, ainda guarda as cicatrizes de algo que quase tirou aquela ilha do mapa. No entanto pouca vontade tive de lá ficar. Festas após festas, mochileiros a dormir até perto das 16h após se terem deitado às 8 da manhã, fazem-me questionar o que trás alguém de tão longe, para apenas beber, e dançar.

Eu claro aproveitei para ir ao banho a meio da noite (infelizmente fui vestido), ver os melhores por-do-sol que já alguma vez vi, assistir a tempestades como nunca vira antes, e passar uns dias fantásticos com a rapariga (Amy), com quem iniciei viagem em Kuala Lumpur. Após 10 dias, somos grandes amigos e mesmo sem saber quando irei ter que dizer adeus, sei certamente que irá custar bastante.

Após Koh Phi Phi, seguiu-se Koh Lanta e Phuket. Admito a minha tremenda desilusão com Phuket. Pouco mais é do que prostituição barata e turismo de luxo. É uma cidade a tentar ser o que nunca irá ser. Magoa os olhos e faz-me sentir desconfortável, pelo que cedo regresso a onde iniciei a minha viagem na Tailândia.

Regressando um pouco atrás, ao dia em que saí de Kuala Lumpur, decidira então aterrar em Krabi no sudoeste da Tailândia, mais concretamente Ao Nang. Paisagens fantásticas, água quente, pouca confusão, e dois couchsurfers que nunca irei esquecer. Lisa e Edward, ambos com 18 anos, foram das pessoas mais fantásticas que já conheci até agora e que mesmo sendo estranhos no início, passaram a ser grandes amigos. Escrevo-vos agora de casa deles, após me terem dado as chaves mesmo não estando cá.

Sinto-me tremendamente cansado talvez por saber que estou prestes a terminar a primeira parte da minha viagem. A proximidade do Natal não ajuda, e sentir saudades de quem amo muito menos.

No entanto guardo um sorriso nos lábios enquanto ouço agora no meu computador “At my most beautiful” dos REM.

Hoje li que “se não passarmos tempo suficiente a tentar nascer, é porque estamos demasiado ocupados a tentar morrer”.

Um abraço grande para todos os que têm deixado todos os comentários fantásticos. Viajo de forma diferente de muita gente, mas da mesma forma que tantos outros. No entanto viajo para conhecer pessoas e talvez seja isso que torna tudo tão cansativo, daí agradecer todos os comentários que vão deixando.

Hoje é altura de ir dormir.

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