À volta do Palácio de Água

À volta do Palácio de Água

Saídos do Palácio da Água, fomos tomar um café numa pequena venda. A imagem do Buda na parede, alguma comida exposta e alguns panos, certificavam que estávamos na Indonésia. Não queríamos acreditar que na estreita área que envolve o Palácio cor-de-rosa vivem 25 000 pessoas, informação que o dono do lugar certificou, assegurando-nos que valeria a pena cortar caminho por ali. Dados meia dúzia de passos, percebemos que nas pequenas casas separadas por estreitos corredores vivem mesmo muitas pessoas. Percorridas umas dezenas de metros, já estávamos à vontade: os moradores não sentiam curiosidade nem se defendiam dos estranhos que passavam nos quase íntimos corredores.

À volta do Palácio de Água

Para nós a sensação de familiaridade era grande. Aquele aglomerado de habitações parecia-se muito com algumas das “ilhas” que ainda existem no Porto: estendais de roupa a secar, plantas em panelas e jarras velhas a servir de vasos, cadeiras no exterior a prolongar a casa… Parte da vida também se passa cá fora e é no espaço comunitário que percorríamos que se lava a roupa, se faz a barba e se descansa também. Nos pequenos largos onde os caminhos divergiam, os cartazes da campanha das eleições locais misturavam-se com murais referenciando o facebook e videojogos.

À medida que avançávamos fomo-nos apercebendo que o cor-de-rosa do Palácio contaminara as paredes daquele bairro pobre. Só mesmo a cor e a proximidade física avizinham mundos e vidas tão diferentes.

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