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Vamos lá falar de viagens. Depois de duas semanas a trabalhar numa quinta de agricultura biológica, estou de volta às viagens. Mochila às costas, pessoas interessantes, cidades absurdamente caóticas que me enchem de coisas novas e me fazem sonhar.

Saí de Bukit Tingi, perto das 12h de hoje. Despedi-me de Fred, Veronique, Zaini e Solaris, e o que foi uma família de amigos durante 12 dias, ficaria agora para trás. Novamente viria então mais uma aventura com um autocarro a cair por todos os lados, mas mais do que tudo viria Kuala Lumpur. Após estar a viajar há 74 dias, pensei seriamente que pouco me iria surpreender, e eis que chego a uma cidade com grandes arranha céus, Ferraris, entre outros carros topo de gama, cafés a 5 euros e muita mas muita tecnologia.

Chego ao meu hotel, e sou de imediato recebido por um dos gerentes mais simpáticos de sempre. Sinto-me novamente cheio de energia e cheio de vontade de viajar. Espero agora por Amy que amanhã se irá juntar a mim durante duas semanas e com quem irei partilhar mais experiências certamente.

De imediato sigo para o hospital, após ter-me magoado num dos pés. Felizmente é uma clínica de luxo onde acabo por pagar 35 euros. Não sou rico não mas aqui luxo é subjectivo no que toca a preços. É aqui que tenho que aproveitar para agradecer então a alguém sem querer fazer qualquer tipo de publicidade. Ontem mal conseguia andar, e o seguro que tirei pouco ajudou. No entanto duas pessoas que apenas foram intermediários do seguro, decidiram-me ajudar, e fizeram o que muitos não iriam fazer. Tanto a Raquel como o Miguel da Bonsai Viagens em Coimbra, deram tudo por tudo para me ajudar com algo que provavelmente outros iriam deixar para o seguro tratar.

Problema tratado e após um breve passeio pelas montanhas de betão, vidro e metal de Kuala Lumpur, sigo para o hotel para descansar um pouco.

Perto das 21h chega então Harry. Um alemão a quem fora diagnosticado fibromialgia, e que mesmo assim continua a fazer o impossível. Após 5h, sim 5 horas a falar com ele, sinto-me uma pessoa mais rica e com boas energias que me irão certamente ajudar a continuar. Acho sempre interessante conhecer este tipo de pessoas, ou estes doidos como Harry nos apelidou carinhosamente. Pois no fim, conseguimos perceber que não somos assim tão doidos quanto pensamos.

Todos temos as nossas coisas, os nossos fantasmas, os nossos monstros. No fim existem apenas dois tipos de pessoas. Os que os aceitam e os que os ignoram. Os que os ignoram acabam por passar o tempo a chocar contra eles.

E assim passam 74 dias desde que um dia decidi sair de Coimbra para conhecer o mundo que nosrodeia.

12 comentários a 74

  1. Olá Filipe!
    Sou leitora assídua mas nem sempre comento e tu admiradora de pessoas como tu que deram, efectivamente, o primeiro passo e levantaram âncora.
    Um dia gostaria de concretizar este desejo, mas a minha âncora é tão pesada…!
    Curto a tua energia, mesmo sem te conhecer.
    Sou e vivo nos Açores. Se um dia quiseres também passar por cá, avisa. Tens casa à tua disposição.
    beijo

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  2. Filipe
    Em seis meses estive na Tailandia duas vezes, portanto adorei, o norte do país é qualquer coisa de fascinante, para mim, o sul é boa vida hehe. Não fiques zangado com os locais….eles não entendem que há boas pessoas e não é só turistas que vão para os copos!O nosso vinho é melhor!!!hehe…( a Singha é qualquer coisa não é?!?! :))

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  3. Viva Filipe.

    Desta vês venho com uma crítica construtiva. Por algumas vezes vejo “posts” teus em que falas de pessoas (e lugares)… mas, e em concreto neste post, falas que te despedes de X’s pessoas… sem que nunca antes nos tivesses falado delas!

    Isso deixa o leitor um pouco perdido. Dás-nos informação assumindo inconscientemente que estamos por dentro do assunto. É normal e comum isso acontecer quando relatamos uma história. É, no entanto, necessário fazer um esforço e pensar a cada frase se o nosso interlocutor sabe os detalhes todos e que nos vai “compreender” da forma que gostaríamos. Pergunta para ti mesmo se relataste, sobre determinado assunto, questões como “Como, Quando, Onde, Porquê”.

    Um abraço deste leitor assíduo. João F. (Porto)

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    • E agradeço muito a crítica. Por vezes quando escrevo tenho apenas um curto período de tempo para o fazer. Depois quando se junta isso a várias emoções etc, acontece isto de perder alguns detalhes. Quanto às pessoas de quem falo foram apenas pessoas que trabalharam comigo na quinta onde fiquei. Zaini e Fred eram os donos e Veronique foi apenas mais uma wwoofer que por lá passou.
      Quanto a Amy, conheci-a por acaso, e bem agora viajamos juntos, mas não passa de mais uma viajante que passeia pelo mundo tal como eu.
      Abraço e mais uma vez obrigado :). Vou tentar colocar mais detalhes no futuro :).

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  4. Ola Filipe,

    Ainda estas em KL? Se sim, era porreiro a gente encontrar-se para beber um copo ou coisa assim. Eu tou em KL ha 4 anos e e sempre gratificante encontrar outros Portugueses por aqui.

    Um abraco!

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    • Boas Hugo,

      infelizmente já estou no sul da tailandia. É uma pena até porque estive aí dois dias e adorava ter conhecido alguem. Já agora aproveito para perguntar como é viver aí. Se quiseres escreve-me para o mail ou algo, ou até mesmo aqui.

      Abraço

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  5. Filipe, nunca mais vais ver o Mundo como antes, essa viagem vai abrir-te os horizontes. Mas sabes que os ignorantes sofrem menos,hehe. Por isso vais dar umas quedas dolorosas. Who cares right!?
    Sou de Lisboa e penso que consegues ver o meu mail, quero que saibas que o que puder ajudar mesmo longe podes dizer.
    Safe journey.

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    • Muito mas muito obrigado Joana. As coisas nem sempre são fáceis por cá, mas o que interessa é que lentamente aprendo a ver tudo de outra forma, e existem pessoas fantásticas como tu e outros que vêm a este blog deixar comentários que para mim me dão força para continuar.
      Mais uma vez obrigado.

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