Vietname, depois do adeus — parte 2

Depois de quase 6 dias com a estranha Rebecca, foi em Hoi An que a deixo por fim, com enorme alívio meu.

É então que Hoi An me trás bolos de chocolate, casacos feitos à medida por 50 euros, gravatas de caxemira por 5 euros, pessoas simpáticas, e mesmo com duas baratas no meu quarto, Karl e Eva, soube bem descansar por uns dias. Sei que muitos perguntam porque dei nomes às duas baratas no meu quarto. Não estava sob o efeito dos medicamentos contra a Malária, no entanto experimentem viajar durante meses e experimentem sentir saudades dos vossos animais de estimação. Depois, penso que aí já podemos falar.

Com enorme saudade deixo Hoi An e sigo para Hue. Pouco sei da cidade após ter ficado dois dias fechado num hotel graças ao furacão que afectava a cidade. No entanto tive a oportunidade de conhecer duas raparigas alemãs com quem pude partilhar gargalhadas e experiências que nunca irei esquecer.

22h e o autocarro pára por completo. Após 3h regressamos a Hue pois as estradas estavam inundadas. Há sempre o dia seguinte para viajar, e a longa viagem de 14h até Hanoi vai ter que esperar.

Hanoi é uma cidade complicada com pouco para contar. A tradição enche as ruas, e pouco deixa crescer algo de novo numa cidade com tanto para dar. Hanoi carrega uma neblina que enche os pulmões a cada segundo que passa. Tudo isto pinta uma imagem de uma cidade que nunca quis crescer.

Halong Bay, Sapa, e por fim novamente Hanoi.

Perdi-me por 6 dias em Hanoi, graças ao piano que se encontrava no hostel onde fiquei. Admito que o facto de me oferecerem bebidas gratuitas cada vez que tocasse piano, talvez tenha ajudado um pouco. No entanto poder finalmente sentir teclas nos meus dedos, fez-me suspirar de alívio.

Sinto que o Vietname ficou tatuado no corpo. Como disse no início, foi o momento mais intenso dos meus problemas com a medicação contra a malária, perdi Sarah, e fui assaltado. No entanto ganhei muito com os amigos que fiz, e com as coisas que aprendi sobre mim.

Agora carrego esse cansaço comigo, mas nada me impede de escrever.

Termino apenas com um pequeno agradecimento para todos os que têm comentado nos artigos que tenho escrito. Todas as palavras que têm deixado, servem para carregar o corpo e a mente com boas energias, que ultimamente têm faltado.

8 comentários a Vietname, depois do adeus — parte 2

  1. Olá Filipe

    Confesso que estou fascinado com a descrição de todos os lugares que visitaste!
    “Cheguei até aqui” pois vou agora no fim de Março de 2012 ao Vietname e Cambodja. Ando mesmo muito entusiasmado com esta viagem e dou por mim a perder horas a fio na internet a procurar todas as informações sobre estes dois países.
    Logicamente que entrei neste blog e perdi-me na tua viagem…
    Além do Vietname dei por mim a ver tudo… FANTÁSTICO!
    Tenho um sonho de um dia tomar a mesma atitude que tu… Largar tudo e ir…

    Quanto á minha viagem… Vou até Hanoi, sem perder a Baia de Halong. Vou a Da Nang, Hoi An e Hue. Parto para Ho Chi Min, Mekong (Delta) e depois parto para o Cambodja (Phnom Penh e Siem Reap)
    São 18 dias em que vou aproveitar ao máximo…
    No entanto pergunto-te… achas que faltará visitar algo mais? Os dias não esticam mas dá-me aí uns conselhos para eu ter em mente quando lá chegar e dar umas “escapadas” no circuito…

    Agradeço-te imenso por me teres aberto mais o apetite desta viagem…

    Um abraço,
    Manel

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    • Olá Manel,

      bem quanto à tua viagem, digo-te já que apenas se gostares de locais cheios de motas e gente é que deves ir a Ho Chi Min e Hanoi. Nunca mais do que 2 dias em cada uma dessas cidades, e quando fores a Halong muito mas muito cuidado com os esquemas. O que te posso aconselhar é escolheres a viagem mais barata possível, ou seja menos de 40 usd, já que no final a menos que pagues mais de 150 usd, os barcos são todos os mesmos, com comida má e ratos a correr de um lado para o outro. No entanto aproveita ao máximo o que puderes.

      Cambodja também vale a pena, mas eu pessoalmente tirava dias ao Vietnam para por no Cambodja. E no Vietnam ia a Dalat. Vale bem a pena ir lá, e nunca te esqueças que entre cada cidade tens perto de 10h de viagem. Se quiseres contacta-me para o meu e-mail e falamos melhor.

      Abraço

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  2. Olá Filipe,

    Nunca até hoje escrevi no teu blog, confesso que por preguiça ou simplesmente por estar á espera do momento mais certo, sendo um dos muitos ávidos leitores que por cá passam para ver se escreves-te algo de novo.
    Como estou a trabalhar em Angola e partilho contigo o gosto pela a aventura e pelas viagem, achei que hoje era um bom dia para de desejar uma boa viagem, e que nos continues a brindar com os relatos das tuas experiências. Sei por experiência própria, que não é facil estar longe do que se gosta e de quem se gosta, mas como costumo dizer para mim mesmo: ” é tudo uma questão de força mental e aprender a relativizar”.
    Por cá, fico a aguardar mais umas “pinceladas” das tuas viagens.

    Abraço,

    Pedro Tiago Costa

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    • Desde ja obrigado. Sao este tipo de mensagens que me dao forca para continuar. Infelizmente hoje fiquei sem computador, pelo que ate o arranjar tudo vira sem acentos. Mas bem, resta rir um pouco e seguir em frente. Vamos la ver se em breve consigo escrever um pouco sobre a minha experiencia a trabalhar numa quinta na Malasia, onde ja estou ha quase duas semanas.
      Abraco e mais uma vez obrigado.

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  3. Olá Filipe! Apesar de nunca escrever, passo por aqui todos os dias para ver se escreves novidades. =)
    Considero-te um exemplo, pois não é fácil largar tudo e partir para esta aventura. És daqueles que compreende perfeitamente que viajar consegue proporcionar uma verdadeira satisfação pessoal, a qual não se substitui por dinheiro.
    Obrigada pelos excelentes comentários, objectivos mas que me transmitem muito!!

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    • E sempre muito bom saber que consigo transmitir algo a alguem. A razao pela qual decidi escrever neste blog, foi mais para mostrar que e possivel sair e lutar pelos nossos sonhos, do que propriamente mostrar que ando a viajar e que ha locais bonitos para serem vistos. Para isso compramos guias, vemos programas na televisao, entre outras coisas. E muito dificil viajar como tenho viajado, ate porque faco disto nao uma viagem normal, mas uma viagem para conhecer pessoas, e para perceber como vivem. Por exemplo agora, estou sem agua quente ha perto de duas semanas, tenho trabalhado todos os dias a plantar vegetais, e aproveito para dizer que e muito diferente do que se faz em portugal. Os 34 graus constantes, e humidade perto dos 92%, nao ajudam nada.
      Mas bem, isto fica para outra historia que irei colocar aqui em breve.
      Obrigado pela mensagem.

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  4. Olá Filipe, belo resumo com que nos brindaste. Fizeste algumas revelações, já passadas, que nos tinhas “escondido”. Podes desenvolver um pouco mais o “assalto”? Essas questões, para quem viaja, são importantes perceber para tentar evitar ao máximo. Não sei como foi no teu caso, mas eu sempre que viajo para países menos “ocidentalizados” carrego comigo aquelas “carteiras-cinto” junto à barriga, salvaguardando pelo menos as minhas economias. Abraço. João F. @ Porto

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    • Boas João. É sempre bom ler as tuas mensagens já que deves ser dos leitores mais assíduos. O assalto foi à entrada do banco e tinha daquelas carteiras cinto. Infelizmente eles sabem os truques todos. Apenas roubaram 50 usd e um cartão fora do prazo. No entanto o assalto foi simples. Alguém se aproximou de mim, encostou algo às minhas costas e pediu dinheiro. Como não sabia o que era nem o que poderiam fazer, entreguei o que tinha. Por vezes as coisas são assim, mas não deixei que me estragasse o dia, e fui de imediato beber um chocolate quente, e comer 3 bolos diferentes numa pastelaria francesa :).
      Abraço e continua com estes comentários fantásticos por favor :).

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