Vietname, depois do adeus – parte 1

Passou um mês desde que cheguei ao Vietname e assumo que carrego um enorme cansaço no corpo.

Comecei exactamente no meio do país, na bela cidade de Dalat. Perdida no meio dum bosque pintado por uma paisagem tirada dum conto sobre os Alpes franceses, Dalat foi uma boa forma de aprender a saborear o Vietname. Admito que antes estive uma noite em Pleiku, mas pouco percebi do que se passava por lá.

Dalat soube bem ao corpo e à mente, mesmo sabendo que nos dias seguintes, iria ser assaltado, iria ter a pior fase da minha toma dos medicamentos contra a malária, e iria perder uma namorada e uma amiga.

Claro que viria a carregar tudo isso e muito mais durante o mês seguinte, no entanto a minha paragem seguinte mais a sul não iria ajudar em nada.

Hanoi pouco mais foi do que barulho e poluição. Rapidamente saí da cidade, chegando a um paraíso tropical chamado Mui Né. Lá vi o que seriam as praias mais bonitas no Vietname, e lá consegui recuperar energias bem merecidas.

Seguiria-se então Nha Trang, e uma viagem de 3 dias com dois “Easy Riders”. É aqui que faço uma pausa para dar um conselho importante a todos os que viajam. Nunca carreguem muito com vocês. Quando falo disto, não falo de mochilas ou roupa, mas sim do que trazem cá dentro. Viajar apenas intensifica tudo isso, e piora em tanto todos os problemas que possam trazer com vocês. Eu sei bem o que sofri e o que tantas vezes me impede de escrever, ou até aproveitar uma bela paisagem.

Tragam apenas o que possam carregar e tudo o que saibam que não vai crescer dentro de vocês a cada dia que passa.

(continua na parte 2)

6 comentários a Vietname, depois do adeus – parte 1

  1. Olá Filipe
    Encontrei o teu blogue e não resisti a ler alguns dos teus registos. É fascinante a forma como “abres o peito” e te deixas levar pelo mundo. Parabéns pela tua coragem e iniciativa. Deixo-te uma pergunta que não é para me responderes a mim mas sim a ti; Lá no mais profundo do teu ser, o que procuras? o que te move? Pensas percorrer o mundo até te encontrares ou continuas perdido mas com mais experiências acumuladas? Afinal não era só uma pergunta 😉 Aproveita bem esta oportunidade que a vida te está a dar para te conheceres melhor e quem sabe saber realmente quem és, que vieste fazer a este mundo e o que virá a seguir, se acreditares que a vida não termina aqui.
    Continuação de boas viagens e desculpa esta intromissão de uma estranha
    :)

    Responder
    • Olá Carmo,

      antes de mais obrigado pelo comentário. Bem o que me move, ou o que procuro, bem nem eu tenho a certeza. Procuro perceber mais do que tudo quais são os meus medos, os meus limites, até onde posso chegar e o que posso fazer. Procuro crescer e aprender com pessoas que nada têm, pois durante toda a minha vida tive sempre tudo e sinto que fui mimado com tudo isso. Agora raramente me importo se tenho lama nas calças, se como num restaurante onde a higiene não é a melhor, pois no final o que interessa mesmo é o que tiramos de lá, e as pessoas que conhecemos pelo caminho. Não esqueço o sorriso de muita gente que conheci e que apenas o partilharam por algo simples, e não esqueço também comentários como este, que me dão força todos os dias.
      Perdidos penso que andamos todos. Percebi muito que é importante ter alguma estabilidade com liberdade. E é muito importante termos alguém ao nosso lado que esteja na mesma frequência. Mas bem isso será tema de um outro post.
      Mais uma vez obrigado :).

      Responder
  2. Olá Filipe!
    É realmente fantastico ler estes posts e de uma certa forma viajar contigo. Obrigado por isso!
    Não sei se será atevimento a mais, mas questiono-me como tens lidado com o cansaço e a solidão que uma viajem como esta acaba por trazer? É uma forma de testar os teus limites? Ou vais combatendo isso com as paisagens e a adrenalina de conhecer novos locais?
    Li este teu post ontem, e tive o dia todo a pensar nesta tua ultima frase “Tra­gam ape­nas o que pos­sam car­re­gar e tudo o que sai­bam que não vai cres­cer den­tro de vocês a cada dia que passa.” ‘petacular mesmo 😀

    Responder
    • Olá Ricardo. Quanto à solidão e ao cansaço, tem sido o mais difícil. Muitas vezes pensei em regressar, e vindo de Portugal os amigos etc, vão lentamente deixando de enviar notícias. Trago sempre música comigo, um bom livro, vejo algumas séries no computador, etc. Isso ajuda sempre, mas não é solução. De momento faço mesmo o que posso para combater algo que penso ser o mais difícil durante esta viagem. As paisagens, após algum tempo acabam por ser apenas mais uma bela paisagem. Felizmente conheço pessoas fantásticas que ajudam a passar o tempo. Mas sim a solidão é mesmo o mais difícil nisto tudo. Por exemplo agora procuro um local para passar o fim de ano. Tem sido difícil já que os hoteis são caros, e não queria de forma alguma passar sozinho.

      Responder

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>