Multidões de pedra

A primeira impressão que os templos Prambanan nos provocaram foi de uma certa inquietação: ao longe, pelo efeito do sol forte e directo apareciam enormes silhuetas de um negro baço e indistinto. Lentamente, à medida que nos aproximamos começamos a perceber patamares, recortes, volumes, relevos …

Eddy fazia questão em andar depressa porque “há muito que ver, há muito que ver” no maior conjunto de templos hindus da ilha de Java . Todos os templos do complexo Prambanan foram construídos entre os séculos VIII e X quando a ilha era dominada no sul pelos budistas e no norte pelos hindus. A História marcou os templos pelo uso e pelo abandono a que foram votados. Mas foi a natureza com um forte terramoto no século XVI que mais os abalou. Os caçadores de tesouros e a população local que precisava de materiais de construção delapidaram muitas das suas preciosidades.

A reconstrução iniciada no finais da primeira década do século XX e o reconhecimento da sua importância histórica e estética leva a UNESCO em 1991 a classificar o complexo de Prambanan  Património Mundial da Humanidade. As comunidades javanesas e balinenses hindus retomaram rituais, destacando-se uma grande cerimónia anual. O terramoto de 2006 volta a abalar os templos espalhando nos terrenos em volta muitas das suas peças. Os trabalhos de reconstrução iniciaram-se desde logo mas há muitas peças de um “legos” gigante que ainda estão fora de sítio.

Conversas intermináveis

Subimos e descemos escadas e perdemo-nos nos patamares onde faixas de pedra esculpidas contavam histórias de vida, de amores, de ódios, de guerra e de paz, de prazer e de dor. Alguns cúmplices pareciam contar segredos que se mantêm secretos no silêncio da pedra. Por ali, passa tudo o que a vida humana tem para dizer e contar: a festa, a morte, a alegria, o luto, a dor, a amizade, o jogo, o amor. Lá estão todas as idades do ciclo de vida humana: crianças, jovens, adultos, velhos. Mas também estão lá os animais, as plantas, enfim, o mundo.

Foi difícil abandonar o lugar.. Só a expectativa de um regresso próximo atenuou alguma mágoa. Impaciente, Eddy chamava-nos para outra realidade. E nós fomos!

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