Mui Ne e algumas reflexões

Cheguei sem dúvida alguma ao paraíso. Praias de perder de vista, areia branca, palmeiras. Sou humilde o suficiente para me sentir mal com tanto “luxo”. Eu que tenho viajado gastando o mínimo dinheiro possível, acabo por sentir que estou num local onde não pertenço.

Viajo agora com Rebecca, uma dinamarquesa de 19 anos que irá viajar durante 9 meses pelo mundo. Todos nós que viajamos acabamos por chegar a uma altura das nossas viagens, em que necessitamos de alguma solidez. Trocar constantemente de colegas de viagem, torna-se tão cansativo quanto ter que arrumar a mochila todos os dias.

No entanto há que aproveitar cada momento e Mui ne, é o local ideal para tal. Não há grande magia para os mochileiros, nesta cidade. Apenas praias belas de perder de vista, que sei que nunca irei esquecer.

Foi também a altura de experimentar coisas novas. Conduzir uma mota e deslizar nas dunas foram apenas algumas das experiências totalmente novas para mim. Sinto que ficaria aqui durante anos até me aborrecer. Andar na areia, nadar na água quente como que se de um banho se tratasse, fazem-me olhar para o horizonte e recordar Portugal, mesmo que poucas sejam as semelhanças.

Após ler alguns dos comentários à entrevista que saiu sobre mim no Fugas, tenho saudades de um país lá longe. No entanto não tenho saudades do ódio que outros compatriotas mostraram contra mim, quando a única coisa que quis foi mostrar que há sempre esperança. Há sempre um sitio para onde ir, e novos horizontes para descobrir. A quem guarda tanto ódio apenas deixo um grande abraço. Deixei tudo não para marcar posição, mas porque quando morrer, quero morrer feliz e sem ódio dentro de mim.

4 comentários a Mui Ne e algumas reflexões

  1. Viva Filipe. Antes demais, força na viagem. Tenho acompanhado a tua viagem e, na minha opinião, existem questões que poderiam ser interessantes aprofundares. Acho que poderias pormenorizar mais os teus dias, do género: Onde dormes, onde comes, como viajaste, quem conheces e como… Talvez fuja um pouco à tua forma de escrever, tais detalhes, mas textos mais descritivos contextualizariam melhor os leitores. Fica aqui a sugestão. E já agora, uma questão, pelo texto inicial publicado pelo Público deduz-se que foste ter com Sarah. Mas nos teus textos creio ainda não ter lido nenhuma referência nesse sentido, pelo contrário, referencias várias vezes a solidão. Podes clarificar esta questão? Um abraço. João F. (Porto)

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    • Irei fazer o meu melhor para isso. Queria fugir sempre um pouco ao que tem sido normal em blogues de viagem, mas irei tentar relatar um dia meu por cá. Desde o acordar ao deitar. Quanto à Sarah, infelizmente separámo-os após alguns dias. Entre a medicação para a malária e outras coisas, foi difícil de continuar. Não sei sequer do paradeiro dela, mas sei que está bem, pelo que estou descansado.
      Abraço

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  2. Obrigado Filipe por este post, por ter a honra e grandeza de dar a outra face e desejar aos pobres de espírito uma grande lição de hombridade e humildade. Eu sou dos que invejo esse passo de gigante que deste na altura certa e essa coragem e sensibilidade para aproveitar todos os ensinamentos dessa grande viagem. Continua a manter-nos a par das tuas aventuras, um abraço e que corra tudo pelo melhor.

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    • Desde já muito obrigado pelo comentário. Tive uns dias difíceis como já descrevi noutros posts, mas têm sido comentários como o seu que me têm dado força para continuar. Um muito obrigado.

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