Braga em Bandung

Tínhamos muita curiosidade em chegar a Bandung por várias razões: associávamos o nome da cidade à conferência afro-asiática que deu origem ao movimento dos países não-alinhados e estávamos curiosos para conhecer a principal rua da cidade que se chama Braga. São motivos completamente diferentes mas são bons motivos!

Não é fácil encontrar no presente razões para o cognome que a cidade já teve, “Paris de Java”: há muito trânsito e a necessidade de responder às necessidades de quase 3 milhões de habitantes levou a uma construção desordenada e descaracterizada.

Procurámos logo o centro de Bandung, e, claro, a rua Braga. O Gonçalo apresentou uma possível explicação para o nome Braga neste fim do mundo: teria existido na rua um teatro de nome “Tonil Braga”, fundado em 1882. Braga teria sido um actor descendente de judeus portugueses que eventualmente adquiriu o nome devido a uma norma de os judeus assumirem como apelido o lugar de residência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na rua estreita, congestionada de trânsito e de pessoas, não foi fácil encontrar os vestígios daquela que foi a rua onde se concentravam os cafés elegantes, cinemas, teatros e as lojas chiques que vendiam os artigos importados da Europa. As antigas e afamadas Galerias Braga estavam encarceradas com tapumes e o tecto abria para o céu. Mas os nomes de shoppings, lojas e cafés, teimavam em recordar o nome perdido no tempo.

O café das doninhas

Não foi a renúncia à nostalgia que nos levou a trocar o Braga Café pelo Café Luwak. O edifício com varandins, balaustradas e o grande vitral, prende desde logo a atenção de qualquer um.

Mas o que nos levou lá foi a fama do “café civet” que se pode traduzir por “café das doninhas”. Esta variedade de café é das mais caras do mundo e resulta de um processo complicado e estranho: as doninhas ingerem os grãos de café mais suculentos que não são processados no tracto digestivo e que são expulsos por defecação. Depois de colhidos, são lavados, secos ao sol e tratados em especial torrefacção. O resultado é um café suave, aromático, de sabor único.

Apresentaram-nos uma chávena com um café bordejado de borras, tipo café turco. Depois de o pó ter assentado, experimentámos um sabor especial que deixava um levíssimo travo a chocolate. Concluímos que as doninhas têm bom gosto!

 

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