PÚBLICO

O blogue de 10 políticos em campanha

Comício Público

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Mariana Mortágua

Do voto fútil

A última semana de campanha foi dominada por uma insólita competição. Depois da novela da troika, em que se entretiveram a discutir quem era, afinal, o pai da criança, PS e Coligação deram início ao campeonato do consenso. O país vai assistindo, cansado, aos ataques treinados de Paulo Portas, acusando António Costa de uma temerosa radicalidade anti-consensos : o PS não aprovará​ ​um Orçamento de Estado do PAF, avisa o vice da candidatura. Costa responde, ora apelando à maioria absoluta e negando qualquer diálogo futuro com a direita, ora lembrando o ofício de grande federador de vontades na CM de Lisboa,​ ​homem​ ​acostumado aos diálogos necessários​. Continuar a ler →

Diz a Fitch que…

A Fitch mantém a República Portuguesa ao nível de lixo, por vários motivos. Entre eles porque acredita que o défice estrutural, que conta para efeitos do Tratado Orçamental, deverá subir. “E isso deve-se em grande medida ao aproximar das eleições legislativas de 4 de Outubro, que reduziram a margem para medidas orçamentais adicionais”. Duas, ou melhor, três notas sobre as considerações da Fitch acerca da República Portuguesa. A primeira é que não devíamos reconhecer qualquer tipo de legitimidade a agências de notação, como a Fitch, que contribuíram ativamente para a bolha no mercado subprime que veio a causar a crise financeira de 2008. Continuar a ler →

Pode um défice render juros?

A propósito dos números do défice, o primeiro ministro enredou-se em explicações sobre o montante injetado no Novo Banco. Aparentemente, não só agora vale a pena ter défices, como, de acordo com a atabalhoada lógica de Passos Coelho, quanto maiores melhor. Rendem juros, garante Passos Coelho . A esse propósito, quatro pequenas notas sobre os juros que o empréstimo supostamente “rende”: O Fundo de Resolução está a pagar juros pelo empréstimo do Estado, verdade. Mas o Estado também está a pagar juros à troika pelo empréstimo que usou para emprestar ao Novo Banco. Continuar a ler →

Fomos a Paris

Fomos ontem a Paris, ida volta, em não mais que 14 horas. Uma jornalista perguntava ‘porquê assinalar o início de campanha em Paris, com emigrantes, quando a maior parte nem vota?’. É uma boa pergunta, podíamos ter escolhido outras prioridades. Mas a resposta chega depressa: ‘porque somos um país de emigrantes’, consumados ou em potência. Não é uma questão de votos. Seria como deixar de fazer política a pensar nos jovens porque a abstenção é enorme nos jovens. Continuar a ler →

Olá, sou do Bloco de Esquerda

‘Não vale a pena, são todos iguais’. É uma das coisas que mais oiço nas ruas, além de muitas outras, quase sempre simpáticas, muitas vezes de apoio. E nesse momento começa a tarefa mais difícil. Usar os poucos minutos que temos para mostrar às pessoas que vale a pena, que o voto não basta mas ainda é uma arma, que a política não é sempre uma corrida aos tachos, que no meio disto tudo ainda há gente de verdade. Continuar a ler →