PÚBLICO

O blogue de 10 políticos em campanha

Comício Público

O voto quando nasce

Pois, o voto… ainda não é para todos. Penso nisso enquanto, sob o tempo incerto, me dirijo ao local onde vou votar. No Ginásio Clube, Arroios, na mais cosmopolita Junta de Freguesia de Portugal inteiro. Setenta e muitas nacionalidades. Uma mistura esplendorosa de gente de todos os continentes.

Quem fica de fora? Com o desmantelamento da rede diplomática portuguesa no mundo, votar é um desafio e uma corrida de obstáculos quase todos intransponíveis… portanto, os meus filhos Bernardo e Paulo; o meu quase filho Tiago e o Pedro, quase irmão deles todos, família alargada, família do coração, dificilmente conseguem exercer um dos mais sagrados direitos da democracia. Partindo do pessoal para o plural: igualmente excluídos ficam a maior parte dos quase quinhentos mil Portugueses que, desde há quase seis, sete anos, deixaram o país sem expectativa de regresso.

Porque não votam? Porque os nossos governantes não querem. Temos uma das mais implacáveis e sofisticadas máquinas fiscais, uma rede de arrasto que suga o fundo dos oceanos da nossa sobrevivência. O multibanco, uma das melhores redes do mundo. Um sistema de portagens irrepreensível. Mas não temos uma rede informática capaz de acolher os votos dos imigrantes. Portanto, quando hoje fui votar, por volta do meio-dia, sob um calor de Verão africano, húmido e a ameaçar chuva, cruzando-me com uma esplendida babel de gente, pensei nos meus filhos, nos meus filhos «emprestados», nos amigos deles, nos desconhecidos e desconhecidas que partilham o destino da diáspora nacional, e senti uma mistura de desgosto e de raiva. Há realmente muito, muitíssimo a fazer nesta pátria nossa tão mal amada. O facto é que votei, e isso é maravilhoso.

Agora, temos de conseguir que todos votem.

 

Comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *