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O blogue de 10 políticos em campanha

Comício Público

Que é que tem o Bloco que é diferente dos outros?​

Bem nos dizia Agostinho da Silva que a imaginação está sempre do lado de quem pergunta. Convido, pois, a imaginação do leitor que interpela o título deste artigo. Lembremos o ponto de chegada. Cada saída à rua nos diz do entusiasmo que o Bloco de Esquerda desperta hoje na sociedade portuguesa. A determinação e a competência da Catarina Martins durante esta campanha carregou-nos para todos os lugares, de Paris até à Madeira, ao reencontro dos nossos e à procura de quem resiste sempre, do Algarve ao Minho, onde esta quinta-feira a Catarina fez um comício improvisado, ali mesmo, em cima de um pneu, a pedido de quem a via passar por Vizela (uma das imagens marcantes desta campanha).

Em todo este caminho, o Bloco provou a sua diferença porque fez valer as suas vontades e as suas propostas. São três, a meu ver, as ousadias que o Bloco apresenta ao país nestas eleições.

1. Fazer de Portugal um país viável, cumprindo a democracia económica que nos falta.

Nas últimas eleições, o Bloco foi o primeiro partido a trazer a questão da dívida para o centro do debate público. Durante quatro anos foram muitas as vozes que se juntaram a essa batalha, pois ter a sensatez de combater a usura da dívida é o que distingue aqueles que estão dispostos a defender o seu país e a sua gente dos que fazem da obediência a Berlim todo o seu programa político. O Bloco não aceita a austeridade perpétua que alimenta o jogo financeiro e retira às pessoas o direito a habitar, viver, estudar e trabalhar em Portugal.

Precisamos enfrentar aqueles que transformaram a União Europeia numa masmorra austeritária, assumindo a necessidade de uma revolução fiscal que acabe com a punição de quem trabalha. A eliminação da sobretaxa do IRS e a reposição dos escalões existentes antes da troika, a taxação sobre os dividendos que acabe com a folia bolsista e a criação do imposto sobre as grandes fortunas são os primeiros passos de um governo decente, feito de gente de verdade.

2. Terminar o abuso, acabar com a precariedade.

No Bloco não nos esquecemos de um país que se levantou quando Passos Coelho e Paulo Portas quiseram dar uma borla aos patrões, baixando a TSU das empresas. Um momento de dignidade na história de um povo que empobreceu produzindo milionários como nunca, numa imagem tão bem traduzida pelo Manuel António Pina ao anúncio dos primeiros cortes: “ver passar um Ferrari (pelo menos em regiões deprimidas como a do Vale do Ave) e imaginar que talvez uma porca de um daqueles pneus seja o nosso subsídio de Natal.”.

Sabemos que defender a segurança social é a dívida que temos com os nossos pais e os nossos avós. E que essa é uma convicção que pode unir gerações, mobilizando os que sofrem com o abuso dos recibos verdes e da precariedade diária imposta pelas empresas de trabalho temporário. A luta de quem não abdica do princípio republicano da igualdade de direitos para quem perdeu o emprego mas não a sua dignidade, de quem não aceita o apoio social transformado em negócio da caridadezinha.

3. Enfrentar a casta económica que nos governa.

Na semana em que Ricardo Salgado sairá do seu segundo e mais conturbado exílio para ir votar, ficamos a saber um pouco mais do real problema criado pelo Novo Banco. Há na direita quem teime em ver na queda do banqueiro e da sua dinastia económica o efeito isolado da má gestão do grupo. Mas não nos enganemos. Dos seis maiores bancos portugueses, apenas um não recebeu dinheiro dos contribuintes nestes últimos quatro anos. O sistema financeiro é o nosso atraso. Um sistema colonizado pelas redes de poder que fazem mover os ministros e deputados entre os negócios e a política.

Basta lembrar que foram 25 os governantes que vieram do BES para o governo ou que aportaram no banco depois das suas funções executivas. É a imagem do poder nestas últimas décadas. Foi no BES que Ernâni Lopes encontrou um porto seguro, aquele que foi Ministro das Finanças do Governo do Bloco Central (1983-1985), responsável pela chamada Lei de Delimitação de Sectores, aprovada em 1983, que pela primeira vez desde as nacionalizações abriu o sector da banca à iniciativa privada. Foi junto à família Espírito Santo que Miguel Horta e Costa, Secretário de Estado do Comércio Exterior de Cavaco Silva, viu reconhecida a sua missão de liderar o BES investimento e, logo depois, a Escom, empresa que fez submergir os milhões dos submarinos encomendados por Paulo Portas. E foi do BES que veio o homem que dirigiu a economia no governo de José Sócrates, o Ministro Manuel Pinho, agora reformado com uma pensão milionária paga por um banco falido.

Neste tempo de ousadia que nos espera, o Bloco apresenta-se na melhor das suas forças. Pronto para todas as convergências que tenham por objetivo a recuperação dos salários, a criação de emprego, a reversão das privatizações e a defesa das pensões.

Por tudo isto, no domingo, cada voto no Bloco é um voto que é diferente dos outros.

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