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O blogue de 10 políticos em campanha

Comício Público

A conquista dos indecisos

A campanha eleitoral está a meio e, segundo a sondagem do “Público”, conseguiu o milagre de produzir indecisos: há mais pessoas que não sabem em quem votar que antes de começar a campanha oficial. Do meu ponto de vista, isto deve-se a três razões fundamentais: As duas de menor importância são uma cobertura informativa que se centraliza nos partidos do bloco central e a proliferação de sondagens de vão de escada, feitas baratas com o objectivo  de manter a tensão competitiva, mas não suficientemente  profundas para conseguir responder às intenções de voto dos portugueses – Basta ver que entre as sondagens da RTP e do “Expresso” há 10% de votos de diferença entre o que dão ao PAF e ao PS, para perceber a falta de precisão das ditas cujas.  Finalmente, o aspecto que me parece mais relevante para termos quase um terço de indecisos, é o facto de as pessoas hesitarem o que querem fazer com o voto e terem medo. Do meu ponto de vista, é claro que a grande maioria dos eleitores não vai votar PAF. A maioria dos portugueses pretende correr com este governo e as políticas de austeridade que enriquecem uns poucos e penalizam 90% da população. O problema é que muitos temem que votando segundo as suas convicções, os partidos de direita tenham mais votos, mesmo que sendo imensamente minoritários. Infelizmente, tem sido esta lógica empobrecedora do voto útil que tem levado à profunda inutilidade do voto. Os sucessivos apelos ao voto útil esvaziaram o conteúdo político da democracia, e tornaram-na um mero rotativismo entre dois grupos de interesses que se confundem.

Acho possível e desejável votar para preencher três objectivos nestas eleições: derrubar este governo, recusar as políticas da troika e da corrupção, e finalmente sinalizar que não se está contente com o sistema político e o comportamento dos partidos até agora. Só votando com estes três objectivos será possível impedir que as políticas corruptas de austeridade sejam expulsas pela porta mas voltem a entrar pela janela.

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