PÚBLICO

O blogue de 10 políticos em campanha

Comício Público

É o aquecimento global, pá!

Todos  estamos a ser afectados por esta questão: cidadãos comuns, empresas, governos, economias e, acima de tudo, a natureza com a destruição, nalguns casos irreversível, de ecossistemas muito complexos de que dependem todas as nossas vidas.

Independentemente de estarmos ou não conscientes do que se passa, a questão decorrente da concentração na atmosfera dos gases com efeito estufa está em ligação directa com os eventos climáticos extremos,  imprevisíveis, até, que têm vindo a ser noticiados cada vez com maior frequência e gravidade.  Pelo que reduzir a emissão destes gases se erigiu num imperativo de sobrevivência. Com efeito, desde 2010 que, entre outros organismos internacionais, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), sede em Genebra, vem alertando para os sucessivos valores recordes no aumento das temperaturas e suas consequências.

Aliás, no relatório anual sobre as concentrações de gases de efeito estufa, a agência das Nações Unidas indica que a taxa de crescimento dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera entre 2012 e 2013 representa o maior aumento anual em 30 anos: 142% face ao que era na época pré-industrial, 1750, enquanto as de metano e óxido nitroso subiram, respectivamente, 253%

Consequências? De ano para ano, e à vista de todos: o clima está a mudar e as condições meteorológicas estão a extremar-se. A ocorrência de ondas de calor e secas tornaram-se fenómenos cada vez mais frequentes, e as perdas agrícolas representam uma ameaça real. Por outro lado, este aumento reflecte-se nas modificações mais ou menos profundas no regime das precipitações e no ciclo natural da água, bem como a fusão dos gelos das grandes calotes polares.  Neste cenário, a elevação do nível dos oceanos deixou de ser uma mera hipótese académica.

 

A conjuntura apocalíptica anuncia que, a menos que sejam tomadas medidas drásticas, estamos a chegar ao ponto do não retorno. O secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, citando o exemplo do uso dos combustíveis fósseis, deixou um apelo: “Temos de reverter essa tendência e cortar as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa em toda a linha”, alertou.

A questão é de tal forma consensual que todos, ou quase todos os partidos políticos portugueses também já incluíram este desiderato na agenda política da actual campanha legislativa. Da mesma forma, quase todos, com excepção do PAN apontam como causa principal o uso massivo dos combustíveis fósseis. Soluções? A resposta, da esquerda à direita, dos países ricos aos países periféricos afina por este diapasão: «eliminando, progressivamente este tipo de combustíveis, substituindo-os pelas energias renováveis, fomentando a poupança de energia e eficiência energética.»

Mas será esta a ÚNICA solução e serão estes os PRINCIPAIS responsáveis? O PAN diz que não. E fundamenta:

2013 Aumento no desmatamento da Amazónia

Vejamos: e se as principais emissões poluidoras fossem, também, outras? Com efeito são. E é terrível o véu de segredo e de desinformação que cobre esta questão de sobrevivência humana a nível planetário, quando os dados de estudos científicos independentes apontam como principal causador da poluição global a pecuária intensiva. André Silva, porta-voz do PAN, em entrevista à RTP2 [15 de Setembro de 2015]:

“Nós somos o partido, somos o único movimento em Portugal que fala neste assunto e que diz que o grande poluidor do planeta, e o grande poluidor nacional, é a pecuária intensiva; que 51% dos gases de efeito de estufa se devem à produção de pecuária; que 80% da água gasta em Portugal se deve à forma como produzimos alimentos, à agricultura intensiva e pecuária intensiva e que um terço dos nossos solos estão em risco de desertificação. Nomeadamente, e dando o exemplo concreto de Mértola, 46% do território está absolutamente desertificado. Portanto, a forma como estamos a produzir alimentos está a danificar completamente o nosso solo.”

Exemplo: a cada 60 segundos, na Floresta Amazónia, um dos pulmões do mundo, uma área do tamanho de um campo de futebol é desmatada para dar espaço a plantações de soja, maioritariamente transgénica para… alimentar gado. O mesmo acontece em África. O mesmo acontece nas partes do mundo onde ainda sobreviviam as florestas primordiais. Para piorar tudo, são plantações são episódicas, pois em poucos anos o solo esgota-se e a indústria avança para novos territórios virgens, prontos a seres destruídos, deixando atrás de si incomensuráveis desertos de terras mortas. O cenário repete-se em todo o lado onde a pecuária intensiva se instala.

Para o PAN – Pessoas Animais Natureza, a solução passa por retirar os apoios à pecuária intensiva, taxar esses mesmos produtos e discriminar, pela positiva, a agricultura biológica. Há países que já optaram por isso e em Portugal existe o conhecimento e a tecnologia. Só falta a vontade política:

A agricultura biológica vai permitir uma regeneração de solos o que nos vai levar a uma segurança e uma soberania alimentar. (…) E gostaria de ‘linkar’ isto com a questão da saúde e da sustentabilidade do SNS (…) O grande problema é a fonte, o número de doentes. Como é que reduzimos o número de doentes? (…) Temos que produzir de uma forma diferente e comer de uma forma diferente, sem agro-químicos e, por outro lado, reduzir drasticamente os produtos de origem animal” André Silva, porta-voz do PAN.

Que os movimentos que apontam outras formas de satisfazermos o enorme e consensual prazer de comer, estejam em franco crescimento deveria ser factor de regozijo por parte de todos. Afinal, todos beneficiam, directa ou indirectamente, quanto maior for o número de vegetarianos ou de veganos. A questão é de sobrevivência colectiva, e não de proselitismo! Se ao menos se diminuísse a frequência e a abundância do consumo de proteínas de origem animal per capita e por dia! (nem o leão come carne todos os dias e a todas as refeições) já seria um bem incalculável. Para a saúde humana e para a saúde do planeta.

 

 


Para aprofundar:

O Efeito de Estufa é um fenómeno que ocorre naturalmente na atmosfera. Neste mecanismo estão envolvidos gases que permitem que a luz do sol penetre na superfície terrestre, mas que impedem que a radiação e o calor de voltem ao espaço, mantendo assim um nível de aquecimento óptimo para a manutenção da vida. [Para ler mais: O Efeito Estufa]

Agência FAP ESP – O gás metano é considerado o segundo maior contribuinte para o aquecimento da Terra, logo depois do dióxido de carbono (CO2), e estima-se que 70% das emissões desse gás provenham de atividades humanas, entre as quais a pecuária. […] para ler mais: Pesquisa avalia emissão de metano por bovinos.

«Entre 1990 e 2005 o rebanho bovino brasileiro aumentou cerca de 40% (de 147 milhões para 207 milhões de cabeças – IBGE, 2006). Isso possibilitou que em 2004 o Brasil se tornasse o maior exportador mundial de carne bovina (USDA, 2006). Entretanto, grande parte desse aumento vem ocorrendo na Amazônia a partir do desmatamento de novas áreas que, por sua vez, tem resultado em preocupações ambientais crescentes (Margulis, 2003; Arima et al., 2005). Uma das principais preocupações são as emissões de Gases do Efeito Estufa – GEE resultantes das queimadas para limpar o solo antes do plantio de pastagens. Os GEE emitidos por todos os países vêm causando o aquecimento do planeta e desequilíbrios climáticos como o aumento de chuvas e secas. Além disso, cientistas projetaram que a continuação das emissões causará catástrofes neste século, como secas, extinção de espécies, colapso de produção agrícola e migrações (IPCC, 2007).» em a «A Pecuária e o desmatamento na Amazônia na Era das Mudanças Climática

E ainda o filme: COWSPIRACY:”Uncovering the most destructive industry facing the planet”.

Uma (entre muitas) reportagens sobre o filme: Cowspiracy leva pessoas a mudarem hábitos alimentares 

 

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7 comentários a “É o aquecimento global, pá!”

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