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O blogue de 10 políticos em campanha

Comício Público

Uma longa marcha

O polícia à paisana deu ordem de prisão aos activistas que cobriam a estátua do poeta Chiado de plástico negro. Aos berros dirigiu-se a um deles: “porque estão a fazer isto? Não sabem que é crime?”. O activista respondeu-lhe: “Para dizer que não queremos que Angela Merkel aterre amanhã em Portugal”. O agente parou. Bateu a pala e sorriu: “bom trabalho e boa sorte”. E foi-se embora. Esta foi uma das cenas mais reveladoras que vivi durante este longo período de contestação às políticas de austeridade. Para os activistas, gente com várias filiações políticas e independentes, que estiveram na preparação das grandes manifestações de 15 de Setembro de 2012 e 2 de Março de 2013, a luta pela saída deste governo é algo que dura há tempo demais. Há muito que a maioria da população portuguesa contesta as políticas da troika e do governo que a serve. Os estudos de opinião, nomeadamente um trabalho de fundo para o Insituto Europeu da Faculdade de Direito de Lisboa, mostraram ao longo do tempo que mais de dois terços da população não acreditava nas políticas da troika. Essa hegemonia nunca foi concretizada, porque, como os estudos também mostravam, a grande maioria dos portugueses não acreditava também na capacidade de nenhum dos partidos para concretizar uma política diferente. Temos portanto uma grande maioria dos portugueses contra o governo e as políticas de austeridade, com uma enorme insatisfação sobre a capacidade do sistema político actual gerar alternativas a este rumo ao abismo.

Estas eleições vieram trazer à liça novas forças políticas. É visível que estamos num tempo de mutação. Apesar do cozinhado das sondagens, não há nenhum estudo de opinião que garanta uma maioria de governo, a menos que os partidos do centrão façam, finalmente, da sua unidade nas políticas na defesa das negociatas, uma união dos interesses do costume no governo. Estas eleições vão abrir um ciclo político novo. Para o responder de uma nova forma é necessário construir, nos próximos anos, uma nova unidade popular: a junção de todos os sectores da população que perderam com a austeridade e as políticas de empobrecimento. Para caminhar para o nascimento desta nova força política  é preciso entender que unir a maioria da população só pode ser feito com base em pontos fundamentais em que existe uma grande hegemonia popular na sua defesa. São assuntos em que existe uma ruptura visível entre a opinião da maioria da população e os interesses da casta ultra-minoritária que nos tem governado. Agir significa isto mesmo, estabelecer claramente quem são os nossos inimigos: a casta e os seus interesses corruptos, e quem são todos aqueles que podem construir essa unidade popular: todos aqueles que foram vítimas das políticas de empobrecimento e de austeridade.

Estamos cientes que estas eleição são apenas um passo. É preciso fazer entrar novos protagonistas que somem à democracia todos aqueles que foram impedidos de participar. Uma política nova passa por não aceitar as crescentes desigualdades sociais, económicas e políticas. Não são os banqueiros, os seus serviçais no governo, e o Banco Central Europeu que tem de mandar, é o o povo que tem de ser soberano para decidir o seu futuro.

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