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Comício Público

PAN: trabalhar na raiz do problema

Sábado, 19 de Setembro de 2015. Descemos a rua da Voz do Operário e entrámos para a Feira da Ladra passando pelos muros altíssimos do palácio de São Vicente. Ali, de onde Maria Adelaide Coelho da Cunha fugiu em 1920, para viver a sua história de amor com um homem vinte e poucos anos mais novo do que ela, seu motorista, acabando presa num hospício e dada como louca. Não se vergou, e conseguiu, numa guerra absolutamente desigual, vencer a duríssima batalha.

Há uns anos, passei meses naquela que foi a sua casa, farol de cultura e arte para a alta sociedade da época, a pesquisar um riquíssimo acervo documental que me permitiu entrar na pele de uma das mais revolucionárias mulheres da nossa história contemporânea. São outros contos, mas a inspiração permanece. Já agora, foi por aqui que António Variações, 13 ou 14 anos de idade, começou a estudar à noite, por seu expresso desejo. Na Cooperativa da Voz do Operário, quase em frente do palácio de que falo…

 

Sábado, 19 de Setembro de 2015, dia de Feira da Ladra. Tantos anos, mas o cenário não mudou muito. Há mais esplanadas, menos móveis no meio das ruas, e algumas figuras resistentes, como o homem que se faz sempre acompanhar pelos três tigres de peluche, pai, mãe, cria, agora um pouco deslavados, e, no geral, o mesmo fabuloso bricabraque de todos os tempos.

E nós, de bandeiras, flyers, e ‘Pan pr’a mangas’ de conversa.

Em relação a outros anos e outras campanhas, a diferença do contacto com o público é demasiado grande para passarmos por alto. As pessoas, de forma geral, já conhecem o PAN. Na verdade, não só nos conhecem, como muitas referiram seguir-nos no facebook – não é por acaso que somos nº 1 nessa rede, com mais de 75 mil seguidores. E, num caso pontual, até nos vieram pedir contas do nosso trabalho:

‘Estou muito zangado com vocês! Apanharam-se lá e ficaram como os outros. Não fazem nada’.

Não adiantou explicar-lhe que não estamos ‘lá’, ou seja no Parlamento, e que já conseguimos alterações de monta no que toca, por exemplo, aos direitos dos animais onde quase tudo está por fazer e onde quase nada tinha começado a ser feito. Ele estava tão zangado, que era impossível atravessar a densa muralha do seu desencanto.

Mas tivemos o prazer de trocar ideias e ouvir as pessoas cheias de  vontade de partilhar expectativas, revoltas, e histórias pessoais. Como a Elisabete, o Manuel e o Ricardo, que manifestaram vontade de se juntar a nós, e dar o seu contributo. Porém, com um programa político muito abrangente (contemplamos e detalhamos o direito à Liberdade, por exemplo), temos perfeita consciência de que, aos olhos de muitos, nos movemos em terreno de perigosa  ambiguidade. Nada mais erróneo, porém.

A ver: os animalistas mais radicais acham um desvio contemplar as Pessoas no nosso programa eleitoral e na nossa vivência partidária, porque ‘os humanos têm quem os defenda’. Era bom, era! No extremo oposto, insurgem-se outros que nos acusam de andarmos a ‘perder’ tempo com os… bichos com tanta gente a precisar de ajuda. Aqui, não resisto citar um grande activista George T. Angell (1823–1909), conhecido no mundo inteiro como o Amigo dos Animais que em circunstâncias análogas respondia:

“Quando me dizem ‘Porque investe todo esse tempo e dinheiro a falar sobre os direitos dos animais, quando há tanta crueldade entre os homens?’, Respondo: ‘Estou a trabalhar na raiz do problema”  

E é neste trabalhar as raízes que o PAN – Pessoas, Animais, Natureza, investe tudo o que tem – tempo, energia, entusiasmo, vontade de mudar. Só o dinheiro é pouco, mas não é isso que nos desmotiva. Se até sabemos fazer omeletes (deliciosas, já agora) sem ovos!!

E assim, por entre apoios, sinais de vitória (‘o meu voto vocês já o têm!’); manifestações de repúdio (‘o que vocês querem é todos o mesmo‘); pedidos de ajuda (‘vocês deviam era ver os  pássaros engaiolados e mal tratados, vendidos na Feira, de forma completamente ilegal‘); entusiasmo (‘finalmente, um Partido que se preocupa com o planeta, com os animais, e com  a vida no seu todo‘); passámos uma boa parte da manhã e principio da tarde de sábado a deambular pelo Campo de Santa Clara.

 

 

 

 

 

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2 comentários a “PAN: trabalhar na raiz do problema”

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