Criar um ebook passou a ser fácil

Ciberescritas
Isabel.Coutinho@publico.pt

Acabou o frenesi. O evento surpresa da Apple marcado para este mês, em Nova Iorque, realizou-se a semana passada no Museu Guggenheim, e os rumores de que a empresa norte-americana ia entrar no “selfpublishing” concretizaram-se, de alguma forma, com a apresentação do iBooks 2 e da aplicação iBooks Author, que está disponível de graça na Mac App Store. O primeiro é a nova versão da loja de ebooks da Apple e a segunda permite que qualquer autor ou editor crie um ebook interactivo, com uma perna às costas, arrastando coisas de um lado para o outro, tão facilmente como fazer música com a GarageBand, instalada em todos os computadores da Apple.
Steve Jobs tinha a intuição de que o mercado dos livros escolares poderia ser mudado com uma transição para formatos digitais e chegou a discutir esta ideia com o magnata dos média Rupert Murdoch.
Não é por benevolência que a Apple entra no mercado dos livros escolares e na edição de autor (onde a Amazon já estava). Basta olhar para a lista dos mais poderosos no mundo da edição divulgada na última Feira do Livro de Frankfurt pela revista “LivresHebdo” para se perceber isso. Nesse relatório mostrava-se que “a erupção” na cena editorial internacional das novas potências económicas tinha reforçado o peso da educação. “Na China como no Brasil, e mesmo na Coreia, os novos gigantes são todos os grandes actores da edição escolar e universitária”, escreviam. Também se percebia que quem aparecia nos lugares de topo da indústria editorial por volume de negócio estava de alguma maneira ligado a este sector.
Em primeiro lugar, o grupo britânico Pearson com as suas duas marcas a Pearson Education (que é considerado o mais importante editor escolar do mundo) e a Penguin, que teve em 2010 o melhor ano da sua história com um total de volume de negócio de 6102 milhões de euros. A uma distância de mais de 700 milhões de euros aparecia na lista o grupo Reed Elsevier. Com as marcas Lexis Nexis e Elsevier Science, este grupo é especializado em livros de ciência, medicina, direito e gestão. Em terceiro lugar estava o grupo canadiano Thomson Reuters, que também faz parte da edição técnica.
É, sem dúvida, um mercado muito apetecível. A iBookstore Textbook foi lançada nos Estados Unidos com manuais escolares dos grupos editoriais Pearson, Houghton Mifflin Harcourt, McGraw-Hill e DK (estão disponíveis muitas das suas enciclopédias didácticas).
Gratuitamente pode ser descarregado para o iPad o ebook interactivo “Life on Earth”, de E.O. Wilson, que no futuro vai ter novos capítulos que passarão a ser pagos pelos leitores. Este livro pode ser lido de duas maneiras só na versão texto ou com as funções multimédia associadas. Os alunos podem escrever notas que serão lidas à parte e fazer sublinhados. Estes livros passarão também a ser actualizados pelos autores.
“Qualquer pessoa pode criar livros interactivos impressionantes. Livros educativos, de medicina, até livros de cozinha, de viagens. Tudo o que vocês possam imaginar”, disse Phill Schiller na apresentação em Nova Iorque. Mas a Apple não permite que estes livros sejam colocados à venda noutras lojas que não a iBookstore.
Mas será que podemos pedir mais por uma aplicação que nos está a ser dada de graça e pode mudar o mundo editorial tal como o conhecemos?

Apple & Educação
http://www.apple.com/education/ibooks-textbooks/

iBooks Author
http://www.apple.com/ibooks-author/

Nieman Journalism Lab
http://www.niemanlab.org/

(Crónica publicada no caderno ípsilon, do PÚBLICO de 27 de Janeiro de 2012)

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