Um comentário a Interlúdio para sextas-feiras chuvosas

  1. São três da manhã! Decidi exercer o meu direito à abstracção. À indignação. Ando às voltas com o pretérito, à procura da coragem da dura rendição. Tudo se contamina!
    Não insistas: nunca me lerás bem. Ando sempre mais depressa, mesmo que mais depressa seja ficar sentada na gruta, imersa no escuro, a ajustar contas com a vida. Labiríntica.
    Olho para as cartas. Estão remotas. Perdidas. Têm o solo manchado, talvez por não escrever nunca com a tranquilidade que anseio. E apercebo-me que, apesar de já ter vivido duas décadas, não sei nada do mundo.
    Não importa. O mundo continuará sem ti. Sem mim!
    Hoje é um dia importante. Fui para o terraço consumir-me. Descobri que hoje faz muito tempo. E já não teremos dito o que realmente era devido. Não terei reaEvadi-me lá ao fundo. Ainda não me consegues descobrir porque ando cá fora. A pratear-me. Anoto todas as ruas, todas as vírgulas. Até a dormência de tantos gestos magros desta gente.
    Lembras-te de quando existíamos por aí? Uma vez, sob um céu sem estrelas, um miúdo sentou-se naquela pedra alta e escura e decidiu esquecer o amor.
    Uma senhora aproximou-se, de olhar atento e expressão dura, e pediu-me que pusesse a vida por escrito. Eu perguntei-lhe porquê – esta minha mania de achar que tudo tem uma razão – e ela limitou-se a encolher os ombros, e disse-me que, para variar, convinha ter a certeza de alguma coisa.

    http://pergaminhosolto.blogspot.com/

    Escrevo! Sonho tornar-me escritora – dizer alguma coisa ao mundo. Passar mensagem. Ficar e durar!

    Daniela cardoso – daniela_cardoso7@hotmail.com

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