O mapa da literatura brasileira

Isabel.Coutinho@publico.pt

O Brasil vai ser o con­vi­dado de honra da Feira do Livro Inter­na­cional de Frank­furt em 2013. O país está nesta situ­ação pela segunda vez, já que foi o con­vi­dado de 1994. Na Festa Literária de Paraty, o direc­tor da Fun­dação da Bib­lioteca Nacional brasileira, Galeno Amorim, anun­ciou um pro­grama para o apoio à tradução e à reed­ição de obras no valor de cinco mil­hões de euros até 2020. Uma medida para que a lit­er­atura brasileira fique mais con­hecida no estrangeiro e para que a quan­ti­dade de livros traduzi­dos aumente. Pas­sam os anos e, fora do Brasil, o escritor brasileiro mais con­hecido con­tinua a ser Jorge Amado. Muitos leitores estrangeiros não sabem, por exem­plo, que Paulo Coelho é brasileiro. Um esforço para que a lit­er­atura brasileira fique mais con­hecida e mais acessível a quem vive fora do Brasil está tam­bém a ser feito pelo Insti­tuto Itaú Cul­tural.
Além de ter cri­ado a Enci­clopé­dia Vir­tual da Lit­er­atura Brasileira, está a con­struir um banco de dados ded­i­cado ao alcance da lit­er­atura brasileira no estrangeiro: é o Conexões. Mas vamos por partes.
A Enci­clopé­dia Vir­tual da Lit­er­atura Brasileira está integrada na série de enci­clopé­dias que o Itaú Cul­tural man­tém “on-line” (Artes Visuais, Arte e Tec­nolo­gia, Super-8 e Teatro). No por­tal é pos­sível ficar a saber-se que um dos escritores brasileiros mais pesquisa­dos é Fer­nando Caio Abreu (1948–1996), o autor de “Onde Andará Dulce Veiga?”. Além de infor­mações biográ­fi­cas e bib­li­ográ­fi­cas, há um “comen­tário crítico” à obra, uma cronolo­gia; dali se acede a fontes de pesquisa, e lis­tas das primeiras edições e traduções. O esquema repete-se nas out­ras entradas de escritores e em alguns casos há mate­r­ial audio­vi­sual com entre­vis­tas, depoi­men­tos ou leituras.
O pro­jecto Conexões Itaú Cul­tural Mapea­mento Inter­na­cional da Lit­er­atura Brasileira existe desde 2008.
Surgiu de uma con­versa entre o jor­nal­ista Claudiney Fer­reira, do Insti­tuto Itaú Cul­tural, e o académico João Cezar de Cas­tro Rocha sobre a Enci­clopé­dia Vir­tual de Lit­er­atura. O académico afir­mou que este seria um instru­mento óptimo para os inves­ti­gadores espal­ha­dos pelo mundo e o jor­nal­ista lembrou-se de lhe per­gun­tar: “Mas quem são essas pes­soas e o que fazem?”. Foi assim que foi cri­ado o pro­grama Conexões. Começaram por pesquisar no Google. Rap­i­da­mente encon­traram 1200 pro­fes­sores, out­ros tan­tos tradu­tores e jor­nal­is­tas estrangeiros que escrevem sobre lit­er­atura brasileira.
Enviaram-lhes um ques­tionário longo, de 25 per­gun­tas, para saber onde tra­bal­ham, quais são os seus temas, o que lhes inter­essa na lit­er­atura brasileira, quem são os seus autores de refer­ên­cia; quem são os seus críti­cos literários e ensaís­tas de refer­ên­cia. Entre os 200 mapea­dos até agora neste pro­grama, 112 são de uni­ver­si­dades estrangeiras de 35 países. De Por­tu­gal estão rep­re­sen­ta­dos Arie Pos, Arnaldo Saraiva, Clara Row­land, Petra Petrac e Vânia Pin­heiro Chaves. O Conexões tem um blogue e o banco de dados “on-line” pode ser ace­dido através dele. Há umas sem­anas, o pro­jecto foi apre­sen­tado ao escritor João Gilberto Noll. Quando entrou no sis­tema, perce­beu que exis­tiam 32 mapea­dos a tra­bal­har na sua obra. Só con­hecia quatro.

Enci­clopé­dia Vir­tual de Lit­er­atura Brasileira
http://itaucultural.org.br/literatura/

Conexões — Mapea­mento da Lit­er­atura Brasileira no Exterior

 http://conexoesitaucultural.org.br/

(crónica pub­li­cada no caderno ípsilon de 29 de Julho de 2011)

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