Carlos da Veiga Ferreira, “back in town again”

(Carlos da Veiga Ferreira nos Prémios Ler/ Booktailors 2009-2010, no Correntes d’Escritas)

O editor Carlos da Veiga Ferreira, o ex-editor da Teorema e do grupo Leya, está de regresso com a Teodolito, uma chancela que pertence à Afrontamento.

Em Dezembro do ano passado, o editor da Teorema saiu do Grupo Leya e há um mês e meio recebeu um telefonema da editora Afrontamento que lhe propunham criar uma chancela. “É gente que eu conheço há trinta anos, são os proprietários da tipografia onde imprimi todos os meus livros até vender a Teorema. E nessa chancela irei publicar ficção e ensaio estrangeiro não quer dizer que não publique também alguns portugueses”.
O nome da nova chancela é Teodolito, um instrumento que serve para as coordenadas dos lugares. Quando lhe perguntam por que se chama Teodolito, Carlos da Veiga Ferreira responde com uma história de Herberto Helder. “Havia um poeta meritório, que já morreu há muito tempo chamado António de Sousa e mostrou vários poemas ao Herberto Helder. A determinada altura havia um verso que dizia qualquer coisa ‘noite inconsútil’ e o Herberto perguntou-lhe: O poema é giro mas António você sabe o que é ‘inconsútil’ ? E o António respondeu: ‘Não sei nem me interessa mas é uma palavra muito bonita.’ Eu sei o que é um teodolito e foi por causa disso e também remete para um texto brilhante do Luiz Pacheco que se chamava ‘O Teodolito’.”, explica o editor.
Acaba de sair na Teodolito o livro “O Prazer da Leitura”, e vem na sequência de outros que o autor fez com a Fnac para comemorar o Dia Mundial do Livro com contos de autores portugueses. Neste ano este livro tem cinco contos de Ondjaki, Afonso Cruz, Onésimo Teotónio de Almeida, Ricardo Adolfo, Dulce Maria Cardoso ilustrados por António Jorge Gonçalves. “Isto marca o aparecimento oficial da Teodolito, mas na realidade vou começar a publicar em velocidade de cruzeiro em Outubro.”
Carlos da Veiga Ferreira tem alguns autores pensados mas ainda não tem nada definitivamente estabelecido. “É evidentemente que irei tentar recuperar autores que tinha, outros estão presos por contratos por cinco ou seis anos, como Borges ou Calvino que tinha renovado para a Teorema o ano passado. Só que o mundo está cheio de bons livros. Perdeu-se um livro? Paciência. Há mais livros! E tenho a certeza de conseguir fazer uma coisa que não desmereça o que fiz na Teorema.” Aos editores e agentes literários com quem por esse mundo fora tem trabalhado há anos, Carlos da Veiga Ferreira já ligou a dizer: “I’m back in town again!”

(notícia publicada no Ípsilon de 22 de Abril de 2010)

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