A editora muito boa

(fotografia retirada do primeiro post do Blog da Cotovia)

Ciberescritas
Isabel.Coutinho@publico.pt

Há editores e editores, editoras e editoras. A Cotovia é uma editora de editores. Quem vive em Lisboa sabe que, entre o Chiado e o Bairro Alto, num rés-do-chão por onde se passeia um gato, fica a Livros Cotovia. É a livraria onde se podem comprar clássicos com traduções impecáveis, livros de poesia, colecções de teatro, todos os títulos do curso breve de literatura brasileira, ensaios e até ficção de desconhecidos que, depois de ali publicarem, entraram na história da literatura portuguesa. Neste ano novo, a Cotovia inaugurou uma livraria online. Ali, os leitores têm a possibilidade de ler as primeiras páginas de títulos recentes. É o caso de “Entre árabes e judeus”, da jornalista Helena Salem, que em Outubro de 1973 foi cobrir a chamada guerra do Yom Kippur. Podemos ler as primeiras 16 páginas e até partilhá-las em redes sociais, mandar por email ou integrar num blogue. “O que significa ser uma menina judia, de nome árabe, a viver num país católico a frequentar escola protestante? O que significa ser uma jornalista brasileira, de origem judaica, a cobrir uma guerra árabe-israelense, nos países árabes e com posições solidárias aos palestinianos?” Mas as novidades não ficam por aqui. Em Janeiro, a editora Fernanda Mira Barros inaugurou o Blog da Cotovia com um “post” onde explicava que tinha decidido concentrar-se numa ideia simples: “Esta: A Cotovia é uma editora muito boa.” E continuava: “Não me fica bem dizer isto, é claro, trabalhando nela e para ela há 20 anos, mas a humildade é uma virtude que em excesso se torna defeito. E, sem mim, a Cotovia seria tão boa como é, portanto estou à vontade.” Quem se dispuser a acompanhar o blogue da editora “muito boa”, terá a sorte de ler textos inéditos dos seus autores (para já, Jacinto Lucas Pires, António Pinto Ribeiro, Tatiana Salem Levy, Luís Quintais, Daniel Jonas), e ficará informado sobre as novidades.
Também André Fernandes Jorge, editor da Cotovia, publicou um texto no blogue a propósito da nova colecção Judaica, onde está incluído o livro de Salem: “Não me recordo quando começou o meu interesse pelo judaísmo. De muito pequeno, com certeza. Talvez venha da admiração que o meu Pai tinha pelos judeus. E de ele dizer aos filhos, sem que percebêssemos porquê, que éramos diferentes. Desde muito cedo terei ficado com essa noção de que havia uma diferença na família. Depois, na adolescência, claro, tudo isso se tornou insuportável: eu não queria ser diferente de nada nem de ninguém na vida”. “Sinto que é necessário recordar sempre os grandes crimes contra a humanidade. Todos. Esta colecção vem daí, dessa minha necessidade tornada convicção”, afirma o editor.
A equipa da Cotovia e os seus autores estão agora mais perto de nós. Neste Inverno frio, vem mesmo a calhar.

Blog da editora Cotovia
http://blogdacotovia.blogspot.com/

Livraria e editora Cotovia
http://www.livroscotovia.pt/

Twitter
http://twitter.com/livroscotovia

(crónica publicada no caderno Ípsilon, do jornal PÚBLICO de 4 de Fevereiro de 2011)

3 comentários a A editora muito boa

  1. Pingback: Cotovia, uma editora de editores | Autores e Livros

  2. Pingback: Livros nos média – 33 « Animal Civilizado

Deixar um comentário