Os e-books do senhor Wylie

Ciberescritas
Isabel.Coutinho@publico.pt

É assim que eles se apresentam: “As edições Odyssey são uma empresa de publicação de e-books destinada a levar clássicos de ficção e de não-ficção para os leitores a uma escala global.” Quando chegamos agora ao “site” das Odyssey, somos informados de que os seus autores disponíveis são Saul Bellow, Jorge Luis Borges, William S. Burroughs, Louise Erdrich, Norman Mailer, Oliver Sacks e Evelyn Waugh.

Há um mês não era assim.

Tudo começou quando Andrew Wylie, o mais famoso agente literário norte-americano, que representa cerca de 700 autores, abriu um “site” onde disponibilizou 20 títulos, antigos, de fundo de catálogo, de alguns dos mais importantes autores que agencia. Estavam lá obras como “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth, “A Cidadela Branca”, de Orhan Pamuk, “Filhos da Meia-Noite”, de Salman Rushdie, “London Fields”, de Martin Amis, a trilogia do Coelho, de John Updike, e “Lolita”, de Nabokov.

No “site”, estes livros podiam ser comprados através de um “link” que nos enviava para a loja Kindle da Amazon. Os eBooks não podiam ser adquiridos em mais sítio nenhum, nem noutro formato. Andrew Wylie tinha feito um acordo exclusivo com a empresa norte-americana.

Isso enfureceu muita gente, porque o formato Kindle só pode ser lido em aparelhos comercializados pela Amazon ou, então, com a ajuda da aplicação desta empresa para telemóveis como o iPhone e o Blackberry ou para computadores (PC ou Mac) que tiverem instalado o programa disponibilizado gratuitamente. As obras ficariam à venda exclusivamente na loja Kindle durante dois anos a 9,99 dólares (o preço normal seria 15) e assim era excluída a leitura em qualquer outro aparelho.

Quem não ficou nada contente com isto foi a editora norte-americana Random House.
Enviou à Amazon uma carta a contestar o direito de Andrew Wylie poder vender estes títulos alegando que estavam sujeitos a contratos activos com ela. O passo seguinte foi ameaçar Andrew Wylie considerando-o um “concorrente directo”: não iriam fazer nenhum negócio de direitos para língua inglesa com a sua agência até que a questão estivesse resolvida.

Wylie defendia-se dizendo que os contratos dos direitos destes livros tinham sido assinados antes de 2000, altura em que ainda não havia uma cláusula específica para os direitos digitais. Um mês depois, Andrew Wylie e o grupo editorial Random House sentaram-se a uma mesa e chegaram a acordo quanto aos direitos de e-books de fundo de catálogo. O agente literário, e agora editor, retirou do “site” da Odyssey vários dos e-books disponíveis. Ficaram só sete livros dos 20 anteriores.

Apesar disso, vale a pena navegar no “site” das Odyssey por causa das informações úteis sobre os livros que vendem. Por exemplo, na secção do e-book “The Adventures of Augie March”, de Saul Bellow, é possível ler um excerto, um texto de Philip Roth sobre Bellow e ainda ver páginas do manuscrito. O mesmo acontece com outras obras. Estão lá pedaços dos manuscritos de Louise Erdrich, Oliver Sacks e Norman Mailer, entre outros.

Edições Odyssey
http://www.odysseyeditions.com/

The Wylie Agency
http://www.wylieagency.com/

(crónica publicada no suplemento ípsilon, do jornal PÚBLICO, de 3 de Setembro de 2010)

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