Digital “versus” impresso

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

É uma batalha perdida? Os seres humanos lêem mais rapidamente um livro de ficção impresso do que a mesma obra no iPad ou no Kindle. Foi esta a conclusão a que chegou um estudo feito pela empresa de consultadoria Nielsen Norman Group: o tempo de leitura nestes aparelhos digitais é menor do que era no passado, mas não é menor do que quando se lê em papel.

Foi o dinamarquês Jakob Nielsen, especialista em usabilidade dos produtos informáticos e um dos directores desta empresa, que divulgou algumas das conclusões deste estudo na sua coluna “Alertbox” (é publicada no seu “site” duas vezes por semana). Há uns meses, quando o iPad foi lançado, Jakob analisou várias das aplicações disponíveis para o novo “tablet” da Apple.

Quis ver se elas se adaptavam convenientemente ao objectivo para que foram concebidas.

Mais recentemente, Jakob Nielsen quis saber se a velocidade de leitura variava consoante o aparelho em que se lia. O investigador sabia de antemão que é muito melhor ler um livro de ficção deitado num sofá com um “tablet” nas mãos do que estar sentado a uma secretária a ler, o mesmo livro, num computador. Mas será que os “tablets” computadores pessoais que podem ter ecrãs tácteis e são mais portáteis do que os outros são tão bons para ler como um livro impresso? Para o descobrir, a equipa do Nielsen Norman Group fez um estudo sobre a leitura de obras de ficção em dois dos mais famosos aparelhos electrónicos: o iPad da Apple (aparelho ainda na primeira geração) e o Kindle da Amazon (já na segunda geração).

Deixaram de lado a leitura de páginas na Internet e de jornais e concentraram-se na leitura de uma narrativa linear: a leitura de uma ficção com princípio, meio e fim.

No iPad o texto de ficção era lido com a ajuda da aplicação gratuita e instalada de origem, iBook. Os investigadores concentraram-se só na velocidade de leitura, não testaram se essas aplicações eram fáceis de usar pelos utilizadores.

Pediram a cada um dos 24 participantes deste estudo que lesse um conto do escritor norte-americano Ernest Hemingway num computador, num iPad, num Kindle e num livro impresso. Escolheram Hemingway por considerarem que a sua leitura é cativante e não muito difícil. A leitura do conto demorava em média 17 minutos e 20 segundos. Menos tempo do que se demora a ler um romance ou um livro de estudo, mas mais tempo do que a leituras que as pessoas costumam fazer quando estão na Internet. No final da leitura os participantes tinham que responder a um questionário com perguntas sobre o que acabaram de ler. Chegaram à conclusão de que a compreensão do texto era boa em todas as plataformas.

Venham então os números: a velocidade de leitura do conto do Hemingway num iPad foi mais baixa em 6,2 por cento do que a velocidade atingida por um leitor do mesmo conto num livro impresso. Quando a leitura do conto passou a ser feita no Kindle, a velocidade de leitura ainda foi mais baixa em 10,7 por cento, quando comparada com o tempo que demora a ler impressa.

No final, os investigadores perguntaram aos participantes do estudo qual era o grau de satisfação que sentiam em relação à leitura nestes aparelhos. A pontuação ia de 1 a 7. Em média o iPad teve 5,8 pontos (apesar de as pessoas se queixarem de que era pesado); o Kindle (5,7 pontos), o livro impresso (5,6) e a leitura no computador foi a pior classificada (3,6). Ler em papel foi considerado mais relaxante do que ler em aparelhos digitais e ler no computador é desconfortável, não dá prazer, porque lembra o trabalho.

Jakob Nielsen
http://www.useit.com/

(crónica publicada no suplemento ípsilon do jornal PÚBLICO)

Um comentário a Digital “versus” impresso

  1. O prazer ainda é maior para ler em livro impresso, mas tenho sentido uma grande vantagem na portabilidade do Kindle. Sempre comigo na bolsa, me oferece diferentes opções quando sobra aquele tempinho para um café ou na sala de espera de algum consultório.

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