Novos autores portugueses na Leya

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Os escritores João Tordo, Miguel Real e Vasco Luís Curado lançam romances na Leya e são os primeiros a ser editados por Maria do Rosário Pedreira, que foi contratada pelo grupo para editar novos autores portugueses.

A editora Maria do Rosário Pedreira foi contratada no final do ano passado pela Leya para ser a editora de novos autores portugueses no grupo. Os primeiros livros daquela que foi responsável por lançar escritores como José Luís Peixoto, valter hugo mãe e João Tordo (todos Prémio José Saramago) quando estava nas editoras Temas & Debates e QuidNovi, começam a ser publicados a partir de Junho na colecção de Autores de Língua Portuguesa, da chancela Dom Quixote.

“O Bom Inverno” é o título do novo romance de João Tordo que será editado na Leya em Setembro. E “As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia”, a nova novela de Miguel Real, sairá na Leya em Outubro deste ano. Em Junho, chegará às livrarias “A Vida Verdadeira”, o romance estreia de Vasco Luís Curado, que, até ao momento, apenas havia publicado, em pequenas editoras, “A Casa da Loucura” (1999), e “O Senhor Ambíguo” (2001).

Neste romance de Vasco Luís Curado, um homem que está a vender a casa de família e recorda os tempos que ali passou. Foi pela “linguagem extraordinariamente rica e cuidada” de “A Vida Verdadeira” e pela sua “galeria de personagens que oscila entre o trágico, o cómico e o absurdo” que a editora apostou neste romance. “O romance é muito bom, tem uma linguagem muito bonita e tem assunto”, explica Maria do Rosário Pedreira, que vê neste autor “uma maturidade literária enorme”. O livro fala do prolongamento da adolescência por causa de os jovens viverem em casa dos pais até muito tarde e das cidades que vão crescendo para os subúrbios enquanto estes avançam para o campo. “É um livro muito profundo”, acrescenta Rosário Pedreira. Vasco Luís Curado já tem um outro romance escrito, “é uma pessoa que vai ter obra e que acredito que vai dar que falar”, diz.

O regresso de João Tordo, depois do Prémio José Saramago de 2009, faz-se com um romance cujo narrador é um escritor “frustrado e hipocondríaco”, que viaja até Budapeste para um encontro literário, e “está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar”. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, que o convence a ir numa viagem da Hungria até Itália. “É o estilo de João Tordo (mais próximo da literatura anglo-saxónica do que da tradição portuguesa) com mais terror e «suspense» que o seu romance anterior. A história vai em crescendo e é muito bem feita”, afirma a editora.

“As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia” é uma novela de Miguel Real, Prémio Jacinto do Prado Coelho 2009, que cruza a ficção à volta de um espólio (o de Salazar) com o que poderiam ter sido as memórias da rainha D. Amélia.

Neste manuscrito, a Rainha D. Amélia retrataria a sua vida em doze pequenos capítulos, “um documento pungente, doloroso e comovente, fortemente crítico de Portugal e dos Portugueses, permanentemente iludidos pelas artimanhas de elites ineptas e ignorantes.”

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