Também as queremos cá

granta5serrote4

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

A primeira vez que alguém me falou da “Serrote” pensei que era uma brincadeira. Quem daria o nome de “Serrote” a uma revista literária? Mas no ano passado, na Festa Literária Internacional de Paraty, no Brasil, a “Serrote” andava nas mãos de toda gente. Não era a revista, que é encadernada, lembra as nossas “Colóquio Letras” ou “Relâmpago”; era um encarte colorido feito de propósito para assinalar aquela edição da FLIP com umas ilustrações muito divertidas.

Publicada pelo Instituto Moreira Salles, a revista foi buscar a inspiração a publicações como a britânica “Granta”, a americana “The Virginia Quarterly Review” e a franco-americana “The Paris Review”. A fasquia foi colocada bem alto. Na verdade, a ideia de criar esta revista nasceu das conversas entre o escritor Rodrigo Lacerda, o académico Samuel Titan Jr. e os jornalistas Flávio Pinheiro e Matinas Suzuki, que sentiam que os textos ensaísticos de grande fôlego tinham desaparecido dos suplementos culturais da imprensa brasileira.

Por isso a revista pretende ser “um dos veículos que promovem a recuperação do prestígio do ensaio mais pessoal na cultura brasileira”. Nas suas páginas são muitas vezes reproduzidas obras de arte e fotografias quase sempre inéditas no Brasil -impressas num papel especial (de muito boa qualidade).

Mesmo que ao leitor não apeteça ler os textos publicados na revista, ficará sempre rendido ao grafismo e às suas imagens. A “Serrote” é quadrimestral (sai em Março, Julho e Novembro) e além dos ensaios, de autores brasileiros e estrangeiros, que costumam falar sobre arte e cultura em geral, também publica textos sobre política, ciência, desporto e questões de actualidade.

A “Serrote” brasileira está no seu quarto número. A capa e a contracapa desta “Serrote” foram desenhadas pelo artista português Jorge Colombo, radicado nos EUA há duas décadas. “O artista foi à praia de Coney Island no início de Fevereiro e, tremendo de frio por causa do rigoroso inverno setentrional, fez com o dedo em seu iPhone, usando o aplicativo Brushes, as ilustrações que envolvem esta edição”, explicam no “site” dedicado à “Serrote”. Neste último número também se pode ler, por exemplo, um ensaio do crítico de arquitectura Guilherme Wisnik e de Heloisa Lupinacci sobre o futuro urbanístico de Coney Island a praia e o parque de diversões frequentados por milhões de norte-americanos nas primeiras décadas do século XX.

Agora os brasileiros também têm a “Granta”. Considerada a melhor revista literária do planeta, está a ser publicada em português pela Alfaguara, que no Brasil é a editora de António Lobo Antunes e de João Ubaldo Ribeiro. A “Granta” brasileira já vai no número cinco e o último tem como tema a família (“Família -Eles ferram com Você?”). A revista pede a escritores do país onde é publicada que escrevam sobre determinado tema. 60 por cento dos seus textos são traduzidos das edições britânicas e espanholas e 40 por cento são textos inéditos de brasileiros. Por cá será que um dia a Alfaguara se lembrará de publicar a “Granta” Portugal? Nós queremos.

Serrote
http://ims.uol.com.br/A-revista/D166

Granta brasileira

http://www.objetiva.com.br/

(crónica publicada no suplemento Ípsilon, do PÚBLICO de 23 de Maio de 2010)

Esta entrada foi publicada em Ciberescritas, Ípsilon com os tópicos , . Guarde o href="http://blogues.publico.pt/ciberescritas/2010/05/07/tambem-as-queremos-ca/" title="Endereço para Também as queremos cá" rel="bookmark">endereço permamente.

Deixar um comentário