Dar a volta ao texto

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Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

Andam à nora por causa do acordo ortográfico? Na Internet já há ferramentas capazes de nos ajudarem. Uma delas é o Conversor para o Acordo Ortográfico da FLIP – Ferramentas para a Língua Portuguesa, da Priberam. É um serviço gratuito on-line, um conversor para o Acordo Ortográfico, tanto para português europeu quanto para português do Brasil.
A partir da janela disponível no ecrã, o utilizador pode digitar as palavras ou as frases (até ao limite de 3000 caracteres) que pretende converter. Pode também seleccionar a variedade de português em que estas estão escritas (Brasil ou Portugal) e visualizar as modificações propostas.

Dizem que se trata de uma versão de demonstração e que não apresenta todas as funcionalidades do conversor incluído no FLiP 7, o software que a empresa vende com ferramentas linguísticas. Mas já é uma ajuda. Avisam que os critérios do FLiP relativamente ao Acordo Ortográfico estão disponíveis para consulta e que quem quiser pode ir à secção online sobre o Acordo Ortográfico de 1990 e a sua aplicação. Aí podemos ficar a saber várias coisas sobre os ditongos, por exemplo: “Os ditongos orais, que tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, distribuem-se por dois grupos gráficos principais, conforme o segundo elemento do ditongo é representado por i ou u: ai, ei, éi, ui; au, eu, éu, iu, ou; braçais, caixote, deveis, eirado, farnéis (mas farneizinhos), goivo, goivar, lençóis (mas lençoizinhos)1, tafuis, uivar; cacau, cacaueiro, deu, endeusar, ilhéu (mas ilheuzito), mediu, passou, regougar.” E outras coisas mais.

Fizemos uma experiência. Fomos buscar uma crónica de Alexandre O’Neill publicada no livro “Já cá não está quem falou” da Assírio & Alvim que tem por título “Senhor conde, estarei a sumir em português de lei?” e colocámos no Conversor para o Acordo Ortográfico.
“O policiamento da língua é uma bonita actividade; a denúncia das transgressões cometidas à Sociedade de Língua Portuguesa é o cúmulo do zelo. Agora que o senhor conde chame às histórias de quadrinhos uma praga é que é insuportável. As histórias de quadrinhos têm ajudado muita gente a aprender português, senhor! Mais ainda: têm ajudado muito homem a aprender a ‘ser’ português!” E lá veio o texto corrigido: “O policiamento da língua é uma bonita (actividade) atividade (…)” e por aí fora.

Está também on-line um corrector ortográfico e o corrector sintáctico (apenas com sugestões, sem explicação gramatical dos erros) para português europeu, para português do Brasil e para espanhol (em ambas as variedades da língua portuguesa é possível usar as versões com e sem o Acordo Ortográfico de 1990).

Outro dos sites imprescindíveis é o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa da equipa de José Mário Costa.
O cibernauta pode escolher no canto superior direito se quer ler o texto de acordo com a ortografia de 1945 ou de acordo com a de 1990, seleccionando a opção correspondente. O Ciberdúvidas está a publicar os textos em dupla grafia desde 15 Janeiro. Contam que o escritor José Eduardo Agualusa está a escrever um romance cuja “história passa pelos diferentes países de língua oficial portuguesa, e o pano de fundo é o Acordo Ortográfico”.
“Este Acordo dava um romance”, escrevem. Pois dava.

FLIP – Ferramentas para a Língua Portuguesa
http://www.flip.pt/


Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

http://www.ciberduvidas.com

(crónica publicada no suplemento ípsilon do jornal PÚBLICO de 26 de Fevereiro de 2010)

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