Já te apanho no Facebook

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(por causa de andar a pensar nas palavras da década fui desencantar isto no meu baú. ainda não existia este blogue quando a crónica foi publicada no jornal: vão seguir-se outras)

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

De repente, de repente, podemos ter uma catrefada de amigos pendurados no Facebook.

A pergunta da praxe num final de conversa com alguém que passou pela nossa vida e quem sabe se alguma vez voltará a passar é: “Estás no Facebook?”. Claro que os amigos que vemos todos os dias nos mandam dar uma grandessíssima volta (ao bilhar grande) se os convidarmos para o nosso “quintalinho” no Facebook. Mas não há nada como poder espiolhar o que amigalhaços que vivem noutro continente andam a fazer na vidinha deles, ou seja, no Facebook.

Mas para que serve o raio do Facebook? Dizem que serve para estar em contacto com amigos e família, para partilhar fotografias e vídeos, para se retomar o contacto com antigos colegas da escola, discutir interesses e hobbies, planear e organizar festas e outros eventos.

O Facebook é que está a dar, o MySpace já era. Isto porque no Facebook, que é também uma rede social como o Orkut ou o MySpace, a grande vantagem é ser possível controlar quem tem acesso e a quê no nosso quintalinho quem vê as nossas fotografias, vídeos, as mensagens que temos na rede. Para alguém ver o nosso perfil, temos que o aceitar.

É possível através do Facebook fazer actualizações no nosso blogue (se o tivermos), no flickr (as nossas fotos), colocar “bookmarks” no “del.icio.us”, actualizar o “twitter” ou ter acesso através de “RSS Feeds” a novidades em “sites” de notícias. Quando se faz “login” para entrar no Facebook aparecem os “feeds” dos nossos amigos na rede e as alterações que eles foram fazendo ou aquilo que adicionaram ao seu quintalinho. É assim que sabemos constantemente o que andam a fazer. E se o nosso “browser” for o Flock em vez do Internet Explorer, o espiolhar torna-se uma brincadeira de crianças.

No quintalinho Facebook somos verdadeiramente “nós”. Estão ali espelhados os nossos gostos, o que gostávamos de ter, aquilo que temos. É o sonho de qualquer “marketeer”. O mundo editorial não podia ficar de fora de semelhante coisa. Das 5 mil aplicações do Facebook, 125 estão relacionadas com livros.

Ao perfil podemos adicionar a Visual Bookshelf. Esta aplicação permite procurar na Amazon (a livraria online) o que estamos a ler, o que já lemos e aquilo que queremos vir a ler. Se os nossos amigos adicionaram a aplicação (aparecem mencionados como “friends who read”) sabemos o que andam a ler, a que velocidade lêem, o que acharam de determinado livro. Podemos fazer comentários aos livros que eles andam a ler, descobrir livros novos e ir directamente à Amazon comprá-los.

Depois há o GoodReads, parecido com a aplicação anterior mas onde se procuram “Autores” que têm livros publicados e estão inscritos no GoodReads. Mais uma vez: serve para espiolhar o que eles andam a ler. E o Book iRead permite “atirar” livros à cara dos amigalhaços. É possível adicionar ao perfil os livros que temos na Shelfari ou na LibraryThing (sítios onde catalogamos a nossa biblioteca e conhecemos pessoas que lêem o mesmo que nós).

Estão a ver porque é que rapidamente temos uma catrefada de amigos no Facebook. É tão fácil dizer: “Já te apanho no Facebook”. E não é que apanhamos mesmo? Espiolhamos tudo.

Facebook

http://www.facebook.com/

Flock

http://www.flock.com/

(crónica publicada no dia 14 de Março de 2008 no suplemento Ípsilon do jornal PÚBLICO)

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