A dar com um pau

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

E de repente, não mais que de repente (como dizia o poeta brasileiro), não sabemos para onde nos virar. Leitores de livros electrónicos parecem nascer como cogumelos, todos os dias aparece a notícia de mais um.

Primeiro foi a Amazon.com a anunciar que conseguiu transformar o seu Kindle num aparelho que funciona em mais de 100 países no mundo. Este leitor de livros electrónicos (para onde se podem descarregar os livros comprados em 60 segundos sem se necessitar de mais nada além de um cartão de crédito) até aqui só funcionava plenamente em território norte-americano e só era enviado para moradas nos EUA. Mas desde 19 de Outubro que está a ser comercializado para todo o mundo. A empresa de Jeff Bezos aproveitou para fazer este anúncio da sua expansão à escala global mesmo antes da Feira de Frankfurt e isso não foi inocente. A discussão à volta dos e-books foi o assunto desta feira, onde se reuniram editores de todo o mundo.

Depois foi a vez da Google anunciar, na conferência do Tools of Change for Publishing da O’Reilly (que pela primeira vez se realizou em Frankfurt), os seus planos para o próximo ano com o lançamento da Google Editions. A partir de Junho na Europa a Google venderá o acesso online a livros. Não só às obras que ao longo dos anos tem vindo a digitalizar, mas também aos livros que acabam de sair para o mercado, as novidades.

Na era do “cloud computing” esses livros ficarão guardados algures online, na tal chamada “nuvem”, e cada leitor poderá, depois, ler onde quiser (não necessita de ter um aparelho que só sirva ler livros em formato digital).

Poderemos ler um livro que comprámos à Google num televisor, num computador, num iPhone, num leitor de livros electrónicos que tenham uma ligação à Net activa.

A Amazon também esteve presente na Feira de Frankfurt e aproveitou para conversar com editores para conseguir ter disponíveis na sua loja online obras escritas nas línguas dos países onde agora vai funcionar o Kindle.

Segundo o jornal “Folha de São Paulo”, negociou já com a editora brasileira Ediouro o lançamento do novo romance de Rubem Fonseca, “O seminarista”, numa versão para ser lida no Kindle. Deverá estar disponível a partir de 5 de Novembro, uma semana depois do livro impresso estar nas livrarias brasileiras.

Em Frankfurt, o editor português da Caminho, Zeferino Coelho, também divulgou ao Ípsilon que os contratos que tem assinado para a venda de direitos de alguns dos seus autores já prevêem a publicação em formato digital. José Saramago é um deles.

Até ao final do ano e no próximo ano o mercado vai ser inundado por mais leitores de livros electrónicos. Esta semana foi a vez da cadeia de livrarias norte-americana Barnes and Noble anunciar o lançamento do e-reader Nook. Tem o tamanho de um livro de bolso parece que alguém se lembrou de juntar um iPod e um Kindle.

Custará 259 dólares, terá um ecrã sensível ao toque e pelo menos uma parte do ecrã é a cores (aquela onde se podem ver as capas dos livros, não aquela onde se lê a obra). A novidade é que este leitor de livros electrónicos permite que se emprestem livros aos amigos. Quem tem um Nook pode emprestar durante 14 dias um livro electrónico que comprou e já leu. O amigo pode ler o livro num Nook, se também tiver um, ou num computador. É giro, não é?


O ‘Reilly Tools of Change (TOC)

http://www.toccon.com/toc2010

Nook da Barnes & Noble

http://www.barnesandnoble.com/nook/

(publicado no suplemento ípsilon de 23 de Outubro de 2009)

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