Vampiros, zombies e thrillers suecos vão invadir as livrarias portuguesas

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© Frankfurt Book Fair / Peter Hirth

A Feira do Livro de Frankfurt foi uma feira de remakes. Desapareceram os livros de celebridades mas continuam os vampiros e os autores de policiais escandinavos. Uma feira mais calma fez com que se desse mais importância a autores literários

As bruxas, os vampiros e os demónios (sem esquecer os zombies) andaram à solta na Feira do Livro de Frankfurt. A obra de ficção mais falada durante os cinco dias da feira, onde se compram e se vendem direitos, foi The Discovery of Witches, de Deborah Harkness. Esta obra mistura os ingredientes dos livros de Dan Brown (O Código Da Vinci), de J.K. Rowling (Harry Potter) e de Stephenie Meyer (Crepúsculo), é o primeiro de uma trilogia e vai ser publicado em Portugal. Na feira estava a ser negociada também a sua adaptação ao cinema.

A história conta-se rapidamente: uma mulher que descende de uma família de bruxas encontra um livro que tem poderes mágicos numa biblioteca. Ao lê-lo a sua percepção do mundo muda e ela consegue ver outras espécies (além dos humanos). E? Ora adivinhem lá: apaixona-se por um vampiro.

“A feira deste ano foi como a feira de um mau ano de Hollywood: sobretudo remakes“, diz José Prata, editor da Caderno e da Lua de Papel. “E os remakes foram quase todos de vampiros (que já chegaram a Portugal em força) e de zombies (que vão chegar em breve). Alguns dos livros mais fortes, como The Radlleys (Canongate) inscreviam-se na tendência vampiresca; e até agentes insuspeitos, como a agência Wylie, os tinham (se bem que, neste caso, seja uma sátira à moda).”

Os editores da Presença também notaram esse reforço na temática dos vampiros. “Agentes e editoras procuram the next big thing e, enquanto não surge, proliferam séries, trilogias, sagas e livros isolados com estes protagonistas”, explica o departamento editorial. “A ficção escandinava, impelida pelo sucesso de Stieg Larsson, mostrou-se também em força; uma dessas obras, Nefilim , um sucesso editorial na Suécia com direitos vendidos para vários países europeus, será publicada pela Editorial Presença.”

Era também de um sueco um dos livros mais falados nesta feira: The Destitutes of Lodz, de Steve Sem-Sandberg. Uma obra que mistura ficção e ensaio e é a história de Mordechai Chaim Rumkowski, um polaco judeu que os nazis colocaram à frente do campo de Lodz. Já foi comprado para Itália, Espanha e Brasil (Companhia das Letras). Há quem o considere muito melhor do que As Benevolentes, de Jonathan Littell, que há anos foi a sensação em Frankfurt.

E os suecos vieram mesmo para ficar. A Porto Editora comprou um livro que está há meses nos tops suecos, O hipnotista, de Lars Kepler. Já está vendido para mais de 30 países e há quem ache que vai ser o sucessor de Stieg Larsson e da sua trilogia Millennium. “Na verdade Lars Kepler é um pseudónimo que esconde por trás um homem e uma mulher. E ela é filha de uma portuguesa, apesar de já ter nascido na Suécia”, conta Manuel Alberto Valente.

Também a Casa das Letras vai publicar um autor nórdico, Jens Lapidus, autor da trilogia Stockholm Noire na feira adquiriu Ordinary Thunderstorms de William Boyd, “sobre um jovem professor que está no sítio errado, à hora errada, uma história contemporânea completamente diferente daquela a que estamos habituados neste autor.”

Zita Seabra, da Alêtheia comprou um dos thrillers mais badalados em Frankfurt Sympathy for the Devil, de Howard Marks que irá ser publicado em 2010 e coloca ao leitor o dilema: o que acontece quando um herói que nos salva a vida se vem a revelar um assassino e um criminoso? E a Civilização Editora conseguiu Snowdrops, de A D Miller.

Com a feira mais calma (com muito menos gente), mais contida e com menos estardalhaço houve o regresso de obras mais literárias. Trois Femmes Puissantes,de Marie NDiaye foi publicado pela Gallimard e é um dos candidatos a receber o Prémio Goncourt bem como Jan Karski, de Yannick Haenel editado pela mesma editora. Ambos foram adquiridos pela Teorema, de Carlos Veiga Ferreira, que também trouxe de Frankfurt o novo Bret Easton Ellis, Imperial Bedrooms, a sequela de Menos que Zero.

Mais Bolaño

João Rodrigues, da Sextante, garantiu os direitos de Point Omega o novo romance de Don DeLillo e de Little Bird of Heaven, de Joyce Carol Oates. A Quetzal continuará a publicar a obra de Roberto Bolaño (em Fevereiro sairá O Terceiro Reich) e garantiu o inédito Los Sinsabores del Verdadero Policia, que ainda não tem data de publicação prevista. “Gostaríamos que fosse a primeira tradução mundial”, diz Francisco José Viegas que também vai publicar a primeira tradução mundial de Cuerpos Divinos, de Guillermo Cabrera Infante. Em Frankfurt adquiriram também os três volumes da autobiografia de Henry Kissinger e o seu livro sobre a China.

O livro de não-ficção que causou sensação em Frankfurt foi Conversations with Myself, os diários de Nelson Mandela – cujo leilão atingiu valores estratosféricos e foi adquirido para Portugal pela Objectiva.

(texto publicado no caderno P2, do PÚBLICO de dia 25 de Outubro de 2009)

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