E ainda oferecem flores

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Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

Para que percebam que género de editora é a Cosac Naify basta dizer-vos que acaba de lançar “A Cultura do Romance”, o primeiro tomo da obra de cinco volumes “O Romance…” organizada pelo crítico Franco Moretti e que foi editada em italiano pela Einaudi em 2001/03. Só este primeiro volume tem mais de mil páginas, traz uma capa dura, tem um magnífico design gráfico, uma das marcas de qualidade desta editora brasileira.

Para que percebam ainda melhor até onde vai o nível do detalhe na Cosac Naify terei que revelar-vos que esta colecção tem nas capas imagens de “livros-objectos” criados especialmente para ela por artistas plásticos ligados ao universo do livro e da palavra impressa (já agora a capa deste primeiro volume é de Waltercio Caldas). O livro abre com Mario Vargas Llosa ( “É possível pensar o mundo moderno sem o romance?” ) e termina com Claudio Magris ( “O romance é concebível sem o mundo moderno?”). A resposta de ambos é: “não”. O próximo volume “As Formas” deverá ser publicado em Junho de 2010.

Alguns dos livros que a Cosac Naify publica estão distribuídos em Portugal mas agora a editora, fundada em 1996 por Charles Cosac e Michael Naify, inaugurou um portal onde está alojada uma loja virtual através da qual é possível comprar as suas obras. Enviam para o estrangeiro. Logo, para Portugal. E nas primeiras semanas de lançamento oferecem 10 por cento de desconto em compras online em todo o catálogo. Os livros são mostrados em três dimensões e há uma nova secção, “Raríssimos”, dedicada aos bibliófilos. Aqui podem encontrar-se livros cuja tiragem está praticamente esgotada e que não vão ter reedição. Está lá, por exemplo, a edição de “Kazuo Ohno” com mais de 100 fotografias ineditas de Emídio Luisi e organização de Inês Bogéa dedicada ao bailarino japonês. E ao lado da ficha do livro há um ícone que é um “link” para se ver uma prévisualização do livro no Google Books.

A Cosac Naify começou por se dedicar aos livros de arte (cinema, teatro, design, arquitectura, fotografia, dança, moda, monografias sobre artistas brasileiros e ensaios sobre história e teoria da arte).

Mas em 2001 ampliaram o catálogo e passaram a editar também obras clássicas da literatura universal, de autores contemporâneos e da literatura brasileira, além de ensaios de referência em filosofia, antropologia e crítica literária.

No “site” é possível consultar todo o catálogo, ver os prémios que receberam (e já vão sendo muitos para uma editora que tem só doze anos) e ler notícias, entrevistas a autores que foram feitas para o “site”, agenda de exposições. Fica-se a saber que vai ser publicado o livro de Maurice Sendak, “Where the Wild Things Are”, que o Presidente Obama leu a um grupo de crianças na Casa Branca, e foi colocado no “site” o vídeo com legendas e ainda o trailer do filme de Spike Jonze). Isto porque há uma colecção infanto-juvenil prestigiada, vários dos livros já receberam Prémios Jabuti.

Novidade é o Blog da Cosac Naify, com “posts” escritos pelos editores dos livros. E a determinada altura dá-se de caras com esta simpática frase: “Na estreia do novo portal, a Cosac Naify oferece flores a você. Aguarde.” Eu não sei, mas se calhar haverá por aí algo de Mario Bellatin (de quem a Cosac Naify publicou “Flores”).

Cosac Naify
http://editora.cosacnaify.com.br

Loja virtual
http://editora.cosacnaify.com.br/Loja/

Blog da Cosac Naify
http://editora.cosacnaify.com.br/blog/

(Crónica publicada no suplemento Ípsilon, do jornal PÚBLICO, no dia 16 de Outubro de 2009)

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Um comentário a E ainda oferecem flores

  1. o design da cosac é realmente algo muito peculiar, mas, para que se perceba o tipo de editora que ela é, precisa ir um pouco mais além. traduções duvidosas de textos mal revisados em material que ostenta um luxo mediano, muitas vezes deslocado do próprio texto, fazem da cosac uma editora quase kitsch no que diz respeito à publicação de literatura. eu, que fiz faculdade de letras aqui no brasil, várias vezes tive de recorrer a livros caros e que podem ser muito bonitos numa mesa de centro de sala de estar, mas que não fazem jus aos preços exorbitantes pelos quais são vendidos. a cosac colocou um novo paradigma de fetiche para o livro brasileiro, mas isso está longe de significar qualquer melhoria qualitativa no nosso mercado editorial. de qualquer modo, é sempre melhor ter opções do que não as ter, imagino.

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