Como seduzir a geração You Tube

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

Quando lemos um romance, as personagens imaginadas por outros vão-se personificando na nossa mente. Quando essas obras são adaptadas ao cinema, somos muitas vezes confrontados com actores que não têm nada a ver com o retrato das personagens que construimos. Pode ser decepcionante. Mas Anthony E. Zuiker, o criador e produtor executivo da série “CSI-Crime Scene Investigation”, parece não se ter assustado com isso.

Criou um projecto que, acredita, vai mudar a nossa maneira de consumir livros. Talvez até venha a revolucionar o mundo editorial.

Com “Level 26”, o nome deste projecto, Zuiker não deixa os seus leitores descansados. Dá-lhes 20 páginas de leitura e atira-lhes com vídeos de três minutos que podem ser vistos na página oficial do romance por quem esteja munido dos códigos que aparecem nos livros.

Esses vídeos têm actores a sério (que se reconhecem da TV) e são filmados a sério (não têm o ar rasca dos filmes sobre zombies que nascem na WWW). “Level 26” é um “CSI cocainado” (as palavras são do autor norte-americano).

Onde Sqweegel, um contorcionista enfiado num fato branco de latex (só com um fecho éclair na boca e buraquinhos nos olhos), é o “serial-killer” de serviço. Confusos? Vamos por partes.

Todo o “hype” à volta deste projecto começou na Book Expo America, em Maio, em Nova Iorque. No “stand” da editora Penguin um cartaz gigante anunciava o projecto. Chamavam-lhe uma “digi-novel”, um “digi-romance”, uma história que se cruza em várias plataformas. O primeiro de três volumes, “Level 26: Dark Origins” está à venda desde Setembro e foi escrito em conjunto com Duane Swierczynski (está programado sair um volume deste produto híbrido por ano). Pode ser comprado em versão impressa, em formato digital (e-book) ou em audiolivro com um DVD.

Está ligado a um “site” onde se podem ver vídeos que fazem avançar a acção. É uma experiência e uma ideia nova, que saiu da cabeça de Zuiker. “Trata-se de uma experiência interactiva, em que o leitor lê 20 páginas de um livro, liga-se à Internet, entra na página oficial do ‘Level 26’, insere lá um código e começam as ‘digital cyber-bridges’ (os tais vídeos de três a cinco minutos) que fazem avançar a narrativa. As pessoas vão ler e depois ver o filme, ler e ver, ler e ver…” Anthony E. Zuiker quis utilizar a web para ir mais longe do que podia ir na TV (disse numa entrevista ao site “Suicide Girls” que o primeiro dos “cyber-bridges” é um “snuff film”), como se se tratasse de uma experiência anti-televisão.

E pode até ser pedido ao leitor que dê o seu contacto telefónico para um dia poder receber uma chamada de uma das personagens. “Level 26” (o título tem uma explicação, os serial-killers são classificados em 25 níveis, e o desta história é o primeiro a ser classificado um nível acima) preza a interactividade com o leitor.

Level 26

http://www.level26.com/

(crónica publicada no suplemento Ípsilon, do jornal PÚBLICO, no dia 9 de Outubro de 2009)

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Um comentário a Como seduzir a geração You Tube

  1. Olá Isabel,

    Jamais eu compraria um livro desses. Um romance tem a coisa mágica de, pela narrativa, a gente ir compondo os cenários e as imagens das personagens. Algumas, eu as crio, com pessoas reais outras imaginárias baseadas nas descrições do autor.

    Nestas coisas sou conservador mesmo. Nada de Kindler nem pontes na NET.

    Bjos.

    Paulo

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