Em contagem decrescente até ao 2666

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

Faltam exactamente 17 dias, 10 horas, 40 minutos e 15 segundos. Mas quando estiver a ler isto já só faltarão 14 dias. [era assim quando esta crónica saiu no jornal] Este é o tempo que os leitores portugueses terão de esperar até chegar às livrarias portuguesas a monumental obra “2666”, do escritor chileno Roberto Bolaño que é publicada pela Quetzal.

Não é um livro como os outros. Roberto Bolaño sabia que ia morrer e por isso deixou instruções para que este romance fosse publicado dividido em cinco tomos, que correspondiam às cinco partes do romance. Queria assim salvaguardar o futuro económico dos seus filhos.

Mas os seus herdeiros optaram por publicar o livro num só volume e é assim que o livro também sairá em Portugal. Terá exactamente 1032 páginas, até ao Natal não nos faltará que ler.

Na Book Expo America 2007 quase não se falava de outra coisa além e este acabou por ser considerado por muitos como o livro do ano nos EUA. Por cá é muito provável que essa euforia à volta de Bolaño se repita com a publicação da obra, embora em Portugal o autor não seja um desconhecido. A Gótica editou “Nocturno Chileno” e a Teorema “Os Detectives Selvagens” e “Estrela Distante”. O lançamento de “2666” está programado para o dia 26 de Setembro com um evento a realizar na LXFactory, em Lisboa. Nesta festa de lançamento será vendida uma edição especial de “2666”.

Cada exemplar será impresso num papel diferente (de diversas cores) e terá uma sobrecapa que não constará das edições que irão para as livrarias. não haverá dois exemplares iguais. A festa continuará depois pela noite dentro no Music Box, no Cais do Sodré, e o DJ será o ilustrador Pedro Vieira (do blog irmaolucia).

Até lá, quem não estiver familiarizado com a obra de Bolaño pode ir sabendo umas coisas através do blogue 2666 que a editora portuguesa criou. Uma das minhas entradas preferidas é aquela onde se pode ver um excerto do documentário “Roberto Cercano”, de Erik Haasnoot. Estão lá reunidas também as referências que foram feitas a esta obra em blogues. Rogério Casanova (do Pastoral Portuguesa) escolheu partilhar com os cibernautas um excerto que termina com a frase “Creio que está na hora de beber um copinho”.

José Mário Silva (do Bibliotecário de Babel) lembrou que o escritor guatemalteco Eduardo Halfon dedica a Bolaño uma parte do seu “O Anjo Literário” (ed. Cavalo de Ferro) e dá-nos esse excerto: “Bolaño dissera que nunca se acaba de ler, ainda que os livros acabem, tal como nunca se acaba de viver, ainda que a morte seja um facto certo.”

Tomás Vasques (do Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos) relembra que Bolaño esteve no Primeiro Encontro de Escritores Latino-Americanos. “Bolanõ não concluiu a tempo o texto que tinha previsto para o Encontro, com o título ‘Sevilha me mata’. Na ocasião leu outro” (…) Mas a Seix Barral publicou-o. “É um texto, curto, mas incisivo e polémico, onde responde à questão: de onde vem a nova literatura Latino-americana? A entrar, disse, sem doçuras ‘Vimos da classe média ou de um proletariado mais ou menos assente ou de famílias de narcotraficantes de segunda linha que já não querem mais tiros mas respeitabilidade.'”, diz Vasques.

2666

http://2666.blogs.sapo.pt/

irmaolucia

http://irmaolucia.blogspot.com/

Pastoral Portuguesa


http://pastoralportuguesa.blogspot.com/

Bibliotecário de Babel

http://bibliotecariodebabel.com/

Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/

(crónica publicada no suplemento ípsilon de 11 de Setembro de 2009)

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