A “newsletter” dos nossos dias

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

Gary Vaynerchuk? Este nome diz-lhe alguma coisa? Talvez não. Mas nos EUA este rapaz, que nasceu na Bielorrússia e vive em New Jersey, é um fenómeno. Só no Twitter é seguido por 507. 533 pessoas. O seu vídeo blogue sobre vinho, a Wine Library TV, chegou a atingir 80 mil visitas por dia. E aos 33 anos, assinou um contrato com a HarperStudio para uma série de 10 livros, o primeiro, “Crush It!: Why NOW Is the Time to Cash In on Your Passion”, vai ser publicado em Outubro.

Quando este contrato foi assinado Sara Nelson, a exeditora da “Publishers Weekly”, escreveu um artigo para o “Washington Post” onde reflectia sobre o facto de um rapaz desconhecido dos media tradicionais -mas já um fenómeno na Internet – ter conseguido um contrato que envolvia muito dinheiro com uma editora tradicional.

Salientava ainda que em época de crise, em que as editoras apostam cada vez menos em autores novos e se viram para os consagrados, este feito é ainda mais relevante.

Na verdade, Gary Vaynerchuk não era um total desconhecido. Sem ajuda tinha conseguido uma sólida base de fãs na Internet e já aparecia como convidado nos programas de televisão de Ellen DeGeneres ou Conan O’Brien.

Com tanto burburinho à volta dele, seria de esperar que fosse um dos convidados da Book Expo America 2009, em Nova Iorque. Gary esteve na feira a explicar aos livreiros e editores como transformou num sucesso o negócio da sua família – relacionado com vinhos – com a ajuda das redes sociais (as vendas de vinhos na loja da família subiram de 4 milhões para 50 milhões de dólares por dia). E tentou motivar pequenos editores e livreiros para que lhe seguissem o exemplo.

Começou a sua intervenção a pedir desculpa por ter o telemóvel ligado mas a mulher estava grávida (do primeiro filho de ambos), e o tempo de gravidez terminava no dia seguinte ao da conferência (o bebé já nasceu, ele já o anunciou no blogue). Quando fez 30 anos Gary queria comprar a equipa de futebol americano New York Jets, mas percebeu que a vender vinho a tempo inteiro talvez não chegasse lá. Ao olhar à volta percebeu que algo no mundo estava a mudar. Havia o My Space, o Facebook, o You Tube e outras ferramentas que o podiam ajudar a criar a sua marca na Net sem gastar muito dinheiro. E assim fez. Agora acha que outros podem fazer o mesmo. Não está a dizer às pessoas para largarem os seus empregos. Está a dizer-lhes que nos seus tempos livres utilizem a sua paixão para triunfar.

“Não percebo como é que um pequeno livreiro não cria um vídeo blogue, ou uma espécie de programa de televisão na Internet para divulgar os livros e comunicar com o mundo. Os livreiros e os editores têm uma das maiores vantagens a seu favor no mercado de hoje em dia – têm paixão por aquilo que fazem. Mas vocês não podem ficar sentados atrás da máquina registadora e esperar que as pessoas entrem na vossa loja”, acrescentou. “Isto é só a nova versão de uma ‘newsletter’, nada mais”, explicou.

“Quantas pessoas aqui na sala vão pelo menos uma vez por dia pesquisar no ‘Twitter’ para saber o que as pessoas estão a dizer sobre a vossa marca ou sobre os vossos autores?.” Algumas pessoas levantaram o braço. “Não é mau, mas deviam estar todos a fazer isso. A saber o que é que em todo o mundo se está a dizer sobre vocês.” Em Outubro será a prova de fogo: conseguirá Gary Vaynerchuk transpor o sucesso da internet para o tradicional mercado livreiro e transformar o seu livro num “best-seller”?

Wine Library TV
http:// tv.winelibrary.com/

Gary Vaynerchuk
http:// garyvaynerchuk.com/

(Crónica publicada no suplemento Ípsilon de 19 de Junho de 2009)

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