Livros aos pedaços


Kindle no iPhone from Isabel Coutinho on Vimeo.

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

Ando toda contente nas viagens de metro a ler pedaços de livros no meu telemóvel iPhone com a aplicação Kindle. É muito fácil e muito intuitivo navegar perceber como funciona esta aplicação que permite que se leiam livros no telemóvel ou no leitor de MP3 da Apple, o iPod touch. Em qualquer lugar.
Esta manhã li um dos contos de uma das minhas escritoras preferidas, Ali Smith. “The first person and other stories” é o título do livro de contos que esta escritora escocesa publicou no início do ano nos Estados Unidos, na Pantheon Books, Nova Iorque, e que saiu no final do ano passado no Reino Unido, na Hamish Hamilton. Em Portugal Ali Smith tem sido editada pela Bico de Pena e pela Teorema, mas os seus livros de contos (na minha opinião o género onde ela é absolutamente divina) não estão ainda traduzidos (e digo, ainda, porque tenho sempre a esperança de que um dia o venham a ser, apesar de ser comum ouvir os editores dizerem que os livros de contos não se conseguem vender em Portugal).
O conto que estive a ler faz parte do excerto grátis que a loja da Amazon americana disponibiliza para as pessoas que possuem um Kindle, aparelho que serve para ler livros electrónicos – e que por enquanto ainda só funciona e só se pode comprar nos Estados Unidos – ou para quem tem instalado no seu iPhone ou iPod touch a aplicação Kindle que foi lançada gratuitamente na loja online iTunes há duas semanas. Não é possível comprar um livro inteiro em formato Kindle (AZW) fora dos Estados Unidos mas é possível descarregar os excertos.
Quando abro o livro no telemóvel aparece-me a capa, a cores, seguem-se as folhas de rosto a preto e branco e o sumário com um índice dos contos. A seguir está a página com as dedicatórias e depois as epígrafes. Uma delas é de Haruki Murakami: “Our responsibility begins with the power to imagine” (“a nossa responsabilidade começa com o poder de imaginar”) e depois aparece a folha com os agradecimentos e informações sobre as revistas e jornais onde alguns dos contos deste livro foram publicados. Na página seguinte surge “True Short Story”. Dois homens estão sentados a uma mesa de um café junto à narradora que nos conta esta história. Podem ser pai e filho. E ela está a ouvir a conversa dos dois homens da mesa ao lado.
Enquanto estou a ler o texto posso escolher entre cinco hipóteses de tamanho de letra. Na primeira hipótese vejo a página tal e qual como no livro impresso. E se é verdade que as letras possam parecer de um tamanho demasiado pequeno para o comum dos mortais, para um míope como eu são perfeitamente toleráveis. Mas a verdade é que é mais confortável estar a ler num dos tamanhos de letra a seguir.
Um dos ícones que me aparece no ecrã, um livro aberto, permite-me aceder facilmente a uma página intutulada “Go To”, a partir da qual posso aceder à capa, ao índice, ao início do livro e colocar o número da página a que quero ir ter. Ali está também a lista das minhas “bookmarks”. E é para fazer “bookmarks” que serve um outro ícone, o do sinal mais. Mal lá toco com o dedo (estes gadgets têm um ecrã táctil) instantaneamente vejo o canto superior direito da página a ser virado e a ficar lá uma marca.
A verdade é que todos estes passos na leitura de um livro são mais fáceis de fazer com esta aplicação Kindle do que com outra que serve para ler e também é grátis, a Stanza. Mas na Europa para instalar esta aplicação no nosso iPhone ou iPod touch temos que recorrer a um truque. Quanto a isso só vos digo: vão à “Tech Wired Austrália” e procurem o post que vos ensina como o fazer (pesquisem “iTunes account “).

Tech Wired Australia

http://techwiredau.com/

(crónica publicada no ípsilon de 20 de Março de 2009)

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5 comentários a Livros aos pedaços

  1. Prezados Amigos,
    É com muito prazer que chego até vocês para anunciar o lançamento de meu primeiro romance intitulado Depois da Última Lágrima. Um romance tocante que mostra o que o amor é capaz de realizar na vida das pessoas. Uma história comovente de um deficiente visual, que tenta sobreviver ao mundo preconceituoso a sua volta e conhece o amor de uma forma totalmente diferente. Uma história tocante que o levará da revolta às lagrimas, e o ajudará a entender o verdadeiro significado de um amor, e o que um ser humano é capaz de fazer em busca de um sentimento.
    Gostaria então de aproveitar essa oportunidade para pedir a colaboração de vocês para me ajudar nessa batalha que é ser um escritor em nosso país. Como vocês sabem, os obstáculos são muitos, e o apoio recebido é praticamente nulo. Mas isso jamais me faria desistir de buscar meus objetivos e oferecer o melhor que posso através de meus escritos.
    Este livro foi escrito com muita dedicação, a fim, de expressar da melhor forma tudo o que um tema tão importante exige. Fiz o máximo para oferecer a todos vocês meus amigos e leitores, uma agradável leitura, um livro que o fizesse tomar gosto ainda maior por páginas de agradáveis acontecimentos. Sei que tenho ainda muito a aprender e me aprimorar na arte da escrita, mas digo que cada palavra escrita foi escrita com o coração e pensando em cada um de vocês, os quais são os responsáveis por eu não desistir de lutar por aquilo em que acredito.
    O preço do livro é de R$ 12,00, e para adquirir o exemplar, é só me passar um e-mail, que entregarei em mãos já autografado e com dedicatória especial. Conto com todos vocês nessa nova fase de minha vida.
    Peço por favor, àqueles que puderem que possam divulgar a amigos e outras pessoas que gostam de leitura para que possamos assim atingir um maior público leitor. Aproveitem para presentear, um livro é sempre um ótimo presente. adquira pelo darlan.silva@strata.com.br
    Muitíssimo Obrigado pela compreensão de todos vocês…
    Cordialmente
    Darlan.

  2. Bem, isso não funciona exactamente assim e os exemplos que deu são díspares. O conteúdo impera mas o suporte importa, afecta. Ver um filme num pequeno ecrã em casa ou em viagem não é comparável com a experiência de vê-lo num cinema. É uma questão emocional, obviamente pessoal, pelo que as reacções serão com certeza diversas. O mesmo se passará com os livros, que para muitos são objectos únicos.

  3. Ora bem… Hoje no computador temos música, cinema, jogos e tudo e mais alguma coisa menos livros (por enquanto!). Não havia música antes do MP3 e depois dele ela morreu? Não havia cinema antes do DIVX e depois dele o cinema morreu? Ou alguém deixou de se reunir com a família e amigos para jogos de tabuleiro por existirem jogos no computador? Uma coisa é verdade, depois do MP3 passou a haver menos discos de plástico, etc. Tudo isso é certo. Passará a haver menos papel? Seguramente que sim, mas lêem o papel ou o que lá está escrito? Quanto a mim, o Carlos da Maia ama tanto a Maria Eduarda em papel como numa plataforma digital. Da mesma maneira que são amores iguais num belo papel duma edição de luxo como numa fotocópia.

  4. Pergunta com sincera curiosidade e sem juízo de valor: consegue imaginar o seu quotidiano sem livros, substituídos por um ecrã? Ou é uma questão de complementaridade e de contexto? Não me imagino a entregar a um ecrã como me entrego às páginas de papel, mas falo com a ignorância de quem não experimentou. Daí a curiosidade.

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