Retrato do país que somos

O livro de Rhonda Byrne O Segredo, editado a 15 de Junho de 2007 pela Lua de Papel, volta a ser pelo segundo ano consecutivo o livro que mais se vendeu em Portugal. Os dados são da GfK, multinacional alemã que faz estudos de mercado, e foram divulgados pela editora portuguesa.
José Prata, editor da Lua de Papel, disse ao PÚBLICO estar surpreendido e considera que os números reforçam o carácter “único e irrepetível” deste fenómeno: “Um livro de não-ficção ser o que mais vende em Portugal já é raro, se ainda por cima for de auto-ajuda, mais raro se torna. E se consegue repetir a proeza em dois anos seguidos quebra todas as regras.”
Para o editor, já não se trata apenas de um reflexo da euforia inicial que se reflectiu em vários países ocidentais. O interesse pelo livro decresceu noutros mercados mas em Portugal, e sensivelmente de Janeiro a Outubro, foi o livro que esteve sempre em primeiro lugar nos tops.
“Ocasionalmente descia de lugar quando era lançada uma grande novidade, mas regressava ao primeiro lugar. Torna-se assim um fenómeno português”, acrescenta José Prata.
Está prometido um novo livro de Rhonda Byrne, cuja data ainda não foi avançada pela sua editora americana, desta vez escrito apenas por ela. É que O Segredo é feito a partir de testemunhos em discurso directo de 24 “mestres do Segredo”, especialistas em marketing, em criar riqueza, em motivação pessoal e “life coachs”. A mensagem do livro? Peça, acredite, receba – você pode ter tudo aquilo que deseja.

435 mil exemplares de O Segredo foram colocados no mercado português, num total de 21 edições – a versão standard (17 edições), a de capa dura (três) e a versão numerada e limitada de cinco mil exemplares..

(notícia publicada hoje no PÚBLICO)

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4 comentários a Retrato do país que somos

  1. Eu posso ser muito ignorante, mas não consigo perceber o porquê deste fenómeno. E, verdade seja dita, ninguém que eu conheça tem esse livro (pelo menos que eu saiba).
    Não posso julgar o conteúdo, pois seria hipócrita da minha parte, já que não li, mas também fiquei surpresa quando, mês após mês o livro permaneceu no topo das tabelas dos mais vendidos. Várias vezes fiquei embasbacada a olhar para o top (não estou a brincar), dizendo “Mas que raio! Porque é que isto ainda continua aqui?”.
    Lamentavelmente (ou não), não pretendo seguir a tendência e deixar-me seduzir pela curiosidade. Há tantos outros livros que quero comprar …

  2. 435 mil exemplares dá um exemplar por cada 20 pessoas (mais ou menos), num país em que certamente não há uma pessoa em cada 20 que leia livros.
    Qual será o “segredo” da angústia nacional? Talvez valesse a pena fazer um inquérito aos leitores do livro, para saber o que os atrai tanto.
    Uma coisa é certa: as pessoas estão tão desiludidas e aterrorizadas com a realidade que preferem os romances sobre princesas e os non-fiction que prometem a “salvação” interior…

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