Morreu António Alçada Baptista

O escritor António Alçada Baptista morreu hoje, aos 81 anos.

Eduardo Pitta no blogue Da Literatura informa que o funeral se realizará amanhã.

A notícia no PÚBLICO pode ser lida aqui.

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4 comentários a Morreu António Alçada Baptista

  1. Morreu António Alçada Baptista. 7 Dezembro. 2008.

    Li pela primeira vez um livro A.A.B. Em 1987. Peregrinação interior I. Pura atracção pelo titulo. Foi com uma emoção intima que soube da sua morte.
    Não sei o que nos liga às pessoas. Não sei o que nos liga a pessoas que nunca conhecemos. Fisicamente.
    Criei dele uma imagem. Através dos livros. Através das crónicas. Através das entrevistas. E talvez através de mim. Uma imagem de um homem enorme. Invulgar.
    Atrevo me a dizer que, ele foi quem me mostrou, de uma forma exemplar, o poder dos afectos.
    Eu que cresci “coxa” de afectos. Por incapacidade. Por inabilidade. Por crenças. De quem me fez crescer.
    Aprendi a ser dura. Porque a vida era dura.
    O António Alçada Baptista deu me a emoção. Ternurenta. Do aconchego. Do sorriso. Passei horas sem fim perdida naquelas palavras doces. Naquelas histórias carregadas de emoções.
    Fez me encontrar coisas boas. Nos outros. Em mim. Nas relações.
    Porque o mundo não é sempre duro. E as pessoas podem ser poesia.
    E o que temos dentro de nós é infinito. E às vezes pode ser a lua. E o sol.
    A vida confirmou o.
    O alçada baptista, através da sua escrita, tocou me na alma. Deu lhe forma. Encheu a de cor. Encheu a de movimentos. Colocou lá palavras. Afectuosas. Serenas. Exigentes. Colocou lá afectos. Tornou a alma um órgão vivo.
    Que tal como qualquer outro órgão do nosso corpo, precisa de atenção. De cuidados. De estímulos. Precisamos de ouvir a alma. Precisamos de falar com ela. Dar lhe importância.
    Aliás, das muitas coisas que li dele, lembro me de uma frase “ o século passado foi das coisas. Foi do ter. Espero que o próximo seja da alma. Tem que ser da alma”.
    Sim para mim a alma é deste século. É talvez até anterior. É do presente. Através das suas letras. Claras. Transparentes. Serenas. Mas exigentes. Porque nos faz olhar para nós.
    Para mim o AAB era um amigo. Um confidente. Aquele que nos ouve. Sempre. Sem nos julgar. Mas com sabedoria. Com as palavras escritas. Dele.
    Voltei há pouco a ele. Novamente. Para o dar a conhecer a uma amiga. E também para voltar aquela doçura que me faz falta. E também pela alma.
    Porque estava a pedir. Da enorme delicadeza dos sons. Das paixões tranquilas. Do poder do tempo nas relações fortes. E o poder das crenças. Tão presente. Em tudo o que li dele.
    Um homem da proximidade. Real. Porque só assim faz sentido sermos afectuosos. Cuidadosos. Envolventes.
    Custa me a separação física. De alguém que nunca conheci. Fisicamente.
    Custa me não o sentir entre nós. Não o saber vivo.
    Custa me. Mesmo.
    Guardo os seus livros como pérolas. E guardo também algumas crónicas.
    E guardo a imagem de um homem alto. Com força intelectual. Com presença.
    Mas o que irá ficar comigo, seguramente, até ao fim.
    São as emoções vividas.
    São as descobertas da alma.
    São os inúmeros sorrisos de cumplicidade provocada.
    São as leituras infinitas e prazerosas.
    Sempre em fins de tarde solarengos. Tranquilos.
    São de amizades intimas. São de volta. São de regresso. Sempre.
    Aquelas palavras. Aquelas doces palavras.
    Queria dizer lhe que lhe agradeço profundamente. Ser o que foi. E como foi.
    E apesar de o saber noutros papeis.
    Gosto de o sentir/recordar como o homem da alma.
    O homem dos afectos.
    O homem que conseguiu falar. Sentir. Viver. Com alma. Sempre com uma enorme discrição.
    Própria de um homem grande. Enorme.
    Obrigada por ter existido. Obrigada por nós, termos sabido.
    E apesar do mundo continuar a girar.
    E apesar do amanhecer ir acontecer.
    E o sol teimar em nos aquecer.
    Hoje a minha alma vestiu se de preto. E está em silêncio.
    Não só para remar contra a corrente. Do mundo. Do amanhecer. Do sol.
    Mas sobretudo porque temos que marcar. A alma.
    Também quando estamos tristes. Pelas percas. Que nos vão acontecendo.
    Por sermos pessoas.
    Com alma.

  2. O “Nós e os laços” foi o livro de Alçada Baptista que mais gostei e que foi para mim um livro de culto, lido e emprestado várias vezes, já lá vão uns bons anitos.
    Lembro com saudade as suas crónicas pertinentes.
    Que dizer?
    Morre o homem. Fica a obra. “Para sempre”…

    Zina Abreu

  3. Em 1962 eu tinha 12 anos e foi graça a ajuda financeira do Dr Alçada Batista que eu filha de operario pude me inscrever no liceu,soube reconhecer em mim a ” raiva de vencer ” graça ao
    trabalho e ao amor da leitura,foi ele que me ofereceu o meus 1° livro ” a pequena fadete ” e
    “Florence Nightingale ” …Uma gratidao a este grande HOMEM e uma muito grande tristeza

  4. é com tristeza que vejo partir um homem, com uma grande cultura,um grande escritor, com um enorme coração, muito amigo pois não tinha inimigos, muito dócil, que me tratava, por míuda, quando com ele trabalhei no jornal o dia, que me ensinou as palavras, origens e humildade nunca te esqueças míuda, obrigado amigo director vou recordá-lo sempre com grande saudade. Paz á sua alma

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