Uma promoção exemplar

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

“Querido fã de ‘Loving Frank’,
Todas as pessoas que conhecemos e que acabavam de ler ‘Loving Frank’ (“Querido Frank,” na tradução portuguesa da Difel, ver textos nesta edição) estavam mortos por voltar no dia seguinte ao escritório para conversar sobre o livro. Se você gostou de ‘Loving Frank’ pode partilhar os seus pensamentos com outros fãs online no nosso fórum dedicado aos livreiros e aos bibliotecários. E se algum de vocês colocar lá um comentário irá receber um exemplar do romance assinado pela autora. Visite www.lovingfrank.com. Obrigada”, assinado a equipa de marketing da Ballantine Books.
Mas esta mensagem que estava impressa num bonito cartão dentro do livro (uma “advanced reader edition” que foi distribuída aos jornalistas, bibliotecários e livreiros na Book Expo América 2007 em Nova Iorque, meses antes do lançamento e da ida do livro para as livrarias norte-americanas) não terminava aqui. Tinha mais dois “P.S.”. Um deles dizia que a editora estava a oferecer aos livreiros e bibliotecários a oportunidade de ganharem uma viagem para dois a Oak Park, Illinois, que incluía uma visita guiada aos lugares marcantes da obra de Frank Lloyd Wright realizada pelo Frank Lloyd Wright Preservation Trust. “Estejam atentos e voltem a visitar o ‘site’ no final do ano”, escreviam. “P.S.S – Também vamos incluir ‘links’ para informações sobre Frank Lloyd Wright e Mamah – porque, como nós, vocês devem estar curiosos de saber mais!”
Esta foi uma das formas que a equipa de marketing da Ballantine Books arranjou para promover o romance histórico que conta a relação amorosa entre Frank Lloyd Wright e a sua cliente Mamah Cheney, que a crítica considerou “uma ficção verdadeiramente hábil” (“The New York Times”) ou ainda, “Horan cria uma heroína inesquecivelmente complexa… e ao mesmo tempo a personagem ideal para explorar as mudanças na sociedade da época” (“The Washington Post”).
No “site” podemos ver dois vídeos sobre este livro. Num deles a autora conta como chegou a esta história e como foi construindo este livro. As imagens da entrevista são intercaladas com imagens da época e fotografias actuais das casas projectadas por Frank Lloyd Wright. Um outro vídeo também disponível no “site” é um passeio em Oak Park, onde Mamah e Frank viveram e se conheceram.
Interessante para se espreitar depois de se ler o livro é a galeria de fotografias e recortes de jornais. Quase todas são de época e estão divididas por temas: arquitectura, Oak Park e cartas. As mais surpreendentes são as reproduções das cartas que Mamah Cheney escreveu para a filósofa feminista sueca Ellen Key. Se se arrastar o rato é possível passar as páginas e ir tentando decifrar a caligrafia da tradutora.
Lá estão também os inúmeros comentários e opiniões de livreiros, bibliotecários e participantes em Clubes do Livro no Bookseller Forum. Para ajudar os Clubes do Livro norte-americanos a autora está disponível para conversas telefónicas (“phone chat”) que podem durar de 30 minutos a uma hora. Estão lá também excertos de recensões que bibliotecários fizeram ao livro. Há ainda um Guia de Leitura, excertos do livro e um ficheiro áudio com a leitura do primeiro capítulo do livro, uma nota da autora que é o posfácio do livro e uma lista de obras que podem ser consultadas por quem quer saber mais sobre o arquitecto e a sua obra.
Um trabalho exemplar que certamente muito ajudou a promover o livro e que fez com que ele entrasse para sexto lugar da lista dos mais vendidos logo na semana em que foi publicado nos EUA, em Agosto do ano passado.

Loving Frank
http://www.randomhouse.com/rhpg/lovingfrank/

Crónica publicada no suplemento Ípsilon de 5 de Setembro de 2008

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