Rocha à conquista do mundo

Ciberescritas

Isabel.Coutinho@publico.pt

A versão inglesa de “O Último Papa”, o livro de Luís Miguel Rocha que há alguns anos causou furor por ter sido comprado por algumas editoras estrangeiras na Feira do Livro de Frankfurt quando ainda não estava publicado em Portugal, foi lançado no dia 14 de Agosto nos EUA pela Putnam, chancela da Penguin na América. O livro estará disponível em todos os países anglo-saxónicos até ao final do ano.
“The Last Pope” está nas livrarias norte-americanas em edição de capa dura mas também é possível comprá-lo em formato electrónico. A versão eBook está disponível em Microsoft Reader ( $24.95), eReader ($24.95) ou Adobe reader ( $24.95). O livro impresso custa o mesmo preço que em formato digital, o que não é habitual.
Mas se o leitor norte-americano que comprar este livro possuir um Kindle, aquele leitor de livros electrónicos que a Amazon.com lançou o ano passado no mercado americano, terá a possibilidade de optar por adquirir “The Last Pope” na edição electrónica para ser lida no Kindle (Kindle Book) por $9.99 (um preço muito inferior).
“‘The Last Pope’ é já um ‘best-seller’ internacional, um ‘thriller’ assustador que se lê sem parar sobre a conspiração que rodeou a morte do Papa João Paulo I em 1978”, lê-se sobre a obra no “site” norte-americano da Penguin.
Aí explicam que a 29 de Setembro de 1978 o Vaticano anunciou ao mundo a morte deste Papa que tinha sido eleito 33 dias antes. Terá morrido de causas desconhecidas, talvez de ataque cardíaco, mas como o corpo foi embalsamado não se realizou a autópsia.
No seu livro Luís Miguel Rocha criou uma personagem jornalista, Sarah Monteiro, que regressa a Londres depois de umas férias (em 2006) e encontra um misterioso envelope na sua caixa de correio. Lá dentro, uma lista de nomes que não lhe são familiares e uma mensagem escrita em código. Mais tarde Sarah percebe que a lista a pode colocar em perigo de vida quando um estranho encapuçado lhe entra em casa…
A revista norte-americana “Publishers Weekly”, que é lida pelos editores de todo o mundo, já fez a recensão a esta primeira obra do “autor português Rocha”, como lhe chamam. Limitam-se a revelar a sinopse do livro, sem elogios nem críticas, e referem uma entrevista ao autor português colocada no final do volume onde este defende que o Papa João Paulo I foi mesmo assassinado. Isto, escreve a “PW”, vai certamente agradar aos fãs das teorias da conspiração.
Olhando para a ficha técnica do livro também se percebe que a tradução do livro para inglês foi feita a partir da edição espanhola da obra e não da sua edição portuguesa (o livro está publicado na Saída de Emergência).
O escritor Luís Miguel Rocha tem um “site” oficial onde vai colocando notícias sobre o seu trabalho. Estão lá excertos dos seus dois últimos livros, os primeiros capítulos podem ser lidos em PDF. Há também um “teaser”, um pequeno vídeo a fazer a promoção de “Bala Santa” (ed. Paralelo 40). Referência a “Um País Encantado”, o seu primeiro livro, não se vislumbra.
Noutra secção estão as capas das edições estrangeiras dos seus dois últimos livros. Luís Miguel Rocha já tem as obras publicadas na Grécia, na Polónia, em Espanha, em Itália, na Hungria, na Rússia, no Brasil e na Alemanha.
Segundo divulgou a agência Lusa “O Último Papa” vai ser também publicado na Indonésia e os seus direitos já foram vendidos para cerca de 70 países, sendo que 55 compraram os direitos antes da sua publicação, o que constituiu um caso inédito na Literatura Portuguesa.
Este mês o autor vai estar na Bienal do Livro de São Paulo para apresentar este seu livro cuja edição brasileira, a cargo da Ediouro, acaba de sair. A Bienal decorre de 14 a 24 de Agosto e prevê-se que um milhão de pessoas passe por lá. Luís Miguel Rocha promete que vai fazer um Relato da viagem e colocá-lo no seu “site”. Resta esperar.

Luís Miguel Rocha
http://www.luismiguelrocha.com/

Crónica publicada no suplemento Ípsilon de 22 de Agosto de 2008

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2 comentários a Rocha à conquista do mundo

  1. Mais do que lida pelos editores de todo o mundo, as recomendações da Publishers Weekly são seguidas com fervor quase religioso pelos livreiros dos Estados Unidos. Ao contrário do que acontece em Certo País, há livreiros que se esforçam por estar a par das novidades e aproveitam as boas recensões da imprensa para potenciar as vendas.

    Quanto ao livro do Rocha, tanto o ranking de vendas da Amazon.com (#138,443) e os comentários recebidos (a infame Harriet Klausner, que dá 5 estrelas a praticamente todos os livros que “lê”, para uma definição marcelorebelodesousiana de “leitura”, só deu 4 a este) não são muito animadores. Talvez por desinteresse do público americano em relação a autores não-anglófonos, ou então porque não há campanha de marketing capaz de disfarçar o que este livro realmente é: um romance previsível e mal escrito que só justifica a sua existência à sombra da popularidade de Dan Brown.

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