Miguel Esteves Cardoso vai estar este fim-de-semana na Feira do Livro de Lisboa

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O Miguel Esteves Car­doso (MEC) vai estar a dar autó­grafos na Feira do Livro de Lis­boa hoje e amanhã, a par­tir das 15h, no espaço dos pavil­hões da Porto Edi­tora. A última – e única – pre­sença do escritor na Feira do Livro de Lis­boa data de 1987, há quase trinta anos. No final de Abril, a Porto Edi­tora pub­li­cou um novo livro do MEC, Como é linda a puta da vida, e começou a reed­i­tar a sua obra : A causa das coisas, O amor é fodido, Os meus prob­le­mas e Expli­cações de Por­tuguês expli­cadas outra vez (este revisto pelo autor).

Pro­gra­mação na feira este sábado:

* Autó­grafos — Ari­ana: A autora da coleção best­seller “Princesa Poppy”, Janey Louise Jones, está em Por­tu­gal pela primeira vez e está no pavil­hão da Booksmile a dar autógrafos.

12:00 e 15:00 — Pavil­hão do próprio

* Debates — APEL: Ano Europeu dos Cidadãos

15:00 — Praça Verde

* |Lança­men­tos — Nexo Literário: Lança­mento do livro “Qual é a sua mel­hor ver­são? — Guia Prático para a Real­iza­ção Pes­soal e Profis­sional”, da autora Ana Santiago

15:00 — Pavil­hão do próprio

* Lança­men­tos — LeYa: Lança­mento do novo livro da escritora Ana Sal­danha ” Texas — Uma Aven­tura no Faroeste”.

15:00 — Praça Amarela

* Lança­men­tos — Âncora: Lança­mento de um livro com o Autor, “O Con­ta­dor de Retratos”, de António San­tos. Apre­sen­ta­dor Prof. Guil­herme de Oliveira Mar­tins, Pres­i­dente do Tri­bunal de Contas

16:00 — Auditório

* Debates — Ésquilo: Com base no livro «Exper­iên­cias de Quase-Morte», debate sobre as EQMs e Platão, nomeada­mente o livro 10 da República

16:00 — Praça Amarela

* Lança­men­tos — Calçada das Letras: Lança­mento do Livro “Moinho de Vento, 23″, Autor: Octávio Carmo San­tos; Apre­sen­tação: Cristina Goís Amorim, José Paulo Cav­al­canti Filho e Jorge Deodato

16:00 — Praça Verde

* Teatro — Gradiva: Espetáculo de stand up com­edy com o grupo Os Cien­tis­tas de Pé a propósito do lança­mento da obra «Toda a Ciên­cia (excepto as partes chatas)» da auto­ria dos Os Cien­tis­tas de Pé com coor­de­nação de David Marçal.

17:00 — Praça Amarela

* Música e Dança — Pub­li­cações Europa América: Sessão de fados no âmbito da ele­vação do Fado a património mundial da Humanidade pela UNESCO. Pro­moção do livro História da Música Por­tuguesa, de João de Fre­itas Branco, a edi­tora Europa-América. Comu­ni­cação social presente

17:00 — Pavil­hão do próprio

* Debates — Santa Casa M. de Lis­boa: “Engolir e falar para comu­nicar?”, Isabel Guimarães, Pro­fes­sora no Depar­ta­mento de Ter­apia da Fala, Escola Supe­rior de Saúde do Alcoitão, SCML

18:00 — Pavil­hão do próprio

* Debates — Bertrand: Con­versa Quet­zal ‘Por­tu­gal e Angola — memórias recentes’ com José Eduardo Agualusa e Fer­reira Fernandes

18:00 — Pavil­hão do próprio

* Lança­men­tos — Dinalivro: Lança­mento do livro «Saúde em Expressão: Expressão em Ter­apia, Vol­ume 4», com apre­sen­tação de Ever­ton Dal­mann, um dos autores da obra e conta tam­bém com uma breve apre­sen­tação da Viven­cia­rte e da colecção, por Ana Barata Feio. Autores da obra: Ever­ton Dal­mann, Raquel Fialho, Bábara Ramos Dias, Andrea Moura e Fil­ipa Almeida

19:00 — Praça Laranja

* Lança­men­tos — Edições Avante: “Sessão de lança­mento do livro Obras Escol­hi­das de Álvaro Cun­hal, IV tomo (1967–1974), com a pas­sagem de um breve filme sobre a vida e obra de Álvaro Cun­hal, no ano em que se assi­nala o cen­tenário do seu nasci­mento. A apre­sen­tação está a cargo de Fran­cisco Melo, autor do pre­fá­cio e coor­de­nador da edição.

19:00 — Auditório

Par­que Eduardo VII

Pro­gra­mação para Domingo:

* Encon­tros — Ari­ana: A autora da coleção best­seller Princesa Poppy está em Por­tu­gal pela primeira vez e está no pavil­hão da Booksmile a dar um autó­grafo
12:00 e 15:00 — Pavil­hão do próprio

* Teatro — BLX — O Reino de Per­nas para o Ar por Teatro Cati­var
15:30 — Stand BLX

* Debates — Ésquilo: Tertúlia sobre o romance histórico por­tuguês com a pre­sença de romancis­tas como Maria Lucília Meleiro, Deana Bar­ro­queiro e António Bal­cão Vicente .Mod­er­ação por Fátima Rodrigues do blog Seg­redo dos Livros».
16:00 — Praça Amarela

* Lança­men­tos — Calçada das Letras: Lança­mento do Livro “Inter­secção”, Autor: António José Pires. Apre­sen­tação Fil­ipa Fer­nan­des
16:00 — Praça Verde

* Lança­men­tos — Santa Casa M. de Lis­boa: “António Marcelino Egreja”, Colecção Ben­emérito, Ana Gomes, Jor­nal­ista e autora, SCML
16:00 — Pavil­hão do próprio

* Apre­sen­tações — Dinalivro: Vence­dor do Prémio Jabuti e do Prémio da Acad­e­mia Brasileira de Letras, entre out­ras dis­tinções literárias, o escritor Rodrigo Lac­erda vai lançar e apre­sen­tar o seu mais novo livro, inti­t­u­lado «Vista do Rio». Durante a sessão, serão igual­mente dis­cu­ti­das out­ras obras do autor, caso de «O Mis­tério do Leão Ram­pante» e «A Dinâmica das Lar­vas».
16:00 — Auditório

* Lança­men­tos — Paulus Edi­tora: Lança­mento do livro “Evan­gelho da Ale­gria” com a pre­sença do autor Eugénio Per­regil
17:00 — Praça Amarela

* O jor­nal­ista e comen­ta­dor João Mal­heiro lança o romance “Cona d’Aço”, pref­a­ci­ado pelo mae­stro António Vic­torino d’Almeida. Na cer­imó­nia de lança­mento par­tic­i­pam várias per­son­al­i­dades de difer­entes quad­rantes, entre out­ras: Toni, Joana Ama­ral Dias, Fer­nando Mendes, Marina Mota, Paulo de Car­valho, Rosa do Canto, Almeno Gonçalves e Sofia Nichol­son.
18:00 — Auditório

* Out­ros — Gradiva: “Ofic­ina de Lit­er­atura de Viagem (inte­rior)”” com Tiago Patrí­cio autor de «Trás-os-Montes», romance galar­doado com o Prémio Rev­e­lação Agustina Bessa-Luís 2011. Antes do cair da noite o escritor Tiago Patrí­cio fará uma breve leitura em con­junto de alguns tex­tos muito cur­tos de autores como Fer­nando Pes­soa, Ian McE­wan, Mar­gueritte Duras, Woody Allen, Grou­cho Marx, Lev Tol­stói, entre out­ros, a propósito de via­gens. Depois, cada um dos par­tic­i­pantes da ofic­ina seguirá um per­curso de escrita/descrita pelo Par­que Eduardo VII, até à hora de regres­sar ao ponto de par­tida para reler os tex­tos em con­junto, já com a noite bem insta­l­ada e sob a luz inte­rior do auditório da Apel. “
21:00 — Auditório

Feira do Livro de Lis­boa, Par­que Eduardo VII.
(pro­gra­mação com­pleta em http://feiradolivrodelisboa.pt)

Sardinhas decapitadas

Quando penso no escritor ital­iano Anto­nio Tabuc­chi, vem-me à memória a imagem de Mar­cello Mas­troianni, solitário, sen­tado num banco de uma estação de com­boios por­tuguesa enquanto esper­ava a ordem do real­izador, Roberto Faenza, para que entrasse em mais uma cena de Afirma Pereira.
O filme foi rodado em Por­tu­gal em 1994 e o jor­nal enviou-me, em reportagem, para as fil­ma­gens. Não me lem­bro se tro­quei com Anto­nio Tabuc­chi impressões sobre essa memória indelével que me ficou de Mas­troianni inter­pre­tando o velho jor­nal­ista do ves­per­tino Lis­boa, mas, sem­pre que abro uma lata de sardinhas, lembro-me do escritor ital­iano. É que devo a Anto­nio Tabuc­chi uma das ima­gens mais fan­tás­ti­cas que alguém já me deu da gas­trono­mia por­tuguesa.
Essa rev­e­lação acon­te­ceu em 1996, quando falei com ele por causa de um artigo para a revista de domingo do PÚBLICO sobre Alexan­dre O’Neill (1924–1986), de quem o ital­iano era muito amigo (o artigo chamava-se O Homem que tropeçava de ter­nura, foi pub­li­cado a 18 de Agosto de 1996).
Tabuc­chi contou-me que veio a Por­tu­gal em 1964–65 quando prepar­ava uma tese sobre a poe­sia sur­re­al­ista por­tuguesa e, no bolso, trazia moradas de int­elec­tu­ais por­tugue­ses. Um deles era o poeta Alexan­dre O’Neill. “Cheguei a casa dele e toquei à porta. Lev­ava uma carta de uns ami­gos ital­ianos. Alexan­dre estava a comer sardinhas em con­serva. Encontrava-se soz­inho em casa. Perguntou-me: ‘Queres comer sardinhas decap­i­tadas?’”, con­tou o escritor que traduziria depois para ital­iano poe­mas de O’Neill numa antolo­gia a que chamou Made in Por­tu­gal. Tal e qual como as sardinhas.
Nessa altura, Tabuc­chi lem­brou que era habit­ual um grupo de ami­gos reunir-se em casa de O’Neill para comer uma sardinhada. Depois, até às três da manhã, dis­cu­tiam lit­er­atura. Alexan­dre pegava nos livros de Guimarães Rosa e de João Cabral de Melo Neto e lia alto. “Lia de uma maneira mag­ní­fica, esplên­dida, com muita inten­si­dade. Ficá­va­mos ali a dis­cu­tir e, às duas da manhã, prop­unha: ‘Vamos comer bacal­hau com grão?’ — e lá se ia até ao Mer­cado da Ribeira.” Era uma época em que Lis­boa tinha tas­cas onde se podia comer por módi­cas quan­tias.
Tabuc­chi recor­dou tam­bém uma tarde pas­sada num piquenique: “Fomos fazer um piquenique nos arredores de Lis­boa, em Agosto. Ao pé de uma capela onde os ciganos se cos­tu­mam reunir para dar a bênção aos ani­mais. Fica num pin­hal muito bonito. O Alexan­dre era muito boémio e gostava destas ciganadas. Naquele dia, estavam o pro­fes­sor de História de Arte Hel­mut Wohl, a sua mul­her Alice e o poeta Ruy Cinatti, que fez um número teatral mag­ní­fico. A certa altura, aproximou-se uma cigana que lhe começou a ler a sina, falando uma lín­gua incom­preen­sível. E o Cinatti começou a con­ver­sar com ela num dialecto dele, que era com­ple­ta­mente inven­tado, e falaram durante meia hora. Pare­cia que os dois se enten­diam per­feita­mente.” Os anos pas­saram. Lis­boa não é a mesma. O’Neill, Mas­troianni e Anto­nio Tabuc­chi par­ti­ram. Mas as suas histórias ficam.

(Crónica Porque hoje é domingo, pub­li­cada na revista 2, no dia 1 de Abril de 2012)

Os 63 semifinalistas do Prémio Portugal Telecom

Três por­tugue­ses estão na lista dos 22 romances escol­hi­dos nesta fase pelo júri: Lídia Jorge, António Lobo Antunes e Val­ter Hugo Mãe. Em Setem­bro serão anún­ci­a­dos os 12 final­is­tas deste prémio literário.

A Book Expo America sem ser preciso estar em Nova Iorque

Helen-Fielding
A Book Expo Amer­ica está a decor­rer em Nova Iorque. Este ano as sessões estão a ser trans­mi­ti­das em stream­ing. Acabei de ver a escritora e jor­nal­ista Helen Field­ing a apre­sen­tar o seu novo livro com a per­son­agem Brid­get Jones de regresso, que será pub­li­cado nos Esta­dos Unidos em Novem­bro. Podem assi­s­tir a par­tir daqui http://www.bookexpoamerica.com/Show-Info/Streamed-Live-Events/
Quem está a falar agora é a Diana Gabal­don, autora de “My Own Heart’s Blood” (Dela­corte Press Hard­cover) que é muito divertida.

Hoje podem ler no caderno Ípsilon

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NA CAPA

Blur — Aqui e agora

As inter­mitên­cias dos Blur
Após a român­tica recaída do regresso aos pal­cos em 2009, os Blur têm ten­tado adiar o mais pos­sível a decisão difí­cil de fazer ou não fazer um novo álbum. O prazo para a escolha entre viver do pas­sado ou assumir um futuro parece estar final­mente a esgotar-se. Antes do con­certo de hoje no Opti­mus Pri­mav­era Sound do Porto, Alex James confirma-nos as recentes gravações que apon­tam um sen­tido. Mas é pos­sível que nem os Blur o ten­ham decifrado. Por Gonçalo Frota

A vida mod­erna deles é óptima — a nossa con­tinua rub­bish

Faz agora 20 anos que os Blur nasce­ram enquanto banda que tem uma voz: foi pre­ciso ir ao cúmulo do deses­pero, olhar para den­tro e sacar uma obra-prima de repugnân­cia e elab­o­rado cuidado musi­cal. Mod­ern Life is Rub­bish, ao con­trário da vida em geral, con­tinua magnífico.

A cidade para onde con­vergem todas as músi­cas
Todas as cidades con­stituem uma babiló­nia de sons e de esti­los, mas em Nova Iorque esse fenó­meno é ele­vado ao quadrado. A Red Bull Music Acad­emy reflectiu-o, com palestras e espec­tácu­los pro­tag­on­i­za­dos por pio­neiros do pas­sado e fig­uras do presente.

Elo­gio da Deriva
Geoff Dyer escreveu um livro indis­ci­plinado. Yoga para Pes­soas que Não estão para Fazer Yoga é tudo o que não parece. Comé­dia e melan­co­lia pouco recomendável para quem quer esvaziar a cabeça.

O Mediter­râ­neo tal como o destruí­mos
Math­ias Énard pas­sou por Lis­boa para apre­sen­tar o seu novo romance, Falha-lhes de Batal­has, de Reis e de Ele­fantes, uma hom­e­nagem à lit­er­atura clás­sica do Médio Ori­ente — e a um tempo em que o mundo era mais poroso.


Como se con­struiu o Estado mod­erno em Por­tu­gal: um romance

Por­tu­gal, 1935. Um homem aparece morto em Sin­tra. Con­sta que foi àquela vila atrás de uma irmã, par­tic­i­pante em encon­tros cul­tur­ais, que segundo alguns, eram tam­bém encon­tros lés­bi­cos. É esta a história real na origem de O Chalet das Cotovias, de Car­los Ademar.

O filho de Clarice Lispector numa visita guiada à exposição A Hora da Estrela na Fundação Gulbenkian

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O mundo de Clarice é um mundo a explo­rar. O filho de Clarice Lispec­tor, Paulo Gurgel Valente, é o nosso guia na viagem pelas palavras e pelo uni­verso da escritora brasileira mais estu­dada no estrangeiro depois de Machado de Assis. O amor pela lín­gua por­tuguesa é a marca da exposição A hora da estrela na Fun­dação Gul­benkian até 23 de Junho. Que pode ser visto a par­tir do site do jor­nal PÚBLICO: http://www.publico.pt/v9473

Um caso de possessão

Rubem Fon­seca tinha declar­ado que os escritores, naquela mesa do Cor­rentes d’Escritas onde se falava do risco da ficção, eram todos loucos, cada um à sua maneira. “Ele é escon­did­inho, ninguém percebe, mas é louco”, disse o escritor brasileiro, pou­sando a mão no ombro de Eduardo Lourenço. Este regres­sou ao pas­sado para con­tar um episó­dio que ilus­tra essa lou­cura. É a história da escrita do livro Pequena Volta ao Mundo, pub­li­cado em 1961, em edição de autor, por Lúcio de Sousa Dias, um antigo colega do ensaísta no Colé­gio Mil­i­tar. Sabe-se agora que foi Lourenço que o escreveu, a pedido do condis­cípulo, usando postais, fotografias e apon­ta­men­tos que este lhe dera.
João Nuno Alçada, que trata do acervo de Eduardo Lourenço, encon­trou nos caixotes o livro e o respec­tivo man­u­scrito. Em Dezem­bro, o Jor­nal de Letras con­tou a história, e a Ler pub­li­cou depois excer­tos do livro.
“É uma ver­gonha que assumo: escrevi, por amizade e por um pacto meio louco, uma viagem à volta do mundo”, expli­cou Lourenço. “Eu, que nunca escrevi três lin­has [de ficção] e tenho um com­plexo absurdo em relação a quem escreve uma história, escrevi, pura e sim­ples­mente, uma volta ao mundo!” Que nunca mais leu. “Não é uma forma de het­eronímia, como a de Pes­soa, é um caso de pos­sessão!“
O seu amigo fez real­mente uma volta ao mundo, em 1954. A com­pan­hia de avi­ação que o des­pediu pagou-lhe uma viagem que imi­tava a de Phileas Fogg, per­son­agem de A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, de Júlio Verne. Quando se encon­traram, já tin­ham pas­sado qua­tro anos desde essa viagem e o amigo não se lem­brava de nada. Durante dois anos, Lourenço foi escrevendo por ele.
“Via­gens a Jerusalém, ao Japão, à América do Norte, onde nunca tinha posto os pés. Não há uma palavra que seja de qual­quer exper­iên­cia minha. É a ficção pura. A esse título, sou um grandessís­simo fic­cionista!”, diz o autor, que acha que o texto não tem qual­i­dade literária e, sobre­tudo, não o sente como seu. “Escrevi para ele, escrevi o filme que ele não podia escr­ever. Mor­reu na con­vicção de que aquele livro era dele. Vou agora matá-lo segunda vez?“
Em 1960, o amigo instalou-se em França, em casa de Lourenço. “A minha mul­her já não o podia ver e até começou a pen­sar que havia ali uma relação um pouco sus­peita.” O amigo acabou por ir para uma pen­são. “Ia lá ter com ele e sentava-me à mesa a escr­ever. Ele estava deitado na cama, ria-se e fazia ruí­dos, e eu já estava tão deses­per­ado que lhe disse: ‘Pára lá com isso. Eu estou aqui a ser teu escravo e tu a rires-te.’ E ele respon­deu: ‘É pá’ — ele falava assim como o Vasco Lourenço — ‘há muita gente que tem tipos que escrevem por eles, como o Kennedy.’ Tive um lam­pejo de lucidez e respondi-lhe: ‘Sim, mas aqui o Kennedy sou eu’.“
Os ami­gos de Lourenço acham graça à história e querem reed­i­tar o livro. Ele não quer. “Não quero ser fic­cionista a esse preço.” No entanto, quer que alguém conte a história do que se pas­sou. Almeida Faria já ref­ere o episó­dio no texto A Viagem do Outro, que pub­li­cou na revista Cor­rentes d’Escritas sem iden­ti­ficar os pro­tag­o­nistas. E, se Lourenço autor­izar, assume que gostaria de con­tar “essa história abso­lu­ta­mente incrível, mas verdadeira”.

(Crónica Porque hoje é domingo, pub­li­cada na revista 2, em 11 de Março de 2012)

O sentido da vida por Miguel Gonçalves Mendes e os outros

O real­izador Miguel Gonçalves Mendes, que fez “José & Pilar”, anda à procura do sen­tido da vida e ini­ciou um processo de finan­cia­mento colec­tivo para a pro­dução do seu próx­imo filme: “O Sen­tido da Vida” (www.osentidodavida.sapo.pt).