Outras infraestruturas humanas onde as cegonhas nidificam

É sabido que as cegonhas ao longo do tempo adquiriram uma habituação à presença humana que por vezes nos surpreende. A construção de ninhos em locais relativamente frequentados por pessoas como telhados de casas, torres de igreja e postes de eletricidade (onde se incluem os casais que temos vindo a acompanhar no Ecosfera) é algo que se pode observar em vários locais. Em Portugal, no entanto, esta habituação atingiu há cerca de dois anos um novo patamar. Quem até ao início de 2014 passou na autoestrada A25, na zona de Aveiro, com certeza terá reparado nos cerca de 20 ninhos construídos nas estruturas de sinalização desta via.

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Foto: http://miilay.blogs.sapo.pt/122540.html

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Foto: http://oqueeuandei.blogspot.pt/2010/06/na-transicao-da-a29-para-a25.html

 

 

 

 

 

 

 

Esta é a prova de que este animal se adaptou de uma maneira extraordinária à presença humana, visto que nesta estrada passam milhares de viaturas por dia mas, ainda assim, estas aves escolheram estes locais não só para descansar, mas também para nidificar! A escolha deste local pode-se dever ao grande número de locais de alimentação na zona, visto estar muito próximo da ria de Aveiro, que apresenta uma grande abundância de presas desta espécie. No entanto, verificou-se que os ninhos construídos em plena autoestrada punham em causa a segurança de automobilistas e até das próprias aves, que muitas vezes faziam voos rasantes aos veículos que passavam.

Em janeiro de 2014, a Ascendi, empresa responsável pela autoestrada, procedeu, com o devido acompanhamento do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), à mudança de local dos ninhos, notícia que foi divulgada no Público. Foi construída uma estrutura perto do local onde os ninhos estavam previamente construídos, de forma a que as cegonhas, devido à sua fidelidade ao local de nidificação, os pudessem encontrar facilmente.

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Fotos: http://www.ascendi.pt/noticias/detalhes.php?id=241

Dado que esta espécie regressa sempre aos mesmos locais de nidificação, foi ainda necessário tomar medidas para evitar a constituição de novos ninhos nos pórticos de sinalização localizados sob a via, como publicado pela Ascendi. Esta situação veio reforçar a noção de que as cegonhas-brancas são, sem dúvida, uma espécie de alta resistência e capacidade de adaptação à perturbação!

A zona de Aveiro é uma zona altamente povoada por casais desta espécie e a elevada abundância alimentar faz com que as previsões sejam de aumento do número de animais nidificantes na zona, o que pode aumentar o problema em estruturas como postes de eletricidade e pórticos de sinalização da autoestrada. Importa assim, cada vez mais, acompanhar o desenvolvimento populacional da cegonha-branca e encontrar soluções que permitam a convivência entre animais e as infraestruturas e atividades humanas, sem que isso ponha em risco a integridade física de pessoas e aves.

Tiago Neves, Bioinsight

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